De acordo com o relatório do Banco Central sobre estabilidade financeira para 2025, o fardo da dívida da população do Uzbequistão diminuiu graças ao aperto dos requisitos macroprudenciais. No entanto, persistem riscos na estrutura da dívida relacionados ao aumento no número de mutuários com múltiplos empréstimos simultâneos e à deterioração da qualidade dos microcréditos.
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Dinâmica do Fardo da Dívida
A média da relação serviço da dívida sobre a renda para pessoas que obtiveram crédito bancário caiu de 38% em 2024 para 37%. Além disso, a parcela de empréstimos concedidos a mutuários com uma relação serviço da dívida sobre a renda não superior a 50% aumentou de 58% para 74% do volume total de pagamentos.
Mudanças nos Segmentos de Crédito
A redução mais notável na carga foi observada nos segmentos garantidos. A média da relação serviço da dívida sobre a renda para hipotecas foi de 49%, 22 pontos percentuais menor do que no ano anterior. De forma semelhante, para empréstimos automotivos, o indicador caiu de 60% para 37%. O regulador atribui isso às restrições diretas em vigor desde 24 de julho de 2025, que estabelecem que o coeficiente crédito-valor para hipotecas não deve exceder 85%. O coeficiente médio crédito-valor para hipotecas concedidas foi de 76%, e para empréstimos automotivos, de 73%.
Os microcréditos demonstraram uma tendência oposta: a média da relação serviço da dívida sobre a renda neste segmento aumentou de 37% para 40%. O Banco Central observou que a ausência de requisitos de uso específico dos fundos e garantia acelera a expansão da base de mutuários e leva ao aumento do fardo da dívida.
Mudanças Estruturais no Endividamento
A principal mudança estrutural do ano foi o aumento no número de pessoas que gerenciam múltiplas dívidas simultaneamente. Entre aqueles que obtiveram crédito bancário em 2025, esse grupo representou 53%, em comparação com 43% no ano anterior. O regulador alertou que a necessidade de pagar vários empréstimos simultaneamente enfraquece a capacidade de pagamento dos mutuários.
A geografia dos empréstimos também está se transformando. A parcela de cidadãos que têm obrigações apenas com bancos diminuiu de 81% para 62% do número total de mutuários. Ao mesmo tempo, a parcela de clientes de organizações não bancárias aumentou de 11% para 20%, e a parcela daqueles que têm dívidas tanto com bancos quanto com organizações não bancárias aumentou de 8% para 18%. Quanto à dívida geral não paga, os bancos continuam sendo o ator dominante, detendo 94% de toda a dívida de consumo das famílias.
Preocupações dos Mutuários e Indicadores de Mercado
As autoavaliações dos mutuários parecem mais preocupantes do que as estatísticas oficiais. De acordo com uma pesquisa do Banco Central realizada entre 20 de janeiro de 2026 e 27 de janeiro de 2026 com 5800 entrevistados em todas as regiões do país, 61% dos devedores relataram dificuldades no pagamento pontual. A média do fardo da dívida dos mutuários bancários pesquisados atingiu 51% de sua renda, sendo que 47% dele excede metade do salário. Além disso, 8% dos entrevistados admitiram ter contraído um novo empréstimo para pagar um antigo.
As expectativas permanecem moderadamente otimistas: 47% preveem melhorias em sua capacidade de pagamento nos próximos seis meses, e 42% esperam que não haja mudanças. O portfólio de crédito de varejo dos bancos continua a crescer rapidamente, atingindo 220,3 trilhões de som em 1º de janeiro de 2026, o que representa 36% do portfólio total. O saldo total de microcréditos cresceu 46% no ano, os microcréditos em 51% e as hipotecas em 17%. A relação crédito de varejo com o PIB permanece moderada em 12%, 0,8 ponto percentual abaixo da tendência de longo prazo.
O crescimento da renda sustenta os mutuários: o PIB nominal per capita aumentou em US$ 614 em 2025, atingindo US$ 3879. O Banco Central avaliou o ano como uma melhoria na condição do setor de famílias, mas classifica o risco de crédito dos microcréditos como o principal risco interno para a estabilidade financeira no curto prazo.