As cidades brasileiras começam a implementar radares equipados com Inteligência Artificial (IA) para fiscalizar infrações específicas, como o uso do cinto de segurança e o uso de celular ao dirigir, visto que os limites de velocidade já foram ajustados e não permitem mais reduções sem causar contradições urbanas.
Implementação dos radares inteligentes em São Paulo
Em São Paulo, este tipo de monitoramento já está ativo nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas. Após um período de testes e calibração que durou quase um mês, as novas câmeras de alta definição, munidas de IA e sensores infravermelhos, deixaram de ter caráter meramente educativo. Desde o começo de julho, as imagens capturadas pelo sistema passaram a fundamentar autuações reais emitidas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv).
Durante a fase de testes, ocorrida entre 12 de maio e 9 de junho, o algoritmo da concessionária SPMAR registrou a seriedade da situação, totalizando 4.879 infrações, o que representa uma média notável de 168,2 flagrantes diários. Destas, quase metade (49%) foi motivada pela falta de uso do cinto de segurança pelos condutores, e 30% referiu-se aos passageiros sem cinto. O uso de celular ao volante representou 21% das infrações, indicando que estes são os focos de fiscalização dos radares de IA.
Ao contrário dos radares de velocidade convencionais, que utilizam laços indutivos ou laser em pontos fixos, estas câmeras monitoram o tráfego de forma contínua, 24 horas por dia. O algoritmo escaneia o interior dos veículos e, ao identificar a ausência do cinto ou o motorista segurando o telefone, congela a imagem e dispara um alerta. É importante notar que a aplicação da multa não é automática; o material é encaminhado a uma central compartilhada, onde policiais rodoviários realizam a verificação humana de cada registro, confirmando se o enquadramento segue os critérios do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) antes de emitir a notificação.
Expansão da tecnologia de monitoramento
A tecnologia não se limita ao Rodoanel. Desde janeiro de 2026, o Sistema Anchieta-Imigrantes opera com este mesmo modelo de monitoramento analítico, fiscalizando velocidade, cinto e celular na descida em direção à Baixada Santista. O plano estabelecido pelas concessionárias e pelo governo estadual visa expandir progressivamente a fiscalização por IA para as principais rodovias paulistas, priorizando os trechos com maior volume de tráfego e histórico crítico de acidentes causados por distração.
Novidades do setor automotivo
No âmbito automotivo, o Dacia Striker surge como um precursor do futuro SUV cupê da Renault no Brasil. Diante da tendência de todos os veículos se tornarem SUVs no mercado brasileiro, espera-se que o próximo passo seja a expansão do nicho dos "SUV cupês", um segmento comprovadamente lucrativo por marcas como Volkswagen e Fiat. Embora o projeto inicial da Renault para um SUV médio acima do Kardian tivesse um formato de cupê, ele chegou ao mercado como Boreal, com silhueta tradicional de utilitário esportivo. No entanto, os planos para um modelo com teto inclinado foram retomados com a apresentação do Dacia Striker na Europa.
Construído sobre a plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform), que também serve de base para o Boreal e para a picape Niagara, o Striker é a versão romena para o segmento C-SUV cupê. Ele possui 4,62 metros de comprimento, sendo um pouco maior que o Bigster europeu e o próprio Boreal nacional (4,57 m). Este aumento dimensional está concentrado na parte traseira, uma necessidade de design para manter a proporção visual após o declive do teto e assegurar um porta-malas com capacidade de 600 litros.
Internamente, a arquitetura do Striker compartilha a estrutura do Boreal, apresentando um console central elevado para abrigar o freio de estacionamento eletrônico, os seletores de modo de condução e a alavanca de câmbio. Quando o modelo for nacionalizado pela marca francesa por volta de 2027 no Brasil, seu visual externo deixará a estética retilínea da Dacia em prol das linhas mais fluidas da Renault, alinhando-se à identidade estilística da Niagara. A engenharia mecânica do Striker europeu também antecipa o que a Renault planeja para o Brasil. Na Europa, a versão de ponta com tração integral utiliza um sistema e-AWD sem conexão mecânica entre os eixos: o motor 1.2 turbo de 140 cv move as rodas dianteiras, enquanto um motor elétrico independente de 31 cv auxilia o eixo traseiro sob demanda em condições de baixa aderência ou aceleração máxima. Para o mercado brasileiro, essa arquitetura eletrônica será adaptada ao motor 1.3 TCe Flex, combinando eletrificação leve de 48 volts na frente com o motor elétrico auxiliar no eixo traseiro para possibilitar a tração 4x4, com previsão de lançamento no país em 2027.
Descontinuação do Nissan Sentra no Brasil
O Nissan Sentra tem apresentado baixíssimas vendas recentemente; no primeiro semestre de 2026, foram emplacadas apenas 341 unidades no Brasil. Para contextualizar, o Toyota Corolla, líder absoluto entre os sedãs médios, registrou 13.021 vendas, enquanto o híbrido BYD King ficou em segundo lugar com 8.196 unidades. Dada essa performance, é evidente que o baixo desempenho comercial influenciou a decisão da fabricante de encerrar a produção do modelo três anos após o lançamento da geração atual.
Embora o Sentra seja considerado um carro atraente, bem equipado e competente, ele utilizava o mesmo motor da geração anterior: um 2.0 aspirado, movido apenas a gasolina, com injeção direta, produzindo 151 cv e 20 kgfm de torque, acoplado a uma caixa CVT com oito marchas simuladas. Apesar de este conjunto mecânico parecer datado em 2026, poderia ser um ponto de venda para quem prefere um estilo mais tradicional. Contudo, o sucessor já está em desenvolvimento e representa uma ruptura completa com o passado. Segundo a Autoesporte, trata-se do Nissan S7, um veículo elétrico desenvolvido em colaboração com a chinesa Dongfeng, que emprega um motor elétrico no eixo dianteiro, alimentado por uma bateria de 73 kWh. Com 272 cv e 30,5 kgfm de torque, ele consegue atingir 100 km/h em 7 segundos, com velocidade máxima limitada a 160 km/h.
Lançamento do Pagani Huayra 70 Derecho
Em celebração ao início do Goodwood Festival of Speed, a Pagani Automobili apresentou o Huayra 70 Derecho. Este é o segundo exemplar de uma série "few-off" (um tipo de edição limitada com mais de uma unidade) criada pela divisão Grandi Complicazioni para marcar o aniversário de 70 anos do fundador da marca. Diferentemente da tradição de nomear seus carros com nomes de ventos específicos, a escolha "Derecho" remete diretamente a um sistema de tempestades severas de deslocamento rápido e linear, o que a Pagani compara à entrega de força constante oferecida pelo supercarro.
O 70 Derecho se distingue pelo alto nível de acabamento técnico, que é uma marca registrada da empresa localizada em San Cesario sul Panaro. A carroceria apresenta um esquema bicolor em Laranja Pérola e Azul Inky. Na parte inferior e no monocoque central, o tom azul é totalmente translúcido, expondo o padrão em "espinha de peixe" da trama de fibra de carbono que constitui os painéis estruturais. Abaixo da pintura, a arquitetura combina um monocoque central feito de Carbo-Titânio HP62 G2 e Carbo-Triax HP62, com subchassis dianteiro e traseiro em aço cromoly, complementado externamente por peças de alumínio usinado em bloco e anodizadas em titânio brilhante, acabamento replicado nas novas rodas.
Sob o capô, encontra-se o icônico Pagani V12 de 60°, com 5.980 cc e dois turbocompressores, desenvolvido pela Mercedes-AMG. Nesta configuração, ele gera 864 cv a 6.000 rpm e 112,2 kgfm de torque, disponíveis entre 2.800 e 5.900 rpm. Toda essa potência é direcionada exclusivamente às rodas traseiras por meio de uma transmissão com diferencial eletromecânico autoblocante e gerenciada por um câmbio manual transversal de sete marchas, desenvolvido pela Xtrac, permitindo que o carro alcance sua velocidade máxima de 350 km/h (limitada eletronicamente, como é usual).
No interior, o trabalho artesanal une couro Branco Cerâmico (Ceramic White) e Azul Tricolore Blue com costuras personalizadas. O Laranja Pérola da carroceria aparece em pontos estratégicos de interação com o piloto, como a marca de "12 horas" no volante e a alavanca de câmbio. O fato de possuir uma alavanca com grade no console central, conectada a uma transmissão manual genuína – e não a um câmbio automático com marchas simuladas –, já confere ao Huayra 70 Derecho um caráter especial. O veículo também conta com suspensão independente por braços triangulares sobrepostos, equipada com balancins superiores, molas helicoidais e amortecedores eletrônicos ajustáveis e interligados. O contato com o asfalto é garantido por pneus Pirelli P Zero Trofeo R (265/30 R20 na frente e 355/25 R21 atrás), enquanto a frenagem é responsabilidade de um sistema Brembo CCM com quatro discos ventilados de carbono-cerâmica, medindo 398 mm na frente e 380 mm atrás.
O estilo elaborado e a precisão relojoeira aplicados a um supercarro podem não agradar a todos, mas transmitem uma personalidade inconfundível. Horacio Pagani reforçou a filosofia renascentista que guia o gerenciamento de seu ateliê. Ele declarou: "Nosso compromisso diário é dedicar a máxima atenção a cada detalhe, buscando nos aproximar daquela harmonia essencial entre forma e função, intelecto e artesanato, exatamente como Leonardo da Vinci nos ensinou. Poder apresentar a estreia mundial do Pagani Huayra 70 Derecho em Goodwood é um privilégio para nós: uma oportunidade de compartilhar os frutos deste trabalho com aqueles que compartilham do nosso mesmo profundo amor pelo automóvel".
Zenvo Aurora no Goodwood
Continuando o tema dos motores V12 e Goodwood, o Zenvo Aurora também participou do evento. Este é o hipercarro mais recente da fabricante dinamarquesa, que foi revelado há quase um ano com o objetivo ambicioso de apresentar o motor de 12 cilindros mais potente já instalado em um carro de rua. Agora, o Goodwood serviu de palco para a estreia de sua versão de produção.



