Pesquisadores britânicos e suíços realizaram uma análise de fragmentos de proteínas preservados em antigos vasos de bronze chineses. Durante esta análise, foram identificados biomarcadores característicos de gengibre e fungo bolor em um dos artefatos. Estas descobertas sugerem que o recipiente continha uma bebida alcoólica produzida há aproximadamente três mil anos.
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Contexto Histórico do Álcool
A produção de bebidas alcoólicas começou na antiguidade profunda. Dados arqueológicos indicam que representantes da cultura arqueológica Natufiana no Oriente Médio, durante o Paleolítico Superior, já sabiam produzir cerveja. Isso é evidenciado por achados na caverna de Qafzeh, em Israel, onde foram encontradas sobras de grãos processados há cerca de 13.700 a 11.700 anos. No entanto, a ampla disseminação dessas bebidas provavelmente ocorreu com os agricultores durante o Neolítico.
Primeiros Sinais na China
Os primeiros sinais de produção de álcool no território da China moderna datam do Neolítico inicial. Recentemente, foi estabelecido que os habitantes pré-históricos na bacia do Rio Yangtze fabricavam cerveja de arroz há cerca de dez mil anos. As primeiras provas da produção de álcool são apresentadas por restos de plantas fermentadas, identificadas por microscopia, bem como por biomarcadores específicos determinados por métodos químicos.
Estudo dos Vasos de Bronze
No âmbito de um novo projeto, cientistas do Reino Unido e da Suíça, liderados por Luciana da Costa Carvalho da Universidade de Oxford, concentraram-se em achados de um período posterior ao Neolítico. Eles estudaram oito antigos vasos de bronze chineses, que possivelmente foram usados para fins rituais. Esses artefatos estão no Museu Rietberg em Zurique e foram obtidos através de comerciantes de antiguidades, e não de arqueólogos, o que torna sua origem exata incerta. No entanto, pelas características dos objetos, os cientistas determinaram que pertencem aos períodos das dinastias Shang (aproximadamente 1500–1046 a.C.) e Zhou primitiva (aproximadamente 1046–978 a.C.).
Resultados da Análise Laboratorial
O objetivo do estudo era determinar a presença de biomarcadores específicos nos vasos, apesar das camadas de corrosão interna, visto que, segundo os especialistas, esses itens não passaram por restauração ou conservação após chegarem ao museu. Especialistas da Universidade de Oxford descobriram vestígios prováveis de uma bebida alcoólica em um dos vasos. Esses resíduos incluíam proteínas do fungo bolor Monascus purpureus e do gengibre medicinal (Zingiber officinale), bem como traços semelhantes a ovo de pássaro, embora haja a possibilidade de que estes últimos sejam resultado de contaminação posterior.
Conclusões sobre Uso Ritual
Anteriormente, evidências antigas do uso de gengibre e fungos bolor eram encontradas apenas na análise microscópica de restos vegetais em cerâmica, bem como em fontes escritas antigas, onde o gengibre é mencionado como ingrediente para bebidas. Com base nisso, os pesquisadores concluíram que o vaso tipo 'hu' do final da dinastia Shang provavelmente continha uma bebida alcoólica, destinada possivelmente a rituais.
Outras Descobertas na China
Periodicamentes, restos líquidos de álcool são preservados em vasos antigos. Por exemplo, recentemente foi encontrada uma substância que se assemelha a cerveja de trigo não filtrada em um túmulo de um oficial militar chinês que viveu há mais de dois mil anos.
Sepultamentos na Lituânia
Vale notar o estudo de restos de um raro enterro coletivo da Idade do Ferro encontrado na Lituânia. Em 1990, arqueólogos descobriram seis esqueletos, cuja idade é estimada entre o final do século VIII e o início do século X d.C. A análise genética mostrou que os indivíduos tinham origem local, incluindo laços de parentesco. Foi determinado que os ossos de três pessoas apresentavam traumas pré-morte, incluindo uma vértebra cervical cortada, o que indica decapitação. Uma hipótese dos pesquisadores liga este enterro às invasões vikings, conforme relatado no Journal of Archaeological Science: Reports.