A retrospectiva de Bill Viola (1951–2024) foi inaugurada no Museu de Arte Moderna de Almaty (ALMA), um evento significativo, pois as obras deste pioneiro da arte de vídeo nunca haviam sido exibidas na Ásia Central. A exposição pessoal mais próxima da região foi em 2021, no Museu de Belas Artes de Pushkin em Moscou, que foi a primeira desse tipo na Rússia.
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Carreira Internacional do Artista
Ao longo de décadas, a atividade de exposição de um dos artistas de vídeo mais influentes do final do século XX e início do século XXI abrangeu as principais instituições de arte mundiais. Entre elas estavam o MoMA em Nova York (EUA), a National Gallery e a Tate Modern em Londres (Reino Unido), o museu Guggenheim em Bilbao (Espanha) e o Grand Palais em Paris (França).
Chegada ao Cazaquistão
O Cazaquistão conseguiu incluir seu nome na lista de locais do Almaty Museum of Arts, que começou suas operações em setembro do ano anterior. Inicialmente, os habitantes de Almaty e visitantes da cidade puderam ver a instalação original de Viola, 'Stations' (1994), adquirida pelos fundadores do museu, Nurlan e Madina Smagulov, para um dos quatro 'Salões de Artistas'. Nove meses depois, a equipe do ALMA apresentou ao público o primeiro projeto de exposição internacional — a retrospectiva 'Espaço do Tempo', dedicada à memória de Bill Viola, falecido em 2024.
Visão dos Criadores do Museu
Nurlan Smagulov, um dos criadores do museu, observou que o principal objetivo era realizar uma exposição internacional de alto nível em Almaty, enfatizando que Bill Viola é uma figura mundial. Ele relatou que a ideia da necessidade de encontrar a arte de vídeo mundial em Almaty surgiu após visitar sua exposição em Liège (Bélgica) em 2017. Smagulov expressou esperança de receber convidados da China, Azerbaijão, Rússia e Uzbequistão para ver as obras de Viola pessoalmente. Ele também salientou que a oportunidade de contato com a obra do artista reflete o conceito principal do museu — a integração do Cazaquistão no contexto artístico global, o que é importante para inspirar artistas locais e da Ásia Central.
Organização e Exposição
A exposição foi organizada pelo museu de Almaty com apoio financeiro do Halyk Bank e em parceria com a Bill Viola Studio, curada por Kira Perov, esposa do artista e colega. A exposição inclui 18 obras, variando de grandes instalações imersivas a instalações de vídeo mais íntimas, criadas pelo mestre no período de 1977 a 2013. Estas obras estão expostas no salão 'Ulydala', que possui tetos altos de 12 metros.
Criação do Espaço Imersivo
O grupo técnico conjunto do ALMA e da Bill Viola Studio montou, em 40 dias, um labirinto místico de corredores e 'salas-instalação' em uma área de mais de 1000 metros quadrados, chamados espaços liminares ou de transição. Dayana Vafina, coordenadora da exposição, explicou que tais zonas são necessárias para que os visitantes possam desacelerar e assimilar o que veem em sua jornada através do tempo. Vafina acrescentou que a interação com cada obra exige concentração e abertura, pois a exposição se desenvolve sequencialmente neste 'espaço do tempo'.
Aspectos Técnicos e Som
O processo de montagem foi complexo, exigindo o uso de diversos equipamentos para reprodução de vídeo, incluindo telas LCD, monitores CRT e painéis de projeção. Especialistas do laboratório 235 media da Alemanha fabricaram e instalaram partes de objetos esculturais, como 'Heaven and Earth' (Céu e Terra, 1992) e 'Incrementation' (Incrementação, 1996). A diversidade técnica demonstra a evolução das tecnologias de mídia ao longo de quase quarenta anos, mostrando como as instalações de vídeo de Viola se tornaram cada vez mais grandiosas, e a tela se transformou de uma superfície plana em um espaço volumoso, por vezes assustador.
Significado do Som e Ausência de Texto
A sonorização desempenha um papel fundamental: muitas instalações contêm seus próprios elementos sonoros — ruído de água, sussurros ou sons da natureza. Esta paleta sonora torna-se parte da arquitetura da exposição, conferindo-lhe uma atmosfera semelhante ao mundo dos sonhos. Uma característica distintiva das exposições de Viola é a ausência intencional de legendas explicativas, o que está de acordo com a posição do próprio artista e de seu estúdio. Viola, que estudou profundamente religiões e práticas espirituais, acreditava que a descrição limitava a compreensão, e para ele era mais importante transmitir a experiência no nível dos sentimentos.
Filosofia da Criação de Viola
Na opinião do artista, a experiência é uma forma de conhecimento, e ele oferece ao espectador a oportunidade de fazer suas próprias descobertas. Os temas principais abordados por Viola incluem vida e morte, autoconsciência, renascimento, a natureza do tempo e as emoções humanas. O artista insistiu na autenticidade do material transmitido, afirmando que ele não substitui a verdadeira experiência por um espetáculo impressionante. Por exemplo, para criar a instalação 'Woman in Fire' (Mulher no Fogo, 2005), foi construída uma piscina no hangar na qual uma mulher caía, cercada por uma parede real de fogo.
Autorretrato e Legado da Clássica
Em trabalhos iniciais, Viola frequentemente retratava membros de sua família. A instalação 'Incrementation' (Incrementação, 1996) é vista como uma espécie de autorretrato: uma imagem preto e branco do artista é exibida na parede, e ao lado há um contador vermelho registrando cada uma de suas inspirações. No momento da inauguração da exposição, o contador havia ultrapassado 4 milhões, o que é comparável ao número aproximado de respirações de um ser humano em 85 anos de vida. Embora Viola tenha falecido aos 73 anos, sua versão digital continua a 'respirar'. Ao buscar significado, Viola recorria à história da arte, vendo nela uma continuação das tradições da pintura clássica, que ele chamava de 'grande tradição oculta'. Em entrevista ao curador John J. Hanhardt, ele observou que o movimento da consciência é o verdadeiro tema das pinturas dos mestres antigos, e a pintura poderia ter semelhanças com o zen.
Influência da Água e Conclusão da Exposição
A instalação audiovisual 'The Greeting' (Saudação, 1995) é um exemplo claro de adesão às tradições do maneirismo, em particular a pintura de Jacopo Pontormo. Usando a técnica de movimento lento, Viola torna o momento tangível e eterno. A água também desempenha um papel importante em seus trabalhos, ajudando a visualizar o espaço atrás da tela. Para Viola, a água não é apenas uma técnica, mas um elemento primário, simbolizando purificação, nascimento e passagem. Esta exposição pode ser vivenciada no Almaty Museum of Arts até 17 de janeiro de 2027.