O professor Roberto Serrano, da Universidade Brown, identificou que estudantes utilizaram inteligência artificial durante uma prova realizada remotamente. Essa suspeita surgiu após uma queda acentuada nas notas quando uma segunda avaliação foi conduzida presencialmente, sem permissão para o uso de dispositivos eletrônicos.
Serrano leciona a disciplina de economia do bem-estar e teoria da escolha social. Embora seja considerada desafiadora, a turma deste ano foi numerosa, possivelmente porque ele informou que as provas intermediária e final poderiam ser realizadas em casa. Essa flexibilização ocorreu devido a um ataque a tiros no campus da Universidade Brown em dezembro de 2025, que resultou na morte de duas pessoas, permitindo a continuidade do curso após a tragédia.
Na aplicação da prova intermediária, os alunos obtiveram resultados notáveis, com uma média de 96 pontos (de 100). Este desempenho era significativamente superior à média histórica da disciplina, que geralmente oscilava entre 65 e 80 pontos. O professor começou a ficar desconfiado, especialmente porque a prova havia sido elaborada para ser mais difícil que as anteriores.
A desconfiança de Serrano foi reforçada pela observação de que muitas respostas apresentavam um «estilo muito rebuscado». Ao testar as questões da prova no ChatGPT, ele notou uma semelhança entre as respostas geradas pela ferramenta de inteligência artificial e aquelas fornecidas pelos próprios alunos.
Para confirmar suas suspeitas, Roberto Serrano optou por aplicar a prova final de maneira presencial, proibindo o acesso a celulares e computadores. Ele comunicou aos alunos que a nota da prova intermediária seria recalculada com base no desempenho obtido no exame final. Em resposta a este aviso, 18 estudantes desistiram da disciplina, e outros nove não compareceram à avaliação.
Entre os alunos que realizaram a prova final, a média das notas despencou de 96 para 48 pontos, representando uma redução de cinquenta por cento. Isso confirmou a suspeita do professor de que a IA foi utilizada na prova intermediária remota. O tema tem provocado intensos debates, com Serrano relatando estar sobrecarregado com centenas de e-mails de ex-alunos, professores e outros interessados.
Um ponto central do debate é a capacidade de confiar na nova geração de estudantes em tarefas que demandam raciocínio lógico, dado o acesso que possuem a «atalhos tecnológicos» para solucionar problemas complexos. Contudo, Serrano ressalta que não se deve generalizar; ele citou um aluno que obteve 95 pontos na primeira prova e 95,5 na segunda, indicando esforço pessoal. Além disso, a ética foi abordada ao mencionar outro estudante que tirou 55 pontos no primeiro teste e 59 no segundo, demonstrando que ele não utilizou IA na primeira avaliação, o que levou o professor a expressar admiração por esse aluno.