O novo projeto, implementado pelo consórcio, visa prestar assistência às comunidades afetadas por conflitos e deslocamento na província norte de Moçambique. Este consórcio reúne a Johanniter International Assistance, Ayuda en Acción (AeA), Acted e Associação Moçambicana para a Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP Moçambique).
Financiamento e direções do projeto
De acordo com um comunicado publicado pela Johanniter International Assistance em nome dos parceiros, o projeto é cofinanciado pela Ajuda Humanitária da União Europeia. Ele prevê intervenções nas áreas de saúde, alimentação, proteção e assistência financeira ao longo dos próximos doze meses. O componente de educação em emergências será implementado até 2027.
Geografia e escala das necessidades
O programa será realizado nos distritos de Mosingboa-da-Praia e Mecufi, que são algumas das zonas mais afetadas pelo conflito armado e deslocamento populacional no norte do país. Mais de oito anos após o início da insurgência armada em Cabo Delgado, as necessidades humanitárias permanecem elevadas; estima-se que cerca de 1,1 milhão de pessoas necessitem de ajuda no norte de Moçambique, incluindo 919.000 residentes nas áreas mais afetadas pelo conflito nesta província.
Apelos e objetivos do consórcio
O consórcio alerta que o financiamento humanitário continua criticamente insuficiente, observando que menos da metade das pessoas necessitadas recebeu apoio no âmbito dos esforços atuais. Esta situação priva milhares de famílias de acesso adequado a cuidados médicos, alimentos, educação e serviços de proteção. Morris Kolubah, diretor da Johanniter em Moçambique, afirmou que, face ao conflito contínuo, deslocamentos e choques climáticos em Cabo Delgado, o seu consórcio procura restaurar assistência vital em saúde, alimentação, proteção, educação e apoio financeiro aos grupos mais vulneráveis, garantindo dignidade, inclusão e cuidado.
Lançamento e parceria
A iniciativa foi oficialmente lançada num seminário de três dias em maio, onde os membros do consórcio definiram mecanismos de coordenação e distribuição de responsabilidades de implementação. Seguiram-se cerimónias de lançamento a nível provincial e distrital, realizadas em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), autoridades provinciais e administrações de Mosingboa-da-Praia e Mecufi. Birgit Holm, diretora executiva da ADPP Moçambique, sublinhou que tal parceria demonstra o valor da união de organizações internacionais e nacionais, cada uma contribuindo com experiência única para garantir uma resposta humanitária abrangente.
Contexto do conflito em Cabo Delgado
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, tem sido alvo de ataques armados desde outubro de 2017, quando ocorreu o primeiro ato de atividade insurgente em Mosingboa-da-Praia. De acordo com dados da ACLED, foram registados 11 incidentes violentos em Cabo Delgado nas primeiras duas semanas de junho, todos relacionados com extremistas associados ao Estado Islâmico, o que resultou na morte de oito pessoas e aumentou o número total de vítimas desde o início da insurgência para 6.632. O último relatório da ACLED indica que, dos 2.408 eventos violentos registados entre outubro de 2017 e 14 de junho de 2026, 2.224 envolveram elementos ligados ao Estado Islâmico de Moçambique.

