A Copa do Mundo da FIFA, tradicionalmente posicionada como a maior celebração do futebol, unindo bilhões de pessoas, enfrentou sérios problemas na América. Em vez de ser marcada por conquistas esportivas, o torneio de 2026 é cada vez mais definido por interferência política, barreiras de imigração e a tendência ao estilo americano de futebol, onde a receita de televisão é priorizada sobre o prazer dos torcedores.
Pressão Política sobre a FIFA
A situação se manifestou claramente no incidente com o atacante da seleção dos EUA, Folarin Balogun. Após receber um cartão vermelho da Bósnia e Herzegovina, Balogun deveria ter recebido suspensão automática. No entanto, após apelação e um apelo público do presidente dos EUA, Donald Trump, ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para rever a decisão, a suspensão foi anulada.
Embora a FIFA tenha insistido posteriormente na independência de seus órgãos judiciais e negado influência política, tal ocorrido minou a confiança na organização. Quando os torcedores sentem que as regras mudam em favor de uma poderosa nação anfitriã, a integridade da competição fica ameaçada.
Barreiras para os Torcedores
O problema vai além de um caso isolado. O torneio, que por décadas promoveu o futebol como linguagem universal, demonstrou que essa linguagem para nas fronteiras dos EUA. Torcedores de países participantes enfrentaram atrasos de visto, restrições de viagem ou recusa total de entrada.
Um exemplo disso foi o árbitro Omar Abdulkarim Artan, da Somália, que não foi permitido entrar no torneio pelas autoridades dos EUA devido a supostas preocupações com segurança. Além disso, jornalistas da Gana tiveram seus vistos negados, e torcedores do Iraque, que esperavam décadas para ver seu país retornar à Copa do Mundo, foram forçados a assisti-la de casa devido à proibição de entrada nos EUA.
Comercialização do Jogo
Além dos problemas geopolíticos, observa-se uma mudança no formato das partidas. As pausas para hidratação, inicialmente introduzidas como uma medida de segurança razoável em condições de alta temperatura, transformaram-se em uma ferramenta para criar conteúdo comercial para os transmissores. As paradas de três minutos em estádios climatizados permitem que as transmissões exibam intervalos comerciais enquanto os jogadores se preparam para continuar o jogo.
Isso lembra os 'timeouts táticos' característicos do basquete ou do futebol americano. O futebol nunca foi criado para se encaixar perfeitamente em blocos publicitários, mas este torneio se assemelha cada vez mais a um produto televisivo americano, onde o ritmo natural do jogo cede lugar à maximização das oportunidades comerciais.
A FIFA afirma que o futebol pertence a todos, mas suas ações indicam cada vez mais que ele pertence primariamente aos patrocinadores, transmissores e àqueles que possuem influência política. Embora o órgão gestor tenha falado sobre o desenvolvimento do jogo por muitos anos, esse crescimento (de receita) não deve ocorrer à custa da alma do esporte. O torneio, que prometeu unir o mundo, lembrou milhões de pessoas que a política pode decidir quem passa pelos portões, a televisão comercial dita quando o jogo para, e a influência pode alcançar lugares onde as regras esportivas deveriam prevalecer.