Os mercados indianos demonstraram uma recuperação parcial após a queda do índice Sensex em quase 1700 pontos na quarta-feira, mostrando um aumento de cerca de 700 pontos durante o dia na quinta-feira.
Impacto da Tensão Geopolítica
A volatilidade observada nos últimos dois dias de negociação foi provocada por uma nova tensão no Oriente Médio, especificamente as ameaças do presidente Donald Trump de lançar ataques militares adicionais contra o Irã. Esses eventos causaram um salto nos preços do petróleo bruto: o Brent ultrapassou a marca de US$ 80 por barril, e o WTI se aproximou do nível de US$ 76 na quarta-feira, embora ambos os indicadores tenham diminuído ligeiramente na quinta-feira.
Estratégias de Traders e Previsões
Os analistas observam que a recuperação dos mercados de ações indianos na quinta-feira foi impulsionada principalmente pela compra de ativos a preços mais baixos. No entanto, eles aconselham os investidores a manterem a cautela, pois as mudanças geopolíticas e os relatórios corporativos para o período de abril a junho de 2026 (Q1FY27) podem manter os mercados instáveis.
Shrikant Chauhan, chefe de pesquisa de ações na Kotak Securities, afirmou que a estrutura de curto prazo do mercado tornou-se negativa. Ele acredita que a estratégia preferida para day traders será vender nas altas. De acordo com sua análise, os níveis de resistência imediatos são 24.050 (Nifty) / 77.100 (Sensex) e 24.150/77.400.
Chauhan acrescentou que enquanto o mercado negociar abaixo desses níveis, o sentimento negativo provavelmente persistirá. Em caso de queda, o Nifty provavelmente testará sua média móvel simples (SMA) de 50 dias, localizada em torno de 23.800/76.000. Uma queda sustentada abaixo desse nível pode levar a uma correção para 23.600/75.800. Também é recomendado reduzir posições longas fracas em qualquer recuo para a zona de 24.100–24.200.
A situação inversa é possível se o índice ultrapassar 24.050 / 77.100; nesse caso, não se pode excluir uma correção seguida de alta para a faixa de 24.150 – 24.200 / 77.400–77.500.
Avaliação de Riscos e Atividade de Compra
VK Vijayakumar, principal estrategista de investimentos da Geojit Investments, acredita que as preocupações podem ser exageradas. Ele observa que o preço do Brent a US$ 80 não representa um problema, pois não levará a uma crise da balança de pagamentos (BoP). A crise, em sua opinião, só ocorrerá se novas ondas de tensão no Oriente Médio levarem novamente ao fechamento do Estreito de Ormuz e, consequentemente, ao aumento dos preços do petróleo bruto (Brent) acima de US$ 100.
Vijayakumar enfatizou que a situação atual não reflete um cenário tão pessimista, visto que o petróleo de setembro está sendo negociado a US$ 76, o que indica que o mercado não acredita em uma escalada da situação. Ele acrescentou que os mercados globais não entraram em pânico, mas o cenário exige atenção cuidadosa.
Outro fator importante é a tendência contínua de aumento da atividade de compra por parte dos FIIs em ações indianas. Nos últimos quatro dias de negociação, os FIIs atuaram como compradores na Índia, adquirindo ações no valor de 3.954 crore de rúpias no mercado monetário.
Segundo Vijayakumar, essa tendência pode continuar sob condição de estabilidade nos preços do petróleo bruto. Ele prevê que grandes empresas, bem como os setores financeiro e automotivo, provavelmente permanecerão resilientes.
Suporte Macroeconômico ao Mercado
Embora a tensão no Oriente Médio possa manter os mercados em estado de incerteza no curto prazo, G Chokkalingam, fundador e chefe de pesquisa da Equinomics Research, acredita que os fatores macroeconômicos de apoio internos suavizarão o sentimento negativo. Ele espera que o presidente Trump mude novamente sua posição sobre o Oriente Médio, como ocorreu anteriormente.
Chokkalingam observou que a estação das monções foi retomada no país, o que é um sinal positivo para a economia e os mercados. O impacto da guerra no Oriente Médio nos lucros das empresas no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 já foi amplamente considerado pelo mercado. Embora os mercados possam ser voláteis no futuro próximo, ele prevê um crescimento de cerca de 5% nos próximos três meses devido às condições macroeconômicas internas favoráveis, desde que os eventos no Oriente Médio não evoluam para uma guerra em grande escala.
