Byron Ashton, morador de Cidade do Cabo que fundou uma gangue perigosa no bairro Ocean View, mudou completamente sua vida e agora se dedicou à fé. Atualmente, ele busca ajudar os jovens em situação de risco para direcioná-los a um caminho de vida significativo.
Anos Iniciais e o Início do Caminho Criminiso
Ashton, com 33 anos na época da entrevista, passou por uma infância difícil que o levou a procurar amor, senso de pertencimento e propósito nas gangues. Ele contou ao IOL que cresceu sem pais e foi criado por sua avó até os 13 anos. Depois disso, teve que viver sozinho, primeiro com a avó paterna por mais quatro anos, até ela vender a casa, e depois com o pai até o 10º ano, quando completou 16 anos.
Após falhar no 10º ano, o pai aconselhou-o a abandonar os estudos e trabalhar com ele. Ashton observou que nunca lhe pagavam e que o pai era emocionalmente cruel. Isso levou o adolescente a Ocean View. Apesar das expectativas, a família não o aceitou, e ele não entendia os motivos dessa frieza por parte dos parentes maternos e paternos, embora ele próprio não estivesse envolvido em roubo, drogas ou criação de problemas.
Ascensão no Mundo do Crime
Em 2012, Ashton começou a fazer tatuagens no rosto devido à baixa autoestima e à sensação de não possuir nada. Ele admitiu que naquele período não usava drogas, mas sentia-se tão perdido que pensou em se tornar um gângster. Ele acreditava que, como os pais não podiam prover educação, estava condenado a uma vida nas ruas, mas decidiu ser chefe de gangue, e não apenas um trabalhador para outros gângsteres.
Naquela época, a única gangue que controlava Ocean View era a Hard Livings (HL). Em 2013, Ashton viajou para Capricornia, perto de Muizenberg, onde conheceu um dos fundadores do Junky Funky Kidz (JFK). Aos 19 anos, ele se tornou um gângster. Ele explicou que treinou por mais de um ano antes de estar pronto para portar armas.
Em 2014, Ashton ganhou um novo impulso e fundou os JFKs em Ocean View, transformando nove membros em gangue naquele ano. Embora a nova gangue continuasse a crescer, a HL ainda dominava, e logo eclodiu uma guerra. Ashton contou ao IOL sobre um incidente em que foi erroneamente acusado de atirar. Ele foi sequestrado por uma gangue e torturado, sofrendo uma fratura no braço e nos dedos.
Julgamento e Ponto de Virada
Após esse incidente, começou uma guerra entre as gangues, pois ambos os lados queriam vingança. No entanto, em 2014, Ashton foi condenado por assassinato e sentenciado a quatro anos de prisão na Pollsmoor Prison. Mesmo na prisão, a gangue continuou a evoluir, e ele conquistou notoriedade. Em 2017, Ashton saiu da prisão e retornou a Ocean View. Ele encontrou o líder de uma gangue rival e fez uma trégua, definindo territórios para cada grupo para evitar mais violência.
No entanto, com o tempo, ocorreu um momento decisivo. Em 2023, Ashton foi ferido. Naquela época, os JFKs e os Taylor's estavam em guerra naquela área. Quando os grandes chefes chegaram a Ocean View após o incidente com o assassinato do líder da gangue inimiga, surgiu tensão entre Ashton e o chefe Funky de Capricornia. Após uma discussão verbal, Ashton foi agredido na frente da multidão, e a tensão aumentou.
Ele foi baleado nas costas, com a bala saindo pela barriga, e também foi baleado na coxa. Foi ferido por seus próprios homens. Ele caiu no pátio de sua parceira, que estava grávida na época. Deitado ali, jurou vingança. Ele foi urgentemente levado ao hospital em um comboio policial, incluindo funcionários do SAPS, do Grupo Antigangue e das forças policiais. No hospital, descobriu-se que ele não tinha sangue e não havia veias visíveis; ele parou várias vezes antes de ser reanimado. Ele entrou em coma.
Despertar Espiritual
Ashton relatou que a experiência vivenciada mudou sua vida. Ele se viu flutuando no ar, entre areia cinza e pedras, sem cores nem pessoas. Então, ele viu montanhas cinzentas. No instante seguinte, ele estava no chão, e um homem apareceu diante dele, dizendo: 'Volte'. Depois disso, uma onda elétrica percorreu seu corpo, das pontas do braço esquerdo às pontas do direito. Ele acordou chorando, incapaz de falar devido ao tubo na garganta. Essa experiência o levou a dedicar sua vida ao Senhor, e desde então ele abandonou a vida de gângster. Depois disso, ele precisou de mais três cirurgias.
Nova Vida e Objetivos
Agora pai de dois filhos, ele declarou que a vida pode ser melhor. Ele continua trabalhando em si mesmo, passando quase um ano de tratamento a laser para remover as tatuagens do rosto, que quase desapareceram. Ele trabalhou por mais de um ano como funcionário EPWP, mas o contrato terminou na semana passada. Além disso, ele começou um pequeno negócio de paisagismo.
O pai dedicado expressou esperança em continuar o desenvolvimento espiritual e financeiro. Seu sonho é trabalhar com jovens em situação de risco e com gângsteres. Ele percebeu que, após o ferimento, não lhe restava nada de significativo — nem qualificação, nem experiência de trabalho, exceto seu passado criminoso. Ele decidiu usar sua experiência de muitos anos no ambiente criminoso para motivar os jovens a não seguirem esse caminho.