Um vídeo de Lito Sousa, influenciador brasileiro especializado em aviação e criador do canal “Aviões e Músicas”, voltou a circular nas redes sociais, reavivando discussões sobre a melhor forma de viajar de avião com animais de estimação.
Embora os procedimentos de transporte de pets no compartimento de carga visem oferecer um grau de segurança, eles não isentam os animais de situações de grande estresse, erros cometidos pelos próprios tutores ou de emergências onde a segurança dos passageiros a bordo é priorizada acima de tudo que está no compartimento de carga, incluindo os animais.
Transporte de Pets em Aeronaves
A maioria das companhias aéreas no Brasil permite que um animal pequeno viaje na cabine junto com o passageiro, mas isso está sujeito a diversas regras. Entre os requisitos comuns estão o limite de peso (geralmente entre 10 ou 12 kg, somado ao peso da caixa de transporte, dependendo da aeronave e da rota), o fato de o animal estar em uma caixa de transporte apropriada que caiba sob o assento à frente, e a posse de documentação sanitária atualizada, incluindo comprovantes de vacinação e atestados veterinários que atestem sua aptidão para voar. Além disso, é usualmente exigida uma idade mínima de seis meses para o pet.
O transporte na cabine implica o pagamento de uma tarifa adicional, que alguns viajantes consideram elevada. Quando um animal não cumpre esses critérios, ele deve ser encaminhado para o porão da aeronave, especificamente um compartimento de carga conhecido como bulk cargo, geralmente situado na parte traseira. As caixas de transporte destinadas a este local devem aderir a normas rigorosas para evitar que o animal escape.
Condições e Riscos no Porão
Este compartimento possui sistema de climatização, o que proporciona algum conforto térmico ao animal. Ele é mantido no escuro e apresenta níveis de ruído comparáveis aos da cabine dos passageiros. Idealmente, a companhia aérea deve realizar o embarque dos animais por último e o desembarque antes de retirar outras bagagens, numa tentativa de minimizar o estresse do animal.
Apesar de o transporte no porão ser classificado como tecnicamente seguro, os tutores precisam estar atentos a vários fatores que podem impactar o bem-estar do pet. Primeiramente, a própria experiência é estressante, podendo provocar desconforto significativo e até manifestações físicas, dependendo da personalidade do animal. Existem também riscos externos à aeronave, como o uso excessivo de sedativos (administrados pelo tutor, não pela companhia aérea) ou o emprego de caixas de transporte defeituosas, o que poderia levar o animal a escapar em qualquer fase da viagem, incluindo embarque ou desembarque.
Dentro da aeronave, existem dois riscos principais. Um menos severo, mas que causa desconforto adicional, é a possível falha no sistema de climatização. Nesse cenário, o porão, que deveria manter uma temperatura próxima de 21ºC ou 22ºC, pode esfriar drasticamente, atingindo cerca de 7ºC. Embora isso raramente represente um risco sério para cães e gatos, pode aumentar o estresse do animal.
Risco Crítico de Emergência
O risco mais grave está associado a ocorrências infrequentes onde um protocolo de incêndio é ativado no compartimento. Episódios recentes envolvendo incêndios causados por powerbanks a bordo, que nunca devem ser despachados, ilustram esse perigo. Caso haja qualquer indício de aumento de temperatura no compartimento, mesmo que seja um alarme falso, o fornecimento de oxigênio (que serve de combustível) é cortado e os extintores são acionados. O propósito é controlar o fogo no bagageiro sem comprometer a segurança da cabine, contudo, esse procedimento inviabiliza a sobrevivência de qualquer animal presente naquele compartimento.
Considerações para a Decisão
Em certas ocasiões, a escolha não existe, pois o animal pode ser muito grande para viajar na cabine. Contudo, quando há opção, é fundamental ponderar a sensibilidade do pet ao estresse e a facilidade de acalmá-lo por meio de métodos não farmacológicos, como colocar um cobertor com odor familiar dentro da caixa de transporte, ou através do uso de sedativos.
Adicionalmente, é crucial estar ciente do perigo inerente aos protocolos de incêndio: embora a situação seja rara, o risco nunca é nulo, e se ocorrer durante o voo, representa um perigo fatal para o animal. Conforme mencionado por Lito no vídeo viral, muitas pessoas optam por deixar o porão como uma alternativa a ser utilizada apenas em situações extremas.
