A UE e a África do Sul iniciaram na sexta-feira o primeiro diálogo intergovernamental de alto nível para promover a implementação da nova Parceria em Comércio Limpo e Investimentos (CTIP).
Objetivos e Foco das Negociações
A principal tarefa destes encontros é fortalecer cadeias de abastecimento sustentáveis e limpas, apoiar setores estratégicos locais e acelerar os investimentos em hidrogénio verde e matérias-primas críticas. A África do Sul é o primeiro parceiro da UE no CTIP e o maior investidor na região da África Subsaariana.
O volume de comércio entre as partes atingiu 45 mil milhões de euros (839,7 mil milhões de rand) em 2022, sendo a UE o principal investidor na África do Sul, fornecendo mais de 40% dos investimentos estrangeiros diretos.
Principais Áreas de Cooperação
O diálogo intergovernamental se concentrará em casos de negócios específicos e projetos modelo no âmbito do CTIP, destinados a concretizar oportunidades mútuas de comércio e investimento. Entre estas oportunidades estão a expansão da rede elétrica sul-africana, energias renováveis, combustível de aviação sustentável, matérias-primas críticas e hidrogénio verde.
Também serão discutidas medidas para facilitar o comércio e os investimentos, destinadas a aumentar a transparência e a previsibilidade do ambiente de negócios através da partilha de informações sobre processos regulatórios recentes e da prestação de esclarecimentos à indústria. Além disso, está planeado discutir a cooperação regulatória nas áreas do clima e da energia para aprofundar a interação em padrões, abordagens e mecanismos de implementação que promovam a transição verde.
Ambições Estratégicas e Enquadramento
A UE sublinhou que o novo formato de interação comercial combina competitividade e ação climática através do reforço da cooperação mutuamente benéfica na economia limpa e no trabalho com matérias-primas críticas. Os governos desempenham um papel crucial na criação de um ambiente regulatório favorável para a escalabilidade destes investimentos.
As ambições relativas ao futuro da transição verde são significativas: por exemplo, a África do Sul pretende reformar o seu setor energético e construir cerca de 14.500 km de novas linhas de transmissão nos próximos dez anos. O CTIP irá estimular investimentos em cadeias de abastecimento limpas e criar benefícios mútuos para a UE e a África do Sul.
O CTIP complementa o Acordo de Parceria Económica entre a UE e a Comunidade de Nações Sul-Africanas, que fornece uma base jurídica sólida para o comércio de bens no âmbito do CTIP, liberalizando o comércio de produtos ambientais e proporcionando acesso de mercado favorável para produtos agrícolas e industriais sul-africanos.
História e Instrumentos do CTIP
O primeiro acordo CTIP foi assinado pela UE e África do Sul em novembro de 2025 com o objetivo de estimular o comércio, os investimentos e a criação de empregos mutuamente benéficos, ao mesmo tempo que apoia a descarbonização e as cadeias de abastecimento limpas. Em março, as partes realizaram o primeiro diálogo entre empresas e governo no âmbito do CTIP, no qual participaram mais de 150 representantes empresariais.
O CTIP é uma nova ferramenta política apresentada pela Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen em 2024. Visa apoiar os objetivos da UE de descarbonização e competitividade como instrumento externo do Acordo Industrial Limpo. Os instrumentos de cooperação do CTIP incluem medidas para melhorar o ambiente de negócios para empresas da UE, mobilização de financiamento sustentável e investimentos verdes através de bancos de desenvolvimento da UE e agências de crédito à exportação, troca de informações sobre investimentos e projetos CTIP do Corredor Global da UE, promoção de compras públicas em setores limpos, bem como a promoção de padrões de governança ambiental e social e tecnologias limpas.
Comentários dos Representantes
A vice-ministra do Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Alexandra Abrahamse, declarou na abertura do diálogo entre empresas e governo que a UE continua a ser um dos maiores parceiros comerciais da África do Sul, com o volume total de comércio a ter aumentado em 56% desde 2016, e que esta parceria mutuamente benéfica continuará a aprofundar-se.
Ela acrescentou que o CTIP expandirá os volumes de comércio, ao mesmo tempo que transformará as cadeias de valor. Isto permitirá alinhar a descarbonização com a industrialização, e os investimentos com o desenvolvimento económico local, garantindo que a África do Sul participe nas cadeias de abastecimento limpas como parceira industrial, e não apenas como fornecedora de matérias-primas.
