Um relatório revelou que aproximadamente 300 milhões de europeus, incluindo 100 milhões de crianças e idosos, foram expostos a concentrações de ozono consideradas nocivas entre os dias 21 e 28 de junho. Estes dados foram compilados a partir de medições realizadas em 162 estações de monitoramento de qualidade do ar espalhadas por toda a União Europeia.
Impacto da Poluição Atmosférica
A contaminação por ozono, intensificada pelo aumento das temperaturas, foi caracterizada como uma «ameaça invisível» por Flossie Boyd, representante da Global Witness, que compartilhou o estudo com a agência France-Presse. Este tipo de poluição está ligado a diversas doenças, variando desde a asma até danos nos tecidos pulmonares. Boyd enfatizou que as pessoas são forçadas a viver em circunstâncias perigosas devido à dependência de combustíveis fósseis.
Ozono e Ondas de Calor
O relatório foca-se na poluição por ozono como um fator adicional para avaliar os efeitos na saúde causados pela onda de calor de junho, que foi registrada como o mês mais quente da Europa Ocidental. Os impactos da alta temperatura não se restringem apenas a casos imediatos como insolação e desidratação; podem manifestar-se de forma indireta, resultando em problemas de saúde e óbitos detectados somente após vários dias.
Dados de Saúde e Emissões
De acordo com estimativas da Agência Europeia do Ambiente, a poluição atmosférica por ozono foi associada a 63.000 mortes em 2023, além de causar prejuízos milionários aos agricultores. Embora as atividades humanas não liberem ozono diretamente, este é formado por reações químicas no ar sob condições de alta temperatura e forte exposição solar, típicas das ondas de calor. Apesar da redução das emissões de dióxido de azoto nos últimos anos, a Global Witness critica o executivo europeu por demonstrar pouca vontade em reduzir as emissões de metano, outro componente vital.
Níveis de Exposição e Limites
A ONG ambiental aponta que 298 milhões de europeus foram expostos a níveis de ozono acima do limite recomendado pela UE, que é de 120 microgramas por metro cúbico (µg/m³) durante um período de oito horas. Contudo, ao aplicar os padrões mais estritos da Organização Mundial de Saúde (OMS), fixados em 100 µg/m³, a proporção de afetados aumenta para cerca de sete em cada oito habitantes. Além disso, 72 milhões de pessoas, ou aproximadamente um em cada seis, inalaram ar poluído com mais de 150 µg/m³, um patamar classificado como «particularmente perigoso».
Casos Locais e Metodologia
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo identificou níveis de ozono prejudiciais à saúde em Olivais (Lisboa) e em Alverca (Vila Franca de Xira) durante o fim de semana, com concentrações chegando a 180 µg/m³. Em Alverca, os picos atingiram 205 microgramas por metro cúbico entre as 15:00 e as 16:00 de sábado. A metodologia da Global Witness inclui modelagens do Copernicus, o observatório climático da UE, que não mede diretamente o ozono, introduzindo uma margem de incerteza. No entanto, alguns pesquisadores, como o climatologista britânico James Weber, acharam o relatório coerente com suas próprias observações.
Perspetivas Científicas
James Weber analisou dados de poluição por ozono no Reino Unido durante a última onda de calor e verificou que os níveis ultrapassaram os limites da OMS em mais da metade dos pontos de medição. Weber ressaltou que o ozono representa um problema adicional num momento em que a saúde já é afetada pela humidade e pelas temperaturas, sublinhando o papel das mudanças climáticas. Ele aconselhou que a poluição por ozono é mais um motivo para evitar sair de casa nos períodos mais quentes, especialmente para praticar exercícios.
