A Associação Sul-Africana de Médicos (SAMA) declarou que a investigação do ombudsman sobre a morte de seis profissionais de saúde na província de KwaZulu-Natal deve servir como um sinal de alerta para o sistema de saúde público do país.
Conclusões da Investigação
O ombudsman concluiu que não há ligação direta entre as mortes dos especialistas e assédio no local de trabalho, perseguição ou más condições de trabalho. No entanto, a Associação informou na quarta-feira que o relatório revelou um sistema de saúde sob enorme pressão.
Profissionais Afetados
Cinco médicos e um radiologista faleceram entre 2024 e 2025. Circulavam nas redes sociais alegações de que suas mortes foram causadas por condições de trabalho brutais e assédio em hospitais públicos da província. Entre os falecidos estavam o médico interno Aluluto Mazvi, de 25 anos, do Prince Mshiyeni Memorial Hospital; o Dr. Tumelo Kgaladi, de 31 anos, do Addington Hospital; e o radiologista Mvelo Sele do Port Shepstone Hospital. As outras vítimas foram o Dr. Siyabonga Zulu do Ngvelezane Hospital, o Dr. SI Ngidi do Benedictine Hospital e o Dr. Francis Idika do Vryheid Hospital.
Detalhes dos Casos Individuais
A repercussão pública começou após a morte de Mazvi em maio de 2024, quando surgiram relatos de que ele desmaiou durante o plantão depois que seu supervisor o forçou a trabalhar estando doente. O ombudsman refutou essas alegações, determinando que eram fabricadas. Mazvi adoeceu gravemente na residência médica devido a complicações de diabetes descontrolado.
O Professor Taole Mokoe, ombudsman de saúde, apresentou o relatório na quarta-feira após uma investigação conjunta com a Comissão de Serviço Público. A verificação foi iniciada após reclamações do Ministro da Saúde Aaron Motsoaledi e da ex-presidente do comité parlamentar de saúde Sibongiseni Dhlomo.
Problemas Sistêmicos no Sistema
Motsoaledi observou na cerimônia de lançamento do relatório que estava perplexo com a série de mortes ocorrendo consecutivamente em uma única província. A SAMA enfatizou que, embora os hospitais tenham sido absolvidos, o sistema permanece em péssimo estado. O presidente da SAMA, Dr. Mvuyisi Mzukwa, afirmou que, embora os médicos não tenham morrido devido às condições de trabalho, milhares de profissionais de saúde continuam a trabalhar em condições que simplesmente não podem ser sustentáveis.
Ele apontou que a investigação expôs as dificuldades diárias enfrentadas pelos trabalhadores da área da saúde. Estas incluem escassez crônica de pessoal, cargos vagos congelados, aumento da carga de trabalho e escassez de equipamentos médicos vitais. A deterioração da infraestrutura, programas insuficientes de bem-estar dos funcionários, problemas de segurança e sérias restrições orçamentárias agravam a tensão.
Pressão sobre Jovens Especialistas
A Associação ficou particularmente preocupada com a conclusão do relatório de que muitos médicos internos sentiam pressão para não tirar folgas. Isso ocorria por medo de prolongar seus estágios de treinamento ou criar uma carga adicional para colegas já sobrecarregados. Mzukwa salientou: «Nenhum médico jamais deve sentir que cuidar da própria saúde é feito em detrimento dos pacientes ou colegas». Ele acrescentou que «um sistema de saúde que faz seus médicos se sentirem incapazes de serem pacientes também está sob grande pressão».
Conclusão e Requisitos
Em relação aos casos individuais, o ombudsman descobriu que Mazvi nunca foi encaminhado para um programa de assistência ao funcionário, embora o hospital soubesse sobre sua doença crônica. Kgaladi morreu em sua residência fora do plantão; a causa de sua morte ainda está sob investigação médico-legal e policial da SAPS. O ombudsman determinou que ele tinha um histórico de depressão que não havia sido relatado no início do estágio e que não passou pela avaliação médica prévia necessária, fazendo com que suas necessidades de saúde mental nunca fossem identificadas. Sele faleceu de parada cardíaca durante o plantão, e Zulu em um acidente de carro fora do plantão. Idika morreu de causas naturais após uma ruptura aórtica, o que refutou as alegações de que o assédio no trabalho o levou ao suicídio. Ngidi, médico de clínica geral, cometeu suicídio fora do plantão.
Mokoe afirmou que as conclusões não significam que o sistema de saúde esteja livre de sérios problemas. Ele declarou: «O sistema não conseguirá cuidar eficazmente dos pacientes se não conseguir apoiar adequadamente aqueles que prestam cuidados médicos».
As recomendações do relatório incluem o fortalecimento dos programas de bem-estar dos funcionários, a melhoria dos sistemas de apoio ao pessoal e a resolução de problemas de segurança. Essas recomendações serão transmitidas à Autoridade de Conformidade de Saúde para monitoramento. A SAMA confirmou que as descobertas confirmam suas preocupações constantes sobre as condições de trabalho deteriorantes dos médicos. A Associação apelou para que os órgãos nacionais e provinciais de saúde vão além do simples reconhecimento dos problemas e implementem urgentemente as recomendações. Mzukwa insistiu: «Este relatório não pode se tornar mais um documento empoeirado. Cada recomendação deve ser apoiada por planos de implementação claros, prazos mensuráveis e responsabilidade».
A Associação também exigiu o preenchimento urgente de vagas críticas, o fortalecimento do planejamento de força de trabalho e o financiamento adequado dos programas de bem-estar, bem como a melhoria da segurança no local de trabalho e investimentos sustentáveis no serviço de saúde pública.
