A história começou no final de 2008, quando Neha Tandon, de 26 anos, estava indo trabalhar em Noida e recebeu um relatório que mudou sua vida. Após meses de visitas a vários médicos em busca de respostas sobre seu filho Maahir, que estava começando a perder habilidades adquiridas, ela abriu um documento no carro. Nele, foi confirmado que Maahir, de dois anos e meio, tinha sido diagnosticado com autismo severo.
Sinais Precoces e Diagnóstico
Maahir nasceu em 30 de junho de 2006. Os primeiros dois anos de desenvolvimento transcorreram sem desvios: ele atingia todas as fases da idade, falava e interagia com os outros. No entanto, então começaram as mudanças. Ele sorria menos, evitava contato visual e gradualmente perdeu a fala. Neha sentiu que algo havia mudado, embora os outros não percebessem.
Mais tarde, descobriu-se que o filho tinha autismo regressivo — uma forma na qual a criança perde habilidades aprendidas. Na época, o tema do autismo era raramente discutido na maioria dos lares. Após longas buscas por respostas, incluindo consultas e exames, o diagnóstico definitivo foi feito no final de 2008.
Transição do Ensino para o Relacionamento
Ao receber o diagnóstico, Neha suspendeu sua carreira em vendas de mídia, concentrando-se totalmente em seu filho. Este período foi exaustivo e consumiu-a por completo. Ela estava obcecada com a ideia de intervir, tentando 'lutar contra o diagnóstico' através de treinamento e exercícios constantes. No entanto, quanto mais ela insistia, mais retraído ficava o filho, e ele começou a sentir ansiedade com a aproximação da mãe.
O ponto de virada foi uma consulta com um terapeuta nos Estados Unidos. Foi-lhe aconselhado a se afastar do ensino ativo. O terapeuta explicou que Maahir não associava mais a mãe ao conforto, pois cada interação se tornara uma lição ou exigência. Neha decidiu mudar o foco: em vez de preencher cada momento com terapia, ela começou a reconstruir o relacionamento com o filho, dedicando tempo a assistir filmes juntos, viajar e brincar. Ela entendeu: 'se ele não pode entrar no meu mundo, eu posso entrar no dele.'
Luta pelo Direito à Inclusão
À medida que o filho crescia, Neha enfrentou o problema da exclusão. Aos dois anos, ele foi solicitado a deixar uma escola infantil de prestígio devido ao comportamento. Mais tarde, apesar das promessas de integração, ele passava a maior parte do tempo em uma sala separada para crianças com autismo. Por três anos, ela lutou pelo direito de participar de atividades comuns, como música e pintura.
A administração da escola recusou, alegando que a prioridade eram as crianças com maiores chances de entrar nas salas de aula regulares. Essa situação levou Neha a retirar o filho da escola, convencida de que 'inclusão não é caridade, é um direito'. Para não permitir que a sociedade decidisse onde ele pertencia, ela começou a levá-lo para todos os lugares — restaurantes, aeroportos e férias. Durante viagens pela Índia e exterior, incluindo Singapura, Hong Kong e Disneyland, ela viu exemplos de inclusão bem planejada.
Transformação da Experiência em Apoio Comunitário
Por volta de 2014, Neha começou a falar abertamente sobre autismo e inclusão, pois outros pais começaram a procurá-la. Ela compartilhava recursos, como materiais didáticos e ferramentas especializadas que antes tinham que ser importados devido à falta deles no país. Seu apoio cresceu de ajuda com materiais para criar um espaço de apoio mútuo entre os pais.
Neha tornou-se uma fonte confiável de informação e esperança para muitos. Por exemplo, Nitisha, uma mãe de Delhi, conheceu Neha pela primeira vez em 2009. Nitisha observou que Neha estava sempre disposta a ajudar e inspirar positividade, dizendo que 'a situação pode não mudar, mas nossa atitude em relação a ela pode'. Para Tina, cujo filho de 14 anos foi diagnosticado com autismo, Neha tornou-se uma conselheira confiável, contando honestamente o que funcionou e o que não funcionou. Mesmo quando a escola de Tina recomendou tirar o filho da sala de aula regular, o apoio de Neha foi decisivo.
