A Comissão Europeia convidou todas as partes interessadas a apresentar seus comentários sobre as obrigações propostas pela Sanofi. Estas obrigações visam resolver problemas de concorrência surgidos devido a uma campanha de comunicação que poderia ter afetado negativamente a única vacina concorrente contra a gripe recomendada para pacientes vulneráveis com fatores de risco.
Investigação das atividades da Sanofi
O foco está na investigação de Bruxelas, que verifica se a Sanofi promoveu uma campanha entre profissionais de saúde desde 2024. Esta campanha poderia ter prejudicado a vacina Fluad, produzida pela CSL Seqirus, pois a empresa insinuava que a base científica do Fluad era inferior à da vacina Efluelda, fabricada pela empresa francesa.
Alegação de distorção de informações
De acordo com o órgão executivo da UE, a Sanofi poderia ter disseminado informações que 'sugeriam que a base de evidências do Fluad era mais fraca do que a de Efluelda'. Isto contradiz as avaliações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, bem como dos grupos técnicos nacionais de vacinação da Alemanha e da França.
Além disso, Bruxelas observou que a empresa poderia ter 'apresentado incorretamente as recomendações nacionais de vacinação' e alegado que a recomendação do Fluad na Alemanha ainda estava sujeita a 'objeções científicas não resolvidas' por parte das sociedades médicas.
Posição de domínio e obrigações
Na avaliação preliminar, a Comissão Europeia considera que a Sanofi pode deter uma posição dominante nos mercados de vacinas contra a gripe reforçadas na Alemanha e na França, e que este comportamento pode constituir um abuso dessa posição em violação das regras gerais.
Para dissipar as preocupações, a Sanofi propôs publicar declarações em seus sites alemães e franceses durante dois anos, reconhecendo as avaliações dos órgãos técnicos. Na Alemanha, a empresa assumiu o compromisso de esclarecer que o grupo técnico nacional de vacinação concluiu que 'Efluelda e Fluad possuem ambas bases de evidências sólidas', e que ambas as vacinas foram recomendadas de forma equivalente para idosos.
Limitação da comunicação
A empresa farmacêutica também propôs limitar a comunicação com os profissionais de saúde, prometendo não 'criticar, questionar ou contradizer' as recomendações nacionais de vacinação, nem apresentar o Fluad de forma negativa ou sugerir vantagens do Efluelda sem o apoio de informações aprovadas pelas autoridades de saúde ou estudos comparativos adequados. Estas obrigações da Sanofi vigorarão até março de 2030 e serão supervisionadas por um fiscal independente.
A Comissão Europeia receberá os comentários das partes interessadas até 21 de agosto. Se considerar as medidas propostas suficientes, Bruxelas poderá torná-las juridicamente vinculativas.