Os Laboratórios da FDA emitiram um esclarecimento sobre os resultados de um relatório independente que identificou a presença de resíduos de pesticidas em alimentos comuns da África do Sul. A empresa enfatizou que sua participação se limitou à realização de análises laboratoriais e não aprova a interpretação desses dados apresentada no relatório.
Contexto da Publicação do Relatório
O esclarecimento veio após a publicação, em junho de 2026, pelo Centro Africano de Biodiversidade (ACB) do relatório intitulado «O que realmente está na nossa comida?». Este documento relatava a detecção de resíduos de pesticidas em vários produtos de supermercados, incluindo milho, pão, molho de tomate e papas infantis.
Posição dos Laboratórios da FDA
Os Laboratórios da FDA declararam apoio a discussões abertas sobre segurança alimentar baseadas na ciência, mas expressaram preocupação com o fato de alguns dados laboratoriais no relatório terem sido interpretados de maneira que pudesse causar alarme infundado entre os consumidores. Em uma declaração oficial, a empresa afirmou: «O papel dos Laboratórios da FDA foi limitado à geração de dados de testes analíticos. A empresa não é autora do relatório, nem elaborou conclusões, nem aprova as interpretações, resultados ou opiniões apresentadas no relatório publicado.»
Problema de Interpretação dos Dados
O diretor técnico, Azel Swemmer, observou que o problema não reside no teste laboratorial em si, mas em como os resultados obtidos foram apresentados e interpretados. Ele afirmou que «a questão central não é o teste em si, mas como os dados foram interpretados e apresentados ao público.» Swemmer acrescentou que os resultados analíticos devem ser considerados no contexto científico e regulatório apropriado, caso contrário, as conclusões podem dar aos consumidores a impressão de insegurança dos produtos, embora os dados não confirmem isso.
Sobre os Limites Máximos de Resíduos
Um dos pontos chave que preocupa o laboratório é a interpretação dos Limites Máximos de Resíduos (LMRs) — normas regulatórias usadas para determinar a conformidade do uso de pesticidas com os princípios de boas práticas agrícolas. De acordo com os Laboratórios da FDA, o excedimento do LMR não significa automaticamente que o produto seja inseguro. A empresa salientou que qualquer conclusão sobre o risco real à saúde do consumidor requer uma avaliação toxicológica separada e muito mais detalhada.
Correção dos Dados de Excedentes
O laboratório também discorda da afirmação do relatório de que 13 combinações de produto-pesticida excederam as normas regulatórias aplicáveis. Segundo os Laboratórios da FDA, após sua verificação, apenas um dos 43 produtos excedeu os LMRs aplicáveis da África do Sul, do Código e da União Europeia. Além disso, foi observado que alguns formatos de relatórios do laboratório poderiam ter sido mal compreendidos, pois os resultados abaixo dos limites de validação foram supostamente tratados como valores medidos exatos, o que poderia afetar a contagem e a divulgação das informações sobre excedentes.
Limitações dos Testes de Laboratório
Os Laboratórios da FDA informaram ainda que apenas o teste laboratorial não consegue determinar o impacto cumulativo no organismo, a toxicidade de misturas ou os riscos de saúde a longo prazo. A empresa esclareceu: «Um teste de laboratório pode confirmar a presença de um resíduo e, se possível, em que nível. Ele por si só não pode determinar o impacto cumulativo no organismo, a toxicidade de misturas ou a toxicidade 'coquetel', ou o risco de saúde a longo prazo. Essas conclusões exigem uma avaliação toxicológica mais ampla por especialistas qualificados.»
Compromisso com a Honestidade Científica
Azel Swemmer pediu aos consumidores que recebam «informações precisas e equilibradas» e insistiu que as discussões sobre segurança alimentar devem ser baseadas em evidências científicas corretamente interpretadas. Os Laboratórios da FDA reafirmaram seu compromisso com a integridade científica, testes responsáveis e melhoria do monitoramento de segurança alimentar e transparência regulatória na África do Sul, mas enfatizaram que os dados gerados pela empresa não devem ser considerados como aprovação das conclusões do relatório ou de recomendações políticas mais amplas. O Centro Africano de Biodiversidade foi solicitado a comentar o esclarecimento dos Laboratórios da FDA, mas nenhuma resposta foi recebida dentro do prazo.
