De acordo com uma nova pesquisa realizada pelo Bureau for Economic Research (BER), a África do Sul não conseguirá reduzir o nível de desemprego sem implementar as transformações estruturais necessárias.
O problema do emprego no país
Economistas do BER, Helanya Fury e Claire Bissaker, observaram que apenas um quarto da população adulta em idade ativa tem emprego na África do Sul. Eles enfatizaram que, embora um crescimento econômico mais rápido seja uma solução óbvia, o crescimento por si só não resolverá o problema do desemprego na escala necessária se as reformas adequadas não forem implementadas.
A taxa de desemprego na África do Sul ultrapassa 20% desde o início dos anos 90, o que, na opinião dos autores, é quase sem precedentes para um país que evitou guerras ou colapso econômico. Décadas de baixa escolaridade para a maioria da população e um modelo econômico cada vez mais dependente de capital e habilidades são algumas das razões que excluíram uma parte significativa da força de trabalho da economia moderna.
Limitações do crescimento e dinâmica setorial
O relatório mostrou que a aceleração do crescimento realmente contribui para a redução do desemprego. Por exemplo, entre 2001 e 2008, a economia cresceu a uma taxa de 3% a 5% anualmente, e a taxa oficial de desemprego caiu de 30,3% para 22,5%. No entanto, mesmo durante esse boom, o desemprego nunca caiu abaixo de 22%, pois o crescimento ajudou a eliminar problemas cíclicos, mas não resolveu questões estruturais profundas.
A modelagem do BER demonstra que, com um crescimento econômico de 3% até 2030, serão criados 2,4 milhões de empregos, em comparação com 1,4 milhão se as taxas de crescimento permanecerem em cerca de 1%. No entanto, considerando que mais de oito milhões de pessoas estão oficialmente desempregadas, mesmo um crescimento de 3% não permitirá erradicar completamente o déficit de empregos. Os dados da Pesquisa de Emprego do Stats SA, publicados na semana passada, revelam o quadro desse problema.
Tendências na indústria e serviços
A análise de 15 anos revelou uma clara divisão: a maioria dos setores de serviços demonstrou forte crescimento na década anterior e continuou a criar empregos, enquanto os setores secundários, principalmente mineração e manufatura, permaneceram praticamente estagnados. Os autores observam que parte disso é uma evolução natural de economias maduras, quando a atividade se desloca das fábricas e minas para o setor de serviços.
O relatório também chamou a atenção para dois pontos preocupantes para a África do Sul. Primeiro, a mineração, que poderia ser uma fonte importante de empregos, contratava menos pessoas no primeiro trimestre de 2026 do que no início de 2010, apesar dos preços estáveis das commodities. Segundo, mesmo os setores de serviços, que impulsionaram a criação de empregos até 2020, praticamente não adicionaram novos empregos desde a recuperação da pandemia de COVID-19.
Causas da desaceleração da produção
A desaceleração da produção é vista como um exemplo claro de problemas sistêmicos. Sua queda é devida a uma combinação de demanda global fraca, falta de confiabilidade dos serviços municipais e custos crescentes de matérias-primas devido a falhas na infraestrutura de rede de energia, portos e ferrovias. Esses fatores, agravados por barreiras regulatórias, minaram a confiança e desencadearam um ciclo vicioso de baixa atividade de investimento, baixo crescimento e baixo emprego.
Recomendações e papel das reformas
Essas tendências fornecem um contexto importante para a nova Estratégia de Desenvolvimento Industrial do governo. A estratégia define as principais limitações, coloca a eletricidade acessível e portos e ferrovias funcionais no centro das atenções, promete reduzir a burocracia através da operação 'Vulindlela' e adota o mesmo objetivo de crescimento de 3%. No entanto, ela também se baseia nos 'caminhos' e incentivos alvo escolhidos.
O BER acrescentou que a operação 'Vulindlela' está eliminando gradualmente muitos obstáculos econômicos que restringem o investimento, o que deve aumentar a resposta do emprego ao crescimento. Ao mesmo tempo, destaca-se que as reformas estruturais levam tempo, e outras medidas podem ser tomadas paralelamente. Entre essas medidas está o problema persistente da burocracia: os entraves regulatórios aumentam os custos de conformidade, podem suprimir o empreendedorismo e impedir que as empresas invistam, expandam e contratem pessoal. No entanto, grande parte desses problemas pode ser resolvida com uma simples decisão administrativa.
O relatório cita a Avaliação Econômica da OCDE para 2025, que observa que a regulamentação de produtos e mercados na África do Sul é uma das mais restritivas entre os países do G20 e da OCDE. A organização pede ao governo que faça da simplificação de licenças e permissões uma prioridade nacional, apontando o fardo administrativo para as empresas locais.
Em conclusão, o estudo conclui que um crescimento mais forte do emprego depende não apenas de mudanças estruturais de longo prazo, mas também da redução dos obstáculos diários que travam os negócios e a contratação. Como o ponto de partida da África do Sul é muito restritivo, liberar as empresas para operar pode ter um impacto significativo no crescimento, eficiência e emprego. Além disso, pequenas e microempresas informais, que deveriam ter potencial para absorver grande parte da mão de obra, carregam o maior fardo da má infraestrutura, burocracia e prestação de serviços deficiente.


