O balanço oficial mais recente indica que houve 600 óbitos devido ao Ebola, somando-se a um total de 1.759 casos confirmados desde o início da epidemia na República Democrática do Congo (RDCongo). Além disso, foram registrados dois mortes em 20 casos confirmados no país vizinho, Uganda.
Propagação acelerada da doença
O chefe de emergências do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), agência de saúde da União Africana, declarou que a epidemia de Ebola está se disseminando mais rapidamente do que qualquer surto anterior. Wessam Mankoula, responsável, afirmou em uma conferência de imprensa virtual que continuam enfrentando a epidemia de Ebola com a propagação mais veloz já registrada, não apenas entre os surtos do vírus Bundibugyo, mas entre todos os vírus causadores de Ebola.
Mankoula ressaltou que o vírus está se espalhando mais rápido do que a capacidade de resposta e mais velozmente do que os recursos mobilizados para conter a situação.
Novos focos fora do epicentro
Existem suspeitas de novos casos fora do ponto focal declarado em Ituri, datado de 15 de maio. O Governo da RDCongo informou na noite de quarta-feira sobre casos suspeitos de Ebola em províncias que antes não estavam afetadas. Segundo o Ministério da Saúde congolês, esses casos foram identificados nas províncias de Tshopo e Haut-Uele, indicando a continuidade da disseminação para além de Ituri.
O relatório mencionava dois novos casos suspeitos em Kisangani, na província de Tshopo. Um desses casos estava relacionado à área de saúde de Nia-Nia, na província de Ituri, onde os primeiros casos foram notificados, enquanto o segundo caso não apresentava ligação geográfica aparente com surtos conhecidos.
Contexto da crise sanitária
A RDCongo já vivenciou 17 epidemias e surtos de Ebola, mas atualmente não há vacina ou tratamento específico para o vírus Bundibugyo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) havia emitido um alerta em 19 de maio sobre a «escala e velocidade» da propagação na região leste da RDCongo. Por sua vez, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) expressou preocupação em meados de junho com as «lacunas perigosas» na resposta, que estava «progredindo mais rapidamente do que a resposta».
Este episódio configura-se como a terceira pior epidemia de Ebola na história, sendo superado apenas pela ocorrida na África Ocidental entre 2014 e 2016, que resultou em cerca de 11.000 mortes e 28.000 infectados, e por outra que afetou o leste da RDCongo entre 2018 e 2020, causando 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica severa, vômitos, diarreia e hemorragias internas.

