O governo de Jammu e Caxemira, em colaboração com a Universidade de Caxemira, iniciou uma verificação abrangente de publicações impressas. Os chefes de departamento e diretores de escolas foram instruídos a remover qualquer material que possa ser considerado 'controverso' ou 'antinacional'.
Razões e incidentes anteriores
Esta medida ocorreu após um debate político na semana passada, quando um livro didático para bibliotecas de escolas estaduais foi retirado. Este livro continha descrições da região como 'Caxemira ocupada pela Índia' e 'Caxemira controlada pela Índia', além de mencionar o fundador da organização proibida JKLF, Makbul Bat, como 'Shahid' (mártir).
Reação dos políticos
A nova ordem de inspeção gerou forte crítica do deputado parlamentar Srinagar Aga Ruhullah Mehdi, do partido governista National Conference (NC), que classificou a decisão como 'profundamente preocupante'. Mehdi afirmou que as bibliotecas são destinadas à preservação do conhecimento, e não à curadoria de narrativas políticas, enfatizando que apagar livros não apaga a história, mas apenas empobrece as pesquisas científicas. Ele acrescentou que a liberdade acadêmica e o direito de interagir com a história nunca devem ser vítimas do controle ideológico.
O deputado PDP Vahid Parra apoiou a crítica, chamando o processo de inspeção de 'processo de anistoria'.
Publicações removidas anteriormente
Em 4 de julho, o governador de Jammu e Caxemira, Manoj Sinha, ordenou a retirada de dois livros — 'Personalidades e Lendas de Jammu e Caxemira' de Hilal Ahmad e Santosh Mina, e 'Grandes Personalidades de Jammu e Caxemira' de Sushant Giri. O motivo da retirada foi considerado 'conteúdo extremamente inadequado'. Especificamente, o livro 'Personalidades e Lendas de Jammu e Caxemira' continha referências a 'Caxemira ocupada pela Índia' e a Bat, que foi enforcado e enterrado na prisão de Tihar em fevereiro de 1984 após ser condenado por assassinato de inspetor do CID.
Diretrizes oficiais de inspeção
Nasir Iqbal, registrador da Universidade de Caxemira, confirmou o recebimento das ordens de remoção de livros com 'conteúdo antinacional'. Ele informou que os departamentos foram instruídos a identificar quaisquer livros que contradigam os interesses nacionais. Iqbal esclareceu que os líderes devem remover os materiais controversos se forem encontrados.
Além disso, Nasir Ahmad Wani, diretor de educação escolar de Jammu e Caxemira, emitiu um novo decreto na quinta-feira. Ele é direcionado aos diretores de escolas públicas e privadas reconhecidas, bem como centros de treinamento, com o objetivo de realizar uma verificação abrangente de livros. De acordo com este decreto, o objetivo é garantir que os livros não contenham material inaceitável, incluindo aquele que possa ofender os sentimentos religiosos de algum grupo, ser inadequado para os alunos ou potencialmente prejudicar os interesses nacionais.
Wani também determinou que, ao encontrar conteúdo inaceitável, os diretores devem preparar um relatório detalhado e apresentar um relatório de conformidade até 19 de julho, confirmando que todos os livros em suas instituições foram verificados e não contêm material inaceitável.
Apelo à Comissão de Direitos da Criança
Enquanto isso, o Research and Advocacy Group (RAAG), uma organização dedicada a pesquisas jurídicas, defesa constitucional e política governamental, recorreu ao Conselho Nacional de Proteção dos Direitos da Criança (NCPCR) em Nova Delhi solicitando uma investigação sobre os livros controversos. O RAAG alega que a distribuição de tais livros nas bibliotecas de escolas públicas não é apenas um erro de compra, mas uma grave violação dos direitos das crianças. Esses livros expunham os estudantes a materiais que glorificavam terroristas/separatistas e promoviam narrativas contrárias à Constituição, violando a Lei de Educação de 2009 e a Política Nacional de Educação de 2020.
