O presidente do Comitê de Assuntos de Governança Cooperativa e Assuntos Tradicionais, Dr. Zveli Mkhize, enfatizou que a decisão do Tesouro Nacional de congelar 13,5 bilhões de randes em transferências de quotas iguais para 69 municípios que cometeram infrações não pode ser vista isoladamente das outras questões identificadas durante as atividades de supervisão.
Contexto da Decisão do Tesouro
Dr. Mkhize falou à imprensa durante uma coletiva de imprensa dos comitês de supervisão do cluster de governança do Parlamento na quinta-feira. Ele abordou os resultados da auditoria nacional de 2024/25 e o controle conjunto das dificuldades financeiras e de gestão dos municípios. O Comitê acolhe a intenção do Tesouro de suspender as transferências de quotas iguais para os municípios que não cumpriram as normas financeiras e outros regulamentos de gestão financeira.
Ele pediu aos municípios afetados que 'cumpram prontamente as condições do Tesouro' para que os fundos possam ser liberados e as comunidades não enfrentem dificuldades adicionais devido a falhas na gestão e nas finanças. Estas condições referem-se ao cumprimento da legislação, à existência de planos de ação credíveis para eliminar despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras, bem como à aplicação de consequências por violações financeiras e de gestão.
Panorama Amplo de Responsabilidade
Mkhize observou que esta decisão não pode ser considerada isoladamente, pois faz parte de um quadro mais amplo de responsabilidade que tem sido levantado há muito tempo pelo Parlamento, pelo Auditor-Geral, pelo Tesouro, pela CoGTA, pelos governos provinciais e outras instituições. Muitos municípios afetados pelas decisões do Tesouro já passaram por comitês de supervisão da CoGTA, do Comitê Permanente de Contas Públicas e do Comitê Permanente do Auditor-Geral para controle conjunto.
Segundo Mkhize, os problemas refletidos nas intervenções do Tesouro coincidem com os mesmos problemas identificados repetidamente nos resultados de auditorias e atividades de supervisão. Estes incluem orçamentos não financiados, fraco controle, violações de compras, baixa arrecadação de receitas, altas perdas de água e eletricidade, despesas irregulares e ausência de sanções por faltas comprovadas.
Resultados da Auditoria Municipal
Ele também comentou o relatório consolidado geral sobre os resultados da auditoria local de autogoverno para 2024/25, apresentado pelo Auditor-Geral (A-G). O relatório confirma algum progresso, mas também demonstra o volume de problemas remanescentes para a transformação do governo. O Comitê está satisfeito com a redução no número de pareceres de auditoria com ressalvas. O número desses pareceres diminuiu para oito em 2024/25 em comparação com 29 em 2020/21, o que indica progresso, visto que um parecer com ressalva é o pior resultado de auditoria, significando que o A-G não conseguiu obter provas suficientes e confiáveis do uso de fundos públicos.
Mkhize também avaliou positivamente a taxa de 98% de envio oportuno de relatórios financeiros anuais, sublinhando que o envio oportuno não é apenas uma obrigação administrativa, mas um passo fundamental para a responsabilização que não pode ser ignorado.
Desafios Graves Persistentes
Apesar da melhoria em 72 municípios desde o ano fiscal de 2020/21, Mkhize insiste no reconhecimento honesto dos problemas graves persistentes. Por exemplo, 145 municípios, o que representa 57% dos municípios do país, mantêm o mesmo resultado de auditoria de 2020/21. Apenas 39 municípios obtiveram auditoria limpa, indicando que a boa gestão e a boa governança continuam sendo exceção, e não a regra.
O Comitê está particularmente preocupado com o retrocesso de 38 municípios desde 2020/21, incluindo aqueles que fornecem uma parte significativa do orçamento do autogoverno. Nenhum dos oito metrópoles obteve auditoria limpa em 2024/25, e o número de metrópoles com opinião qualificada aumentou de dois para cinco. A gravidade disso não pode ser subestimada, pois os metrópoles gerem grandes orçamentos na ordem de bilhões de randes e servem milhões de pessoas.
Responsabilidade Geral pelos Desvios
Na opinião do Dr. Zveli Mkhize, as falhas nos municípios raramente são eventos isolados; são, antes, falhas em toda a cadeia de responsabilidade. Quando os metrópoles enfrentam problemas de gestão e financeiros, as comunidades locais sofrem com a deterioração das estradas, acúmulo de buracos, má coleta de lixo, falhas em projetos de infraestrutura e abastecimento de água e eletricidade não confiável.
Embora municípios individuais possam não conseguir aplicar um controle financeiro adequado, os governos provinciais têm o dever constitucional de intervir e fornecer apoio. A responsabilidade está distribuída entre várias estruturas, incluindo tesourarias nacionais e provinciais responsáveis pela supervisão financeira, conselhos municipais, prefeitos, gestores, comitês de contas públicas e auditoria, bem como conselhos disciplinares.
Mkhize enfatizou particularmente que os líderes políticos em todos os níveis devem reconhecer que maus resultados de auditoria refletem diretamente sua própria liderança, e não podem ser explicados exclusivamente por questões administrativas ou incompetência de departamentos financeiros e diretores financeiros principais. Portanto, as recentes ações do Tesouro Nacional estão intimamente ligadas ao mandato mais amplo do Parlamento de supervisão. Ele acrescentou que eles continuarão a monitorar o cumprimento das condições pelos municípios afetados para proteger as comunidades.

