A ilha cubana enfrenta uma séria crise energética desde meados de 2024, uma situação que foi intensificada em janeiro devido ao embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos da América (EUA). As Nações Unidas consideram essa medida contrária ao direito internacional.
Causas da Crise Energética
Esta crise está intrinsecamente ligada à operação de centrais termoelétricas antigas, que carecem dos investimentos necessários e, por isso, apresentam falhas constantes nas unidades geradoras. Na terça-feira, foi registrada a terceira vez em uma semana e a quinta desde o início do ano que o Sistema Elétrico Nacional (SEN) sofreu uma desconexão total.
Impactos e Situação Atual
Após a reconexão do SEN, os cortes de energia afetaram até 72% do território cubano no horário de pico nesta semana. Em Havana, os apagões excederam 24 horas, enquanto nas províncias, duraram até dois dias consecutivos. Atualmente, oito das dezasseis unidades de geração termoelétrica do país estão inoperantes devido a manutenções ou avarias.
Fontes de Energia e Dependências
A fonte termoelétrica, que responde por 40% da energia, utiliza petróleo bruto nacional e não é impactada pelo bloqueio. Outros 40% dependem de motores de geração que requerem diesel e fuelóleo importados. Os 20% restantes são supridos por gás e fontes renováveis, beneficiando-se recentemente do incentivo à energia solar com suporte chinês.
Reconhecimento Governamental e Necessidades
O Governo cubano admite que a condição do SEN da ilha é «grave, crítica e extremamente tensa», sendo agravada tanto pelo embargo dos EUA quanto pela obsolescência do sistema energético. Estima-se que a ilha caribenha precise de pouco mais de 100.000 barris de petróleo diariamente, sendo que aproximadamente 40.000 são produzidos internamente.
Suprimento Internacional e Economia
O último navio petroleiro estrangeiro a chegar a Cuba transportou petróleo russo, comandado por Anatoli Kolodkin. Este navio atracou na baía de Matanzas em 31 de março, trazendo cerca de 730.000 barris, quantidade insuficiente para suprir a demanda energética por mais de duas semanas em abril passado. A crise energética paralisou quase completamente a economia estatal, que projeta uma contração mínima de 6,5% neste ano, após ter caído mais de 15% nos cinco anos precedentes.