Um trabalhador de corte de grama de Kraaifontein enfrentou a ameaça de seu sustento após um ataque ocorrido durante protestos recentes contra a imigração ilegal em Bloekkombosch. Seu veículo foi danificado, o que impossibilitou a compra de alimentos.
Descrição do Incidente
Bonafi Shakeka, 60 anos, relatou que seu dia começou normalmente na terça-feira, 30 de junho. Ele deixou sua casa em Bloekkombosch por volta das 6 da manhã para ir trabalhar em Welgemoeed, sem saber dos problemas que viriam ao retornar.
Este dia coincidiu com o prazo final estabelecido pelo movimento March and March e grupos afiliados, que pediam que estrangeiros ilegais deixassem a África do Sul. Shakeka observou que as estradas estavam tranquilas quando ele ia para o trabalho pela manhã.
Ataque na Estrada
No entanto, quando retornou para casa por volta das 17h, entrou em uma área onde um grupo predominantemente de jovens estava, supostamente, atirando pedras em veículos que passavam perto de um cruzamento perto da escola secundária de Bloekkombosch. Shakeka recorda-se: «Eu passei pelo primeiro cruzamento e vi um veículo policial. Tudo parecia calmo. Quando cheguei ao segundo cruzamento, ouvi de repente uma pedra atingir meu bakkie. Um táxi atrás de mim passou. Acho que o motorista percebeu que as pessoas estavam atirando pedras e decidiu não parar».
Shakeka acredita que a decisão de desviar para a berma de cascalho perto da escola secundária foi um erro. O grupo se aproximou de seu carro e atirou pedras nele repetidamente até que um jovem empresário local interviesse e acalmasse a multidão. Como resultado do incidente, ele sofreu contusões na boca e inchaço na cabeça.
Consequências e Reação
Ele enfatizou que se esse jovem não o tivesse ajudado, ele não estaria falando sobre isso hoje. Shakeka acrescentou que não entende os motivos do ataque, pois ninguém proibiu as pessoas de ir trabalhar. Ele gastou suas últimas economias no conserto do carro na oficina mecânica, o que custou R 6.200 para reparo do para-brisa e janelas.
Shakeka informou que esgotou suas economias antes de conseguir reparar os faróis danificados e os amassados no carro, e não registrou boletim de ocorrência na polícia. «Agora vamos viver sem comida em casa porque gastei todas as minhas economias. Se nenhum cliente me ligar, não haverá trabalho, porque eu sou um cortador de grama. Estou esperando que as pessoas me liguem quando precisarem dos meus serviços», declarou ele.
Comentários das Autoridades Locais
A líder comunitária de Bloekkombosch, Linda Phito, informou que vários motoristas relataram danos aos seus veículos devido a incidentes de lançamento de pedras naquele dia. Ela expressou profunda preocupação com o fato de Kraaifontein estar se tornando um lugar associado à violência e criminalidade, especialmente cometida por crianças. Phito pediu que os adultos parassem de usar crianças para cometer crimes, pois elas devem ser os futuros líderes.
Phito exigiu um aumento da presença das forças policiais, aconselhando as autoridades a considerar o acompanhamento de motoristas em caso de futuras manifestações. Ela mencionou ter ouvido falar de planos do March and March de realizar protestos semanais às quintas-feiras, portanto, as forças policiais devem estar preparadas.
Posição da Cidade
Enquanto isso, a Cidade do Cabo declarou que não houve incidentes graves relacionados aos protestos contra a imigração ilegal. Em um comunicado emitido na quarta-feira, 1º de julho, J.P. Smith, membro do comitê do prefeito de segurança e ordem pública, informou que as forças policiais responderam a vários incidentes criminais envolvendo empresas de estrangeiros em Delft, Gugulethu, Hanover Park e Mfuleni. Smith observou que foram casos isolados e, graças à rápida resposta das forças policiais, foram feitas pelo menos 13 prisões por violência pública e dano intencional à propriedade.

