Empreendedores do Uzbequistão compartilharam seus problemas ao interagir com o sistema de compras governamentais. Durante um diálogo aberto realizado em Tashkent em 11 de junho, foram apresentados 370 pedidos. Desses, 62 casos estavam relacionados a perdas financeiras, violação dos direitos dos fornecedores e falta de transparência nos procedimentos.
Análise dos problemas das compras governamentais
Na primeira reunião do Conselho da Associação de Participantes de Compras Governamentais (AUGZ), realizada em 30 de junho, Marat Abidov, vice-presidente do Conselho, apresentou os resultados da análise. Segundo ele, a maior parte das reclamações não está relacionada ao desconhecimento das regras ou à ausência de treinamento dos participantes, mas sim ao funcionamento do próprio sistema.
O principal problema é a não quitação de contratos
O problema mais crítico levantado pelos empreendedores foi a falta de pagamento pontual por contratos governamentais já executados. Fornecedores que cumpriram todos os compromissos e entregaram os produtos frequentemente enfrentam situações em que o contratante governamental se recusa a pagar ou adia o pagamento por tempo indeterminado.
Marat Abidov citou um exemplo em que um empresário cumpriu integralmente um contrato no valor de cerca de 100 milhões de soums, mas nunca recebeu o pagamento. Ele enfatizou que isso causa danos financeiros diretos aos negócios e diminui a motivação dos empreendedores para participar de licitações governamentais.
A situação é especialmente difícil para pequenas e médias empresas, pois as empresas incorrem em custos com matérias-primas, salários e logística, e a ausência de receitas as coloca à beira da paralisação das atividades.
Questões de transparência e concorrência
A segunda área significativa de reclamações foi a falta de transparência nas licitações e as questões de concorrência leal. Muitos participantes acreditam que o vencedor é determinado antes mesmo do anúncio oficial da compra. Os empreendedores apontam que os contratantes às vezes formulam requisitos técnicos de tal maneira que apenas uma empresa previamente conhecida pode atendê-los.
Além disso, após a apresentação das propostas, as comissões, na opinião dos participantes do mercado, elaboram os protocolos de análise de forma a rejeitar as propostas dos outros participantes por motivos formais. Abidov observou que tais protocolos questionáveis e exigências artificialmente elevadas limitam objetivamente a concorrência, o que representa um risco de o governo adquirir bens por preços inflacionados.
Sugestões para melhoria do sistema
Ambos os grupos de problemas apontam para uma necessidade geral de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle no setor de compras governamentais. O setor empresarial insiste não tanto na mudança das regras, mas sim na sua aplicação uniforme a todos os participantes do mercado.
Para resolver a questão do não pagamento, sugere-se tratar tais casos com prioridade e implementar um sistema que elimine a possibilidade de atraso impune nos pagamentos por parte dos contratantes. Quanto às licitações, Abidov propôs realizar verificações amostrais das compras e analisar os protocolos quanto a restrições artificiais à concorrência.
A importância da confiança empresarial
Apesar de o governo implementar programas de treinamento e desenvolver medidas de apoio à indústria, os participantes da discussão consideram que essas iniciativas não trarão o efeito desejado sem a confiança dos empreendedores. Jakhongir Yunusov, diretor adjunto da Agência de Cooperação Industrial e Compras Governamentais, enfatizou a necessidade não apenas de apoio, mas também de uso eficaz dos fundos públicos.
Em conclusão, Marat Abidov sugeriu realizar diálogos abertos como este entre o governo e as empresas pelo menos duas vezes por mês, além de distribuir todos os 62 pedidos em grupos temáticos com a designação de responsáveis para passar da discussão à resolução prática dos problemas.