Os indicadores de produção na indústria de transformação continuaram a diminuir em maio de 2026, registrando uma queda de 4,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Este resultado foi pior do que as previsões dos economistas.
Principais fatores da queda
De acordo com dados da Statistics SA, os setores que contribuíram negativamente mais foram: alimentos e bebidas (queda de 6,4%, o que correspondeu a -1,6 pontos percentuais); ferro fundido básico e aço, produtos de metais não ferrosos, artigos metálicos e máquinas (queda de 5,6%, ou -1,3 pontos percentuais); e madeira, produtos de madeira, papel, editoração e impressão (queda de 11,0%, ou -1,0 ponto percentual).
No entanto, se considerarmos os dados ajustados sazonalmente, a produção em maio de 2026 aumentou 1,1% em comparação com abril de 2026. Contudo, nos três meses terminados em maio de 2026, a produção ajustada sazonalmente reduziu-se em 1,0% em relação ao trimestre anterior.
Avaliação especializada da situação
O Professor Simphiwe Madikizela, economista da Universidade do Sul da África (Unisa), expressou preocupação com o estado do setor. Ele observou que nos trimestres anteriores, a indústria enfrentou problemas relacionados a restrições estruturais na logística, infraestrutura portuária e rede ferroviária, bem como ao aumento dos preços da eletricidade e outros custos operacionais.
Madikizela acrescentou que alguns produtores mudaram-se para o corredor e porto de Maputo devido aos congestionamentos no porto de Durban, e também mencionou problemas em outros portos, como o de Cidade do Cabo. Além disso, ele salientou que a guerra no Médio Oriente, iniciada no final de fevereiro de 2026, agravou a situação no setor de produção.
Segundo ele, a situação piorou após o fim do cessar-fogo e a violação do acordo de paz, o que levou a um aumento no número de ataques e greves nos navios. O preço do petróleo bruto subiu drasticamente de US$ 70 para US$ 78 por barril. Enquanto isso, o presidente dos EUA alertou para o aumento dos ataques, embora haja esperança de retomada das negociações de paz.
Análise de mercado e previsões
O Professor Raymond Parsons, da Escola de Negócios da Universidade Noroeste, afirmou que a queda de 4,3% em termos anuais, que foi pior do que o esperado, confirma uma pressão séria sobre a indústria de transformação. Embora o crescimento mensal de 1,1% seja um ponto positivo, ele não compensa as perdas dos três meses anteriores. Parsons considera que tanto fatores cíclicos quanto estruturais mantêm as tendências atuais de produção em território negativo, o que é agravado pelo aumento da capacidade ociosa no setor.
Ele também observou que o impacto da crise energética global ainda é sentido na economia. O problema estrutural reside na infraestrutura econômica ineficiente, que enfraquece a competitividade de preços de muitos produtos sul-africanos. Parsons acrescentou que a estabilização da situação no Médio Oriente poderia contribuir para a recuperação da produção em várias áreas chave.
A economista da Investec, Lara Hodges, informou que a redução da produção prolongou o início fraco do segundo trimestre após a queda de 2,9% em termos anuais em abril. Ela observou que os dados obtidos foram mais fracos do que as previsões de consenso da Bloomberg, indicando que o setor continua a ter dificuldades em ganhar impulso significativo em meio à fraca procura, à pressão de preços elevada devido ao choque nos preços do petróleo e à incerteza global persistente.
Segundo Hodges, sete em cada dez categorias incluídas na cesta de produção diminuíram em termos anuais. O segmento de alimentos e bebidas contribuiu com o maior impacto negativo, representando 22,2% do volume total, que caiu 6,4% em termos anuais, resultando numa perda de -1,6% do indicador principal. Isso corresponde à queda de 1,8 pontos no Índice de Atividade Empresarial da Absa em maio, sinalizando o regresso da atividade empresarial para a zona de contração, e os novos pedidos também caíram abaixo da marca de 50 devido ao enfraquecimento da procura.
Hodges também apontou que os produtores enfrentaram um aumento acentuado nos custos de matérias-primas devido à guerra no Médio Oriente. Os preços mais altos do petróleo, os custos crescentes de combustível e os problemas na cadeia de abastecimento levaram a um aumento geral da pressão de preços. Além disso, o setor é contido pela ineficiência logística, o que afeta o potencial de exportação, e pelos altos custos administrativos.
O economista sênior Thanda Sithole da FNB e Wesbank constatou que a atividade de produção permanece limitada, com o volume de produção a cair 1,7% nos primeiros cinco meses de 2026, superando a redução total de 2025 de 1,3%. Espera-se que o setor permaneça sob pressão no futuro próximo devido aos altos custos de produção causados pelo impacto inicial do conflito no Médio Oriente, bem como pelas constantes limitações de infraestrutura interna.
