A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) lançou sua primeira atualização de listas para 2026. Um foco especial foi dado aos moluscos de águas profundas que habitam perto de fontes hidrotermais. De acordo com os especialistas, 62% desses invertebrados estão ameaçados de extinção devido às atividades de prospecção e mineração no fundo do mar.
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Mudanças no status dos tatu-de-formiga saculados
Em contraste, a população e o alcance dos tatu-de-formiga saculados australianos, que anteriormente estavam ameaçados por gatos e raposas invasoras, aumentaram significativamente graças aos esforços de proteção. Como resultado, o status desta espécie foi rebaixado de em perigo de extinção para quase vulnerável.
Visão geral das categorias de conservação
A IUCN monitora o estado de dezenas de milhares de espécies — animais, plantas e fungos — há mais de sessenta anos. Os especialistas da organização atribuem um status de conservação específico a cada espécie. As taxonomias pertencentes à categoria 'Least Concern' (LC) geram menos preocupações. Espécies menos favoráveis recebem o status 'Near Threatened' (NT). O risco de extinção é avaliado como alto para taxonomias classificadas como 'Vulnerable' (VU), 'Endangered' (EN) ou 'Critically Endangered' (CR). Existem também os status 'Extinct in the Wild' (EW), 'Extinct' (EX) e 'Data Deficient' (DD).
Atualização anual de dados
Os funcionários da IUCN atualizam suas listas anualmente, incluindo novas espécies e revisando os status de taxonomias já registradas em caso de mudanças em sua população ou incorreção nas avaliações anteriores. Em 2025, as atualizações foram realizadas duas vezes: em março, houve atenção aos fungos, com quase 500 espécies recebendo status, e em outubro, às tartarugas verdes (Chelonia mydas) e focas do Ártico (melhora na situação das primeiras, piora das segundas).
Conteúdo da atualização de 2026
A primeira atualização de 2026 foi publicada em nove de julho. Ela revisou os status de inúmeras espécies, incluindo mamíferos, tartarugas, sapos, peixes (principalmente de água doce do Oriente Médio e representantes da família Syngnathidae, como cavalos-marinhos), pepinos-do-mar, moluscos e plantas com flores. No total, as listas da organização agora contêm 175.909 espécies, das quais 49.505 são consideradas ameaçadas.
Sucessos na proteção dos numbatos
Uma das mudanças mais significativas diz respeito aos numbatos (Myrmecobius fasciatus), também conhecidos como tatu-de-formiga saculado. Esses mamíferos se alimentam exclusivamente de formigas e cupins. Anteriormente, eram amplamente distribuídos na Austrália Ocidental e Sul, mas sua população diminuiu drasticamente devido a gatos introduzidos (Felis catus) e raposas comuns (Vulpes vulpes), atingindo cerca de 300 indivíduos no final da década de 1970. Graças às medidas de proteção iniciadas em meados da década de 1990 — incluindo criação em cativeiro, controle de predadores e reintrodução — a espécie conseguiu ser salva. Atualmente, existem pelo menos cinco populações autossustentáveis, e a população total é estimada entre 2.000 e 3.000 indivíduos. Por isso, a IUCN rebaixou o status dos numbatos de em perigo de extinção para quase vulnerável, embora os especialistas observem que seu alcance moderno representa apenas 0,04% do histórico, e a ameaça dos predadores persiste.
Extinção dos saculados australianos
A IUCN também designou o status de extinto a cinco espécies de saculados australianos (Bettongia haoucharae, Dasycercus cristicauda, D. archeri, D. woolleyae e D. marlowi), descobertas durante uma recente revisão taxonômica. Esses animais não foram vistos por zoólogos nos últimos 60 anos, presumivelmente vítimas de gatos e raposas. Assim, o número total de mamíferos australianos extintos por ação humana e predadores introduzidos ultrapassou 40 espécies, o maior índice em qualquer continente.
Ameaças aos moluscos hidrotermais
Moluscos endêmicos (gastrópodes, bivalves e chitons) que vivem perto de fontes hidrotermais causam preocupação. Uma nova avaliação da IUCN mostra que, dos 201 tipos conhecidos desses invertebrados, 125 (62%) estão ameaçados. A principal razão é a realização de trabalhos de prospecção e a mineração planejada de minerais duros no fundo do mar, o que leva à formação de uma pluma de sedimentos que impede a respiração e a absorção de nutrientes por esses organismos. A proteção é complicada pelo fato de muitos deles estarem fora da jurisdição de países individuais.
Ameaças climáticas e econômicas
Além das ameaças oceânicas, a necessidade de minerais e novas fontes de energia afeta também as espécies terrestres. Por exemplo, prevê-se que a população do brevíceps macrops africano — um pequeno sapo dos desertos da Namíbia e África do Sul — diminuirá em 20% em dez anos devido à expansão da extração de diamantes e à construção de infraestrutura para produção de hidrogênio. A isso somam-se o estresse térmico e as secas relacionados às mudanças climáticas. Consequentemente, o status de B. macrops foi elevado de quase vulnerável para vulnerável. A próxima atualização das listas da IUCN está programada para 19 de novembro de 2026.
Novas descobertas científicas
Outras descobertas científicas também foram apresentadas. Os ictiólogos descreveram pela primeira vez detalhadamente a reprodução do peixe-agulha vermelho, um peixe pouco estudado que habita ao longo da costa sul da Austrália. As observações mostraram que os machos incubam os ovos, e eles se fixam na parte ventral do corpo antes da abertura anal, o que é considerado um traço primitivo. Os pesquisadores esperam que esses dados ajudem a estabelecer as relações de parentesco desta espécie, e os resultados foram publicados no Journal of Fish Biology.