Durante a Copa do Mundo de Futebol, até os torcedores mais imparciais podem demonstrar um patriotismo feroz. A geração de fãs da Inglaterra, que passou a vida chamando Diego Maradona de trapaceiro por causa do gol da 'Mão de Deus' na Copa do Mundo de 1986 no México, raramente levanta a voz quando os especialistas discutem novamente esse 'gol fantasma' em Wembley.
História dos Momentos Polêmicos na Inglaterra
Na final da Copa do Mundo de 1966, realizada no estádio Wembley entre os anfitriões ingleses e a Alemanha Ocidental, um chute de Geoff Hurst de curta distância atingiu a trave e ricocheteou da linha, sendo derrubado pelos defensores alemães. Os jogadores ingleses comemoraram esse gol, apesar da incerteza sobre se a bola havia cruzado a linha. O árbitro Gottfried Dienst, da Suíça, também não viu isso claramente, mas concedeu o gol após consulta com o assistente de arbitragem.
A Inglaterra venceu a final, seu único triunfo na Copa do Mundo, por 4 a 2. No entanto, a sombra desse 'gol fantasma' permaneceu na história do futebol inglês. É um capítulo que ninguém quer discutir no futebol inglês.
Discussões Sobre Maradona
Na Inglaterra, apenas mencionar Maradona pode desencadear acalorados debates sobre seu lugar entre os maiores jogadores de todos os tempos. Como se pode exaltar Maradona como o maior se ele bateu na bola com a mão durante uma tentativa de cabeceio? O árbitro Ali Bin Nasser, do Tunísia, não viu a mão de Maradona nesse confronto de 1986 e concedeu o gol ao Argentina. Este gol tornou-se um dos momentos mais icônicos da história do futebol. Os torcedores argentinos ainda celebram a 'Mão de Deus', como Maradona a chamou, como se fosse uma intervenção divina.
Mas você raramente encontrará um argentino que não se irrite com o árbitro por conceder pênalti à Alemanha Ocidental contra a Argentina nos minutos finais da Copa do Mundo de 1990. Até hoje, os argentinos acreditam que o árbitro mexicano Edgardo Godosal errou ao conceder o pênalti pelo que eles consideram um carrinho legítimo de Roberto Sensi sobre Rudi Völler. Andreas Brehme marcou de lá, e os alemães venceram a final, privando a Argentina da chance de ser a primeira equipe a vencer dois campeonatos consecutivos desde o Brasil em 1962. A geração argentina ainda é obscurecida pela visão de Maradona desolado, chorando inconsolavelmente na cerimônia de premiação.
Conflito Argentina Contra Egito em 2026
Vamos mudar para 2026: este surpreendente reencontro entre Argentina e Egito, encerrado com uma vitória por 3 a 2 na oitava de final, causou lágrimas em milhões de egípcios. E isso não aconteceu porque sua equipe, que liderava por 2 a 0 até o minuto 79, perdeu a chance de uma grande vitória em sua história. Na opinião dos egípcios, a razão pela qual a equipe foi eliminada foram as decisões 'injustas' dos árbitros e o uso controverso do VAR (árbitro assistente de vídeo).
Acusações em Favor de uma Equipe Forte
O técnico egípcio Hossam Hassan ficou extremamente irritado em coletivas de imprensa após a partida, quando lhe perguntaram sobre o gol não marcado de Mostafa Zico no segundo tempo. Quando o Egito liderava por 1 a 0, Zico marcou através de um ataque reativo devastador, mas o VAR anulou o gol devido a uma falta de um jogador egípcio durante a jogada ofensiva. Os egípcios também alegaram que os árbitros lhes negaram a chance de receber um pênalti no minuto 92 depois que Mohamed Salah caiu na área da Argentina. Com o placar empatado em 2 a 2, o pênalti naquele momento poderia ter decidido o jogo. No entanto, Julián Álvarez, que perseguia Salah, parecia estar apenas tentando pegar a bola enquanto o atacante egípcio caía após um leve contato, já tendo perdido a posse de bola.
O especialista em futebol sul-americano Tim Vickery, do Brasil, declarou em seu canal do YouTube: 'Álvarez em Salah não é pênalti, não é falta'. No entanto, um jornalista britânico do Brasil admitiu que em um grande jogo de Copa do Mundo, a 'grande equipe recebe a vantagem da dúvida'.
A federação de futebol do Egito também apresentou uma reclamação sobre duas decisões, já que Zico, cujo gol foi anulado, até acusou a FIFA de favoritismo em relação à Argentina. No entanto, Alejandro Magdaleno, veterano jornalista esportivo argentino presente no estádio na terça-feira, acredita que tudo isso faz parte do esporte. 'A história do futebol sempre foi assim. Geralmente, as equipes que vencem dizem que fizeram isso apesar do árbitro, enquanto as perdedoras afirmam que perderam por causa do árbitro', disse Magdaleno ao Khaleej Times.
Ele acrescentou: 'O árbitro tomou as decisões corretas, e o VAR agiu de forma justa. Houve uma falta clara em Lisandro Martínez antes do gol não marcado com o placar de 2 a 0. E as reclamações do Egito até o gol da vitória da Argentina de 3 a 2 não têm justificativa; não havia nada que pudesse servir de base para uma falta (contra Salah)'.
Opiniões Sobre os Momentos Polêmicos
Shourouk Zakaria, profissional de mídia egípcia de Dubai, observou que a inconsistência dos árbitros era muito óbvia para ser ignorada. 'Estávamos ganhando, mas nos últimos 10 minutos tudo virou quando a Argentina marcou três gols. Ver isso acontecer foi de partir o coração. Não foi por causa de erros (da nossa equipe), mas por causa de decisões injustas (dos árbitros)', ela afirmou.
Ela continuou: 'Toda vez que os jogadores egípcios cometiam uma falta, recebiam cartões amarelos, mas nenhum jogador argentino recebia advertências. O contraste foi incrível.' Zakaria disse que um país inteiro ficou devastado após a derrota. 'As pessoas choravam na Zona de Torcedores (em Dubai) porque foi injusto. Isso realmente causa amargura, porque vimos injustiça em Gaza. Não quero abordar política, mas é isso que é.'
Jorge Ferrari, expatriado argentino residente em Sharjah, conseguiu entender as fortes emoções dos torcedores egípcios logo após a dolorosa derrota. 'Eu posso entender as emoções deles; para eles, este é um grande jogo de mata-mata da Copa do Mundo, é um evento histórico para eles. Como torcedor de futebol, eu sei como é perder um jogo quando você estava tão perto da vitória', disse ele.
No entanto, ele também observou que quando uma equipe perde de uma posição forte, ela precisa culpar alguém, e a opção mais simples é culpar o árbitro. Ele supôs que a comissão técnica pode esconder suas falhas culpando o árbitro.
Erros Táticos e Visão Externa
Ferrari apontou um erro tático por parte da comissão técnica egípcia depois que Lionel Messi igualou o placar para 2 a 2 aos 83 minutos. 'Fiquei feliz quando o Egito cometeu um erro ao correr atrás do terceiro gol após o placar de 2 a 2. Faltavam apenas alguns minutos, e os jogadores argentinos estavam cansados. Os egípcios poderiam ter jogado um futebol mais sensato para levar o jogo para a prorrogação', observou ele.
Ele concluiu: 'Isso teria colocado a Argentina sob pressão. Mas eles quiseram marcar o terceiro gol e acabaram sofrendo o terceiro. Eu acho que foi um erro tático do treinador deles'. Ao contrário de Ferrari, Zakaria não é uma torcedora fervorosa de futebol, mas seu sonho de ver o Egito chegar às oitavas de final foi o maior evento de sua vida. Ela observou que, para egípcios e árabes, foi uma vitória que trouxe alegria em tempos difíceis, e que essa jornada terminou tristemente.
Os debates sobre árbitros e o papel das tecnologias de vídeo continuarão sendo um tópico fascinante para observadores neutros no futebol, a menos que sua equipe esteja no centro de tais decisões. Ivan, um torcedor sérvio, lembrou como os gols polêmicos no Catar em 2022 transformaram um jogo de futebol em uma acirrada rivalidade entre países, dizendo: 'É um jogo em que participam 22 pessoas. Coisas assim podem acontecer. Futebol é a bola de Maradona. É isso que torna este jogo tão maravilhoso.'
