A organização Free SA lançou uma campanha pedindo ao Parlamento que altere a Constituição da África do Sul para estabelecer um limite de 20 ministros no gabinete. Esta iniciativa baseia-se na alegação de que a estrutura atual é dispendiosa e ineficiente.
O Problema da Estrutura Governamental Atual
De acordo com a Free SA, a liberdade ilimitada do presidente em nomear ministros entre os membros da Assembleia Nacional contribuiu para o crescimento de uma das maiores e mais caras estruturas executivas do mundo. A mudança proposta prevê o estabelecimento de um teto máximo de ministros de gabinete de não mais de vinte pessoas.
A organização enfatiza que a transição da África do Sul para a política de coligações torna as garantias constitucionais ainda mais importantes. A Free SA acredita que gabinetes grandes aumentam os gastos públicos com salários de ministros, pessoal de apoio, residências oficiais, medidas de segurança, veículos e estruturas administrativas, e frequentemente levam à duplicação de funções, enfraquecendo a responsabilidade.
Análise da Composição Governamental Atual
O debate ocorreu em meio à atenção rigorosa ao poder executivo do Governo da Unidade Nacional (GNU), que atualmente conta com 34 ministros e 43 vice-ministros, totalizando 77 membros. Paul Marx, diretor da Free SA, considera que o poder executivo se tornou excessivamente grande e caro.
Marx afirmou que o objetivo da proposta é criar um poder executivo compacto, mas funcional, e que 20 pessoas deve ser considerado um alvo. Ele acrescentou que anteriormente eles argumentaram que era possível formar todo o poder executivo com apenas 26 pessoas: presidente, vice-presidente, 12 ministros e 12 vice-ministros. Reconhecendo a potencial instabilidade de tal redução, eles propõem 20 pessoas, o que proporcionará espaço suficiente para o presidente em exercício.
Aspectos Financeiros e Comparação com Outros Países
Marx criticou duramente o tamanho e o custo do poder executivo atual, observando que a África do Sul possui um dos gabinetes mais inchados e caros do mundo. A composição atual do GNU com 77 pessoas custa aos contribuintes mais de 1 bilhão de randes anualmente em salários, subsídios e segurança VIP. Ele caracterizou essa estrutura como priorizar a quantidade sobre a qualidade, o clientelismo sobre a eficiência e a burocracia sobre os resultados.
Segundo Marx, os salários dos ministros por si só demonstram a escala dos gastos públicos com cargos políticos: cada ministro recebe quase 2,7 milhões de randes por ano, e seus vice-ministros recebem 2,2 milhões de randes. Ele contrastou esses valores com a realidade socioeconômica dos sul-africanos comuns, apontando que o salário mínimo no país é de cerca de 4.500 randes por mês, o que significa que um ministro ganha mais em um ano do que um trabalhador com salário mínimo por mais de 50 anos.
A Free SA afirma que reduzir o Gabinete para 20 ministros e 20 vice-ministros economizará cerca de 91 milhões de randes anualmente apenas em salários. No entanto, a organização insiste que a economia real será alcançada pela redução de departamentos duplicados, pessoal de apoio, moradia, orçamentos de viagens, equipes de comunicação e medidas de segurança.
Um elemento chave da campanha da Free SA é a comparação do poder executivo sul-africano com os órgãos executivos de economias maiores. Marx observou que a escala do gabinete é difícil de justificar, especialmente em comparação com os parceiros do BRICS. Ele citou exemplos: a Brasil, com mais de 214 milhões de habitantes, tem 37 ministros; a Índia, com mais de 1,4 bilhão, tem 30; e a China, a segunda maior economia do mundo, é governada com 37 ministros mais modestos. Os EUA, cujo PIB é quase 60 vezes maior que o da África do Sul, têm um gabinete de apenas 24 pessoas. Além disso, a Alemanha, com cerca de 84 milhões de habitantes, opera com 16 ministros federais.
Contra-argumentos e Propostas de Reestruturação
Críticos da limitação constitucional frequentemente argumentam que as responsabilidades do governo se expandem com o tempo, exigindo novos portfólios e ministérios. Marx rejeita esse argumento, afirmando que o objetivo da limitação é estimular a adaptação, e não a expansão. Ele explicou que novas funções não exigem necessariamente novos ministérios; elas podem ser reorganizadas, unidas em portfólios existentes, delegadas às províncias ou administradas através de agências e departamentos.
A Free SA acredita que a limitação forçará o governo a focar na eficiência, em vez de criar novos cargos políticos ao surgirem novos problemas. Anteriormente, a organização propôs uma reestruturação significativa do governo, incluindo a transferência de funções como educação básica, saúde, polícia e relações de trabalho para as províncias; a abolição de vários ministérios; e a fusão de departamentos sobrepostos. Entre as fusões propostas estão a união de Eletricidade e Energia, Água e Saneamento, Transporte e Reforma Agrária em um Ministério de Obras Públicas e Infraestrutura, bem como Serviços Correcionais no Ministério da Justiça. Eles também propõem 'um vice-ministro para cada ministro'.
Objetivo Geral das Reformas
Para a Free SA, esta questão resume-se, em última análise, à restauração da confiança pública no governo. A proposta visa melhorar o funcionamento do governo de três maneiras: primeiro, reduzindo os gastos com cargos políticos e despesas administrativas; segundo, aumentando a responsabilidade através da diminuição de funções sobrepostas; e terceiro, melhorando a implementação de políticas através da redução da burocracia e otimização da tomada de decisões. O objetivo geral é criar um estado que gaste mais recursos na prestação de serviços e menos na manutenção de estruturas de patronagem política. Marx concluiu que os cidadãos comuns sul-africanos se beneficiam quando o governo se torna mais compacto, responsável e eficiente.