O município de Impendle, que está entre os municípios mais pobres de KwaZulu-Natal, expressa preocupação com a decisão do Tesouro Nacional de suspender os pagamentos de subsídios para municípios com indicadores financeiros baixos.
Suspensão de Pagamentos e Objetivos do Tesouro
O Tesouro Nacional anunciou na terça-feira a interrupção temporária das transferências de subsídios para julho de 2026 para certos municípios. O objetivo desta medida é implementar disciplina financeira. O Tesouro enfatizou que esta medida é necessária para garantir a correta gestão dos fundos públicos alocados aos municípios, bem como para que estes aprendam a eliminar despesas não autorizadas, irregulares, improdutivas e desperdiçadoras (UIFWE).
Os subsídios são fundos que o Tesouro Nacional transfere incondicionalmente aos governos provinciais e locais para cobrir despesas administrativas.
Situação em Impendle
A situação financeira de Impendle, classificado entre os municípios considerados financeiramente indisciplinados pelo Tesouro Nacional, atingiu um ponto crítico depois que o município não conseguiu pagar salários aos funcionários no início deste ano. O prefeito Kho Dlamini declarou que o município não pode existir sem esses subsídios.
Dlamini informou que, apesar dos sérios problemas, discussões estão atualmente em curso com o Tesouro Nacional, que, na sua opinião, levarão a um acordo até às 14h00. Ele observou que o subsídio é extremamente importante para Impendle devido às limitadas fontes de arrecadação de impostos, sublinhando que 'o Município de Impendle depende principalmente de subsídios'.
Posição do Tesouro Nacional
Em seu comunicado, o Tesouro indicou que a decisão foi tomada para responsabilizar os funcionários e autoridades municipais. Foi mencionado que esta decisão se seguiu ao incumprimento constante e grave da Lei de Gestão de Finanças Municipais (MFMA) e suas disposições auxiliares, mesmo com o apoio fornecido pelo Tesouro Nacional por meio de consultas, interação e contato formal ou informal.
Outras Áreas Afetadas
Outros municípios em KwaZulu-Natal afetados pela decisão do Tesouro incluem os distritos de uMzinyathi, Amajuba e uMkhanyakude, bem como localidades como Newcastle, eMadlangeni e AbaQulusi.
O prefeito de uMkhanyakude, Siphile Mdaka, afirmou que seu município entrou na lista devido a um mal-entendido entre ele e o Tesouro. Ele esclareceu que a questão será discutida em uma reunião na sexta-feira às 16h00. Mdaka acrescentou que o município forneceu ao Tesouro relatórios de que os problemas internos estão sendo resolvidos e insiste que todas as questões levantadas foram resolvidas, e que isso é apenas um problema de comunicação.
Exigências dos Sindicatos
O Congresso dos Sindicatos da África do Sul (Cosatu) apelou para uma intervenção urgente na situação dos municípios sobrecarregados financeiramente, pois a decisão do Tesouro pode agravar sua situação. A federação reconhece a necessidade de estabelecer disciplina financeira nos municípios em relação aos salários e fundos de pensão dos trabalhadores, bem como aos fornecedores de serviços, como Eskom e Conselhos de Água. No entanto, segundo o Cosatu, a suspensão do subsídio pode ter consequências imprevistas.
Matthew Parks, coordenador da ala partidária do Cosatu, alertou que alguns municípios estão tão carentes de fundos que essa medida pode levar à paralisação de serviços básicos e ao não pagamento repetido aos funcionários municipais. Parks exigiu reuniões entre o Tesouro, o Departamento de Assuntos Locais e Assuntos Tradicionais (COGTA) e a Associação de Governos Locais da África do Sul (SALGA) para resolver crises crescentes. Ele também sugeriu que a solução para os problemas de gestão financeira municipal reside na nomeação de liderança competente e no combate à corrupção e gastos desperdiçadores através da intervenção dos Hawks e da Unidade de Investigação Especial. Parks enfatizou particularmente que tais medidas não devem levar ao colapso adicional dos serviços municipais ou a mais trabalhadores ficarem sem pagamento.



