A líder do movimento March and March, Jacinta Ngobeze-Zuma, anunciou o início de manifestações semanais contra imigrantes em toda a África do Sul. Estas demonstrações estão agendadas para quinta-feira e seguem as ações nacionais realizadas em 30 de junho com o objetivo de chamar a atenção para os estrangeiros ilegais.
Escala dos Protestos e Prisões
Mais de vinte grupos civis liderados pelo movimento March and March participaram dos protestos em todas as nove províncias, exigindo a deportação de cidadãos estrangeiros ilegais da África do Sul. Durante operações das forças policiais realizadas em paralelo aos protestos, mais de 900 pessoas foram detidas. A polícia informou que a maioria dos detidos são estrangeiros ilegais, bem como indivíduos envolvidos em assaltos e outras atividades criminosas.
Planos e Exigências da Líder
Ngobeze-Zuma confirmou nas redes sociais na quarta-feira que a principal manifestação semanal ocorrerá em Mtwhatulum, na costa sul de KwaZulu-Natal. Além disso, esperam-se ações adicionais em Gauteng, incluindo os bairros de Mamelodi, Springs, Soweng e Soweto. Discursando para os manifestantes perto do posto policial SAPS Point em Durban, após milhares de pessoas passarem pela cidade em 30 de junho, Ngobeze-Zuma declarou que a campanha continuará todas as semanas até que o governo responda às exigências do movimento. Ela enfatizou: «Enquanto eles não forem embora, nós marcharemos toda quinta-feira».
Preocupações Financeiras e Criminais
Ela também alertou que se as autoridades continuarem a alocar um grande número de policiais para monitorar as manifestações, isso levará a um aumento dos gastos do estado. Ngobeze-Zuma especulou: «Esperamos que o governo tenha um orçamento de mais 600 milhões de rand», acrescentando que a presença contínua de imigrantes ilegais exigirá medidas de segurança contínuas. Além disso, Ngobeze-Zuma acusou que drogas são vendidas abertamente em algumas comunidades e afirmou que a atividade criminosa relacionada à imigração ilegal continua sendo um sério problema para os apoiadores do movimento.
Reação das Autoridades e Especialistas
Entretanto, a polícia declarou estar pronta para controlar «cada situação» após o anúncio da continuação dos protestos semanais até que o governo expulse os imigrantes ilegais da África do Sul. O presidente da Estrutura Conjunta Nacional de Operações e Inteligência (NatJoints), General-Major Tebello Mosikili, observou que as autoridades tomaram conhecimento da intenção do movimento de continuar os protestos. Ela garantiu que a Polícia da África do Sul (SAPS), juntamente com outras forças de aplicação da lei, está pronta para manter a ordem e a lei.
Mosikili relatou que a SAPS colabora estreitamente com várias partes interessadas, incluindo as Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF), empresas de segurança privadas e estruturas comunitárias no âmbito de programas operacionais de longo prazo. Ela mencionou um Memorando de Entendimento (MOU) assinado chamado «Olhos e Ouvidos», que inclui trabalho com empresas de segurança privadas. Ela enfatizou que a Polícia da África do Sul mantém a responsabilidade e o mandato constitucional de garantir a ordem pública no país, e quaisquer outras forças policiais atuam em seu apoio e complemento quando necessário.
O alto oficial de polícia reconheceu os planos do movimento March and March para continuar os protestos, notando que o movimento anunciou publicamente a intenção de realizar marchas durante os próximos seis meses. Mosikili acrescentou que as autoridades continuarão a monitorar cada situação e a apoiar cada cidadão do país que desejar exercer seus direitos de acordo com as Seções 16 e 17 da Constituição ao realizar manifestações, passeatas, piquetes e outros eventos relacionados. Ela também esclareceu que as autoridades trabalharão com empresas de segurança privadas, SANDF e o Departamento do Interior.
Sugestão de Especialista em Imigração
O especialista em imigração Dr. Gideon Chitinga sugeriu que o governo da África do Sul envolva tanto imigrantes documentados quanto ilegais em um diálogo estruturado. Na sua opinião, isso ajudará a entender melhor os motivos da migração e encontrar oportunidades para contribuição econômica conjunta de imigrantes e sul-africanos. Chitinga também destacou a necessidade de resolver problemas estruturais mais amplos, incluindo a eliminação de fatores externos da migração irregular e o aumento da eficiência das instituições que lidam com a imigração na África do Sul.
Ele enfatizou que o governo deve considerar fatores significativos, especialmente os relacionamentos com países vizinhos de onde chegam muitos imigrantes ilegais. Chitinga afirmou que os fatores externos da migração devem ser considerados em um contexto mais amplo, levando em conta questões regionais, como relações diplomáticas, comércio regional e integração. Ele alertou que o agravamento desses relacionamentos pode afetar significativamente o comércio e, em última análise, prejudicar a economia da África do Sul.
Chitinga concluiu que os debates sobre imigração são moldados por duas questões diferentes: o ruído excessivo em torno da imigração e os interesses por trás das instituições que conduzem esses debates. Ele pediu uma interação substantiva no nível político entre as instituições de imigração, departamentos governamentais e a sociedade civil, incluindo ativistas, acadêmicos e centros de pesquisa. Ele reiterou o apelo por plataformas de diálogo com ambos os grupos de imigrantes, pois eles entendem melhor a situação em seus bairros e setores econômicos, e podem ajudar a identificar caminhos para a cooperação com a população local.


