A decisão do Ministério Nacional das Finanças sobre a suspensão temporária do financiamento de subsídios para Joanesburgo colocou sob escrutínio a gestão dos fluxos financeiros da maior economia urbana da África do Sul. A cidade contribui com quase 16% do Produto Interno Bruto da África do Sul e cerca de 40% da economia de Gauteng, sendo o maior centro de produção econômica do país, cuja economia é baseada em serviços financeiros e comerciais, comércio varejista e atacadista, serviços públicos e sociais, bem como na produção.
Razões para a Suspensão do Financiamento
O Ministério Nacional das Finanças reteve parte da alocação destinada a Joanesburgo esta semana após descobrir que a cidade não estava cumprindo as disposições da Lei de Gestão de Finanças Municipais (MFMA). A prefeita executiva Dada Morelo observou que Joanesburgo é o coração econômico do país e, embora existam problemas, eles são superáveis, enfatizando a necessidade de implementar disciplina, transparência e responsabilidade.
Condições para Retomar o Apoio
O Ministério das Finanças declarou que os fundos só serão liberados depois que a cidade demonstrar um orçamento financiado, um plano convincente de recuperação financeira, acordos de pagamento com grandes credores, como Eskom e Rand Water, e medidas para eliminar despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras. Morelo respondeu que a cidade trabalhou com o Ministério das Finanças através de estruturas intergovernamentais e recebeu confirmação do financiamento do orçamento de Joanesburgo para 2026/27, o que, segundo ela, acalma, pois confirma a ausência de estado de crise na gestão financeira, embora mais esforços sejam necessários para gerenciar fluxos de caixa e indicadores de receita.
Problemas de Despesas e Dívidas
O gestor financeiro alertou repetidamente que o não cumprimento contínuo da MFMA ameaça não apenas as finanças municipais, mas também a estabilidade financeira dos fornecedores de serviços públicos, como Eskom e companhias de água. Ele também ligou a má gestão financeira à deterioração da qualidade dos serviços prestados, ao aumento da dívida e ao aumento de despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras. Os relatórios mais recentes do Auditor-Geral confirmam essas preocupações: desde o ano fiscal de 2021/22, os municípios incorreram em 145,21 bilhões de despesas iniciais, 24,12 bilhões de despesas infrutíferas e desperdiçadoras, e 118,13 bilhões de despesas não autorizadas. Quase metade dos municípios adotou orçamentos não pagos em 2024/25, enquanto os municípios devem 3,4 bilhões à Eskom em juros e 1,21 bilhão às companhias de água.
Situação da City Power
O relatório do Auditor-Geral de 2024/25 mostrou que a City Power incorreu em 11,8 bilhões de despesas iniciais desde 2021/22. O relatório observou que 77% dos 73,9 bilhões de despesas iniciais incorridas pelos municípios e suas estruturas estão relacionados ao não cumprimento da legislação de compras e gestão de contratos. Morelo admitiu que o excesso de gastos da City Power na compra de eletricidade se tornou o principal fator das novas despesas não autorizadas, totalizando 2,1 bilhões até o final do terceiro trimestre, ao mesmo tempo que observou que os sistemas de faturamento e recebimento da cidade ainda precisam ser modernizados.
Planos da Cidade e Reação Pública
A prefeita acrescentou que Rand Water e Eskom serão pagos até meados de julho, e a estratégia da cidade para reduzir despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras foi ajustada de acordo com as recomendações do Ministério das Finanças. Foi mencionado que 1,8 bilhão de despesas históricas já foram legalizadas através de processos de gestão, e outros 6,4 bilhões estão sob análise dos conselhos municipais. A cidade planeja continuar a reservar financiamento para serviços essenciais, ao mesmo tempo em que investe em infraestrutura, incluindo um projeto no valor de 200 milhões de euros (cerca de 3,8 bilhões de rand sul-africanos) do banco de desenvolvimento alemão KfW para a infraestrutura da City Power e cerca de 1,75 bilhão em despesas de capital para a Johannesburg Water. Morelo enfatizou que a prioridade continua sendo a prestação de serviços, e os fundos obtidos através da melhoria da cobrança e controle de custos são direcionados para proteger os serviços de abastecimento de água, fornecimento de energia, gestão de resíduos e segurança pública.
Exigências da Sociedade Civil
A organização de combate ao abuso fiscal (Organisation Undoing Tax Abuse, OUTA) saudou a decisão do Ministério das Finanças de congelar o financiamento, mas questionou o cumprimento das obrigações assumidas pela cidade. O chefe da OUTA, Wayne Duvenage, afirmou que os moradores de Joanesburgo ouviram promessas semelhantes por muitos anos, enquanto a qualidade dos serviços continuava a cair e a situação financeira da cidade piorava. A OUTA pediu enfaticamente ao Ministério das Finanças que não liberasse os fundos congelados até que fosse convencido de que Joanesburgo demonstrou conformidade genuína com as condições estabelecidas e implementou reformas financeiras de longo prazo.

