O Dr. Nick Eberl, fundador e presidente executivo do The Future of Jobs Summit™, acredita que as discussões nacionais sobre desemprego na África do Sul se concentram em estatísticas incompletas.
Crítica às estatísticas oficiais
Ao longo de muitos anos, os debates públicos no país foram construídos em torno de um único indicador: a taxa de desemprego. Trimestralmente, o país aguarda a publicação de dados da Statistics South Africa, após o que inevitavelmente começa a discussão sobre se a situação está melhorando ou piorando. Recentemente, o conhecido empresário Gary Fury, ex-CEO da Capitec, juntamente com o economista e empreendedor GG Alcock, criticaram o discurso oficial.
Eles afirmam que a taxa real de desemprego na África do Sul pode ser significativamente menor que os cerca de 32% declarados, pois milhões de sul-africanos ganham dinheiro diariamente dentro de uma vasta economia informal. Essas pessoas realizam vários tipos de atividades: aluguel de quartos, reparo de veículos, trançamento de cabelo, operação de pequenas lojas, entrega de encomendas, venda de alimentos, reparo de telefones e prestação de serviços de cuidados infantis.
Diferença entre renda e trabalho
Eberl enfatiza que a economia informal sul-africana é subestimada. No entanto, ele argumenta que os debates negligenciam uma questão mais importante: não se trata de uma pessoa ter renda, mas sim de ela ter um trabalho real. Ele explica que a renda é apenas um resultado do trabalho, enquanto o próprio trabalho representa uma experiência humana muito mais rica.
Referindo-se ao conceito de 'trabalho decente' da Organização Internacional do Trabalho, Eberl sugere expandir a conversa. Na sua opinião, um trabalho significativo desempenha sete funções vitais que não podem ser medidas por estatísticas de renda.
Sete dimensões do valor do trabalho
A primeira é a segurança, garantida pela estabilidade financeira para cobrir necessidades básicas. A segunda é o desafio, visto que os seres humanos naturalmente buscam resolver problemas e adquirir habilidades. A terceira é a conexão, formada através da interação com colegas, clientes e comunidades, fortalecendo o capital social. A quarta é o significado, o desejo de uma pessoa sentir que sua contribuição é importante para a vida dos outros. A quinta é o crescimento, que implica o desenvolvimento de conhecimento, inteligência emocional e resiliência. A sexta é a contribuição para a sociedade, permitindo a criação de valor para os outros. E a última é o propósito maior, quando a atividade diária está ligada a algo maior do que a própria pessoa.
Da sobrevivência à prosperidade
Eberl reconhece a notável resiliência empreendedora de milhões de sul-africanos, mas adverte que sobrevivência não é sinônimo de prosperidade. Embora iniciativas como alugar um quarto ou reparar telefones mereçam apoio, muitos ainda enfrentam a falta de renda previsível, oportunidades de aprendizado, redes profissionais e segurança a longo prazo.
Ele alerta que definir todos que ganham alguma renda como 'trabalhadores assalariados' pode diminuir as ambições nacionais. A África do Sul precisa não apenas de mais pessoas com renda, mas de milhões de empregos de qualidade. Essa mudança de foco das estatísticas de desemprego para a qualidade do trabalho altera a abordagem à educação e à gestão empresarial.
Em conclusão, em vez de perguntar 'Quantas pessoas têm renda?', a pergunta deve ser: 'Quantos sul-africanos têm um trabalho que proporciona segurança, desafio, conexão, significado, crescimento, contribuição e propósito?' É esse indicador, na opinião de Eberl, que realmente importa, pois o principal objetivo do trabalho é ajudar as pessoas a construir uma vida significativa.

