Yusuf Kassim, recém-nomeado vice-ministro de educação superior, declarou seu compromisso em resolver os problemas enfrentados pela juventude sul-africana, apesar da oposição baseada na islamofobia.
Do Estudantil à Política
Kassim, de 36 anos e natural do Cabo Oriental, assumiu o cargo na semana passada, descrevendo o evento como um momento de 'círculo completo'. Ele relatou como sua atividade política começou ainda durante seus estudos universitários, quando testemunhou problemas críticos enfrentados por seus colegas. No entanto, ele percebeu que essas questões não poderiam ser resolvidas apenas no nível institucional.
Ele enfatizou que esta nomeação representa um retorno ao início de sua jornada política, mas agora ele pode contribuir mais para a resolução desses problemas no nível parlamentar. Ao mesmo tempo, ele reconheceu o peso da responsabilidade que sente, afirmando que não será fácil.
Kassim expressou sua disposição de lutar pelos estudantes que o sistema condena ao fracasso ou exclui de realizar suas aspirações na educação superior, declarando: 'Estou pronto para lutar com todas as minhas forças por esses sul-africanos, especialmente pelos jovens.'
Ativismo Estudantil e Reformas
Como estudante de BCom Accounting na Universidade Nelson Mandela, Kassim participou ativamente de vários grupos estudantis, incluindo a Associação Estudantil Muçulmana, onde também ocupou cargos de liderança. Como um ativista nato, ele notou que o Conselho de Representantes de Estudantes (SRC), a liderança estudantil eleita da universidade, ignorava os problemas dos estudantes.
Ele descreveu as dificuldades enfrentadas pelos jovens ingressantes na instituição: falta de fundos para mensalidades, moradia ou transporte. Alguns estudantes não podiam pagar o trajeto até a universidade para frequentar aulas ou fazer exames. Kassim ficou indignado com o fato de que a liderança estudantil da época estava mais interessada em organizar festas e alugar transportes com recursos do orçamento estudantil.
Um ponto de virada para ele foi o caso em que o presidente do SRC alugou um veículo e o dirigiu sob influência de álcool, usando depois o orçamento estudantil para cobrir os custos de reparo. Esses escândalos geraram nele uma forte rejeição, e ele decidiu agir para prevenir o futuro roubo das pessoas devido a tal negligência.
Em 2009, Kassim fundou na universidade a Organização de Estudantes da Aliança Democrática (DASO). Apesar das tentativas de impedir sua participação, eles conseguiram reconhecimento institucional. Ele se tornou o primeiro estudante da DA eleito presidente do SRC. Sob sua liderança, a gestão da DASO foi marcada por vitórias históricas que continuam a beneficiar os estudantes da universidade.
Foram implementadas reformas como a introdução do Serviço Estendido de Ônibus Escolar, garantindo transporte aos estudantes para aulas e exames, bem como a criação do Fundo de Ajuda do SRC para apoiar estudantes endividados e fornecer-lhes assistência financeira. Kassim observou que sua nomeação foi uma experiência modesta para ele, pois recebia mensagens de apoio de estudantes que ele ajudou, muitos dos quais agora ocupam altos cargos nos setores público e privado.
Carreira Política
Em 2013, Kassim foi nomeado presidente do comitê federal juvenil da DA no Congresso do Comitê Federal Juvenil da DA. Em 2014, foi eleito membro do parlamento pelo Cabo Oriental. Em 2014, Kassim liderou o grupo eleitoral recém-criado da DASO, em 2016, o grupo eleitoral Ngcura, e em 2021, o grupo eleitoral dos Distritos Norte de Pretória.
Ele foi eleito vice-presidente provincial da DA no Cabo Oriental nos congressos provinciais de 2017 e 2020. Em 2023, Kassim foi eleito presidente provincial da DA no Cabo Oriental e foi reeleito sem oponentes em 2026.
Em seu novo cargo, Kassim visa contribuir positivamente para o setor de educação superior. Ele apontou várias questões que afetam os estudantes, sendo uma delas a instabilidade do Esquema Nacional de Assistência Financeira aos Estudantes (NSFAS), que afeta diretamente o sucesso acadêmico dos estudantes, especialmente dos estratos socioeconômicos mais baixos. Ele recebeu muitas mensagens de estudantes que não receberam sua ajuda NSFAS.
No entanto, ele acredita que para resolver esse problema é necessário lutar pela reforma da política. Ele afirma que sem eliminar os problemas fundamentais no nível político, a vitória é impossível. Ele pretende defender ativamente a descentralização do governo, acreditando que não há razão para o financiamento dos estudantes não ser distribuído diretamente aos estudantes através das instituições de ensino superior, em vez do modelo centralizado existente.
Além disso, Kassim está muito interessado em combater o sistema de cotas. Ele insiste que todo cidadão sul-africano, independentemente da cor da pele, deve ter a oportunidade de realizar suas aspirações com base em seu trabalho, mérito e talento. Ele quer que os sul-africanos possam ser quem desejam ser e viver a vida que desejam, sem quaisquer obstáculos.
Combate à Islamofobia
Comentando recentes declarações islamofóbicas nas redes sociais após sua nomeação, Kassim afirmou que sempre lutou ferozmente contra movimentos nacionalistas e extremistas que procuram semear discórdia. Ele observou que essa tendência não é apenas na África do Sul, mas também na política mundial nos últimos anos. Segundo ele, os populistas políticos veem uma oportunidade de lucrar com a criação de desentendimentos sociais, tentando dividir as pessoas por raça, etnia ou religião.
No entanto, ele enfatizou que tais desentendimentos não contribuem para alcançar o objetivo comum — construir uma África do Sul onde todos os cidadãos possam usufruir da liberdade pela qual tanto lutaram. Em vez disso, eles apenas geram ódio e intolerância, o que é extremamente perigoso. Em resposta a isso, Kassim apelou aos cidadãos sul-africanos por unidade, para que juntos possam enfrentar os sérios problemas que afligem a nação.
