Uma moradora de Durbanville enfrentou multas potenciais de acordo com o Decreto Municipal de Cidade do Cabo sobre a manutenção de animais após receber uma notificação por alimentar pássaros diretamente do chão em seu jardim.
Motivo da reclamação e reação da moradora
A situação surgiu depois que um vizinho apresentou uma queixa, considerando as ações da mulher uma ameaça à saúde e ao meio ambiente. A mulher, cujo nome é conhecido pelo Cape Argus, publicou publicamente a notificação recebida na página STOP CoCT no Facebook. Ela afirmou ter tido inspetores ambientais e que o vizinho agiu por malícia, tentando impedi-la de alimentar os pássaros que vinham ao seu jardim.
A mulher informou ao Cape Argus que não possui pássaros, mas apenas alimenta pássaros de jardim e pombos. Ela também observou que não pode discutir o assunto, pois o caso está nas mãos de seu advogado. Segundo Francesin Hayam, membro da câmara municipal para serviços públicos e saúde, a notificação foi emitida para prevenir problemas futuros de saúde pública e ambientais.
Exigências e preocupações
O caso específico envolvia a dispersão descontrolada de ração para pássaros no lote, que já apresentava outros problemas de saúde ecológica, incluindo roedores. Especialistas em Saúde Ambiental (EHP) emitiram a notificação para interromper a deterioração da situação. Eles enfatizaram que sua obrigação é proteger e promover a segurança pública, agindo contra indivíduos ou situações que representem risco ao bem-estar de outros.
A própria notificação indica que a inspeção realizada em 1º de junho de 2026 mostrou alimentação de pássaros diretamente do chão, o que constitui uma violação da Seção 28 (2) do Regulamento (Regulamento de Manutenção de Animais de 2021). O aviso exigia que as infrações fossem corrigidas em 21 dias e que a alimentação de quaisquer animais selvagens não mantidos em cativeiro fosse interrompida. O não cumprimento das exigências pode levar à condenação e à imposição de multa.
Reação de políticos e especialistas
Esta questão gerou agitação na cidade. Brett Herron, secretário-geral do GOOD Party e candidato a prefeito de Cidade do Cabo, alertou que «se você alimenta pássaros, corre o risco de ser multado». Ele declarou que «a regulamentação excessiva orwelliana de Cidade do Cabo deu o próximo passo, dizendo aos moradores que eles não podem mais alimentar pássaros selvagens em seus próprios jardins», acrescentando que «apenas gaiolas são qualificadas. Pássaros livres parecem ser uma violação do regulamento. E se você alimenta esses pássaros, corre o risco de ser multado».
Em resposta à declaração de Herron, Hayam classificou isso como uma «tentativa infeliz de disseminar desinformação intencionalmente e causar indignação onde não há». Allan Perrins, gerente de comunicação da Society for the Protection of Animals da África do Sul, observou que isso é feito para proteger a vida selvagem e o público, prevenindo a propagação de doenças. Ele aconselhou que a maneira mais eficaz de apoiar os pássaros selvagens é plantando árvores e arbustos locais que forneçam alimento natural, abrigo e oportunidades de nidificação durante todo o ano, em vez de alimentação artificial.
Recomendações de alimentação
A notificação também contém informações de que, ao alimentar adicionalmente, deve-se oferecer apenas alimentos apropriados, como sementes de qualidade para pássaros selvagens, frutas e vegetais frescos. No entanto, pão, laticínios, produtos processados, petiscos salgados e outros alimentos inadequados podem causar deficiências nutricionais ou doenças. Os comedouros e bebedouros para pássaros também devem ser limpos regularmente para reduzir a propagação de doenças. Os decretos municipais que proíbem a alimentação de pássaros selvagens diretamente no chão visam proteger tanto a vida selvagem quanto o público, pois alimentar no chão atrai roedores e outros pragas, aumenta o risco de transmissão de doenças e pode alterar o comportamento natural dos animais selvagens. Belinda Abraham, representante da Cape of Good Hope SPCA, esclareceu que os comedouros para pássaros estão especificamente excluídos do regulamento sobre a manutenção de animais selvagens.

