A ispace, companhia sediada em Tóquio, Japão, está ampliando seus planos lunares ao incorporar o foguete Starship da SpaceX. Em anúncio feito nesta quarta-feira (8), a empresa garantiu 500 kg de capacidade de carga no Starship, o veículo considerado o maior e mais potente já construído, visando uma missão lunar que poderá ocorrer já em 2030. Este acordo foi fechado por um valor de US$ 50 milhões (equivalente a R$ 258,2 milhões), conforme reportado pelo Tokyo Brief.
Colaboração e objetivos da ispace
Takeshi Hakamada, fundador e CEO da ispace, declarou satisfação com a possibilidade de utilizar o serviço Lunar Access Integration através da parceria com a SpaceX. Ele ressaltou que o transporte lunar de alta capacidade e com custo moderado oferecido pelo Starship é fundamental para viabilizar a economia lunar sustentável que a ispace almeja estabelecer.
Uso futuro do sistema de carga
Essa declaração sugere que a ispace pode se tornar uma cliente recorrente da Starship. A empresa pretende empregar o gigantesco veículo para transportar seu novo Sistema de Carga Móvel (MCS) até a superfície lunar. O MCS é descrito como um rover plano em formato de plataforma, com capacidade para carregar até 500 kg pelo terreno lunar. A missão inicial com o MCS a bordo do Starship está prevista para ser lançada somente a partir de 2030, dependendo da capacidade da SpaceX em tornar o Starship um veículo totalmente operacional, visto que ele já completou 12 voos de teste, todos suborbitais.
Histórico de parcerias com a SpaceX
A ispace já possui experiência de voo com a SpaceX. Em 2022 e novamente em 2025, foguetes Falcon 9 transportaram o rover robótico HAKUTO-R da empresa japonesa. Embora o HAKUTO-R tenha atingido a órbita lunar com sucesso nessas duas oportunidades, ele sofreu quedas durante as tentativas de pouso. O Starship, por sua vez, é o veículo superpesado da SpaceX, desenhado para reutilização completa e capaz de colocar até 150 toneladas na órbita baixa da Terra.
O desenvolvimento do foguete começou há algum tempo, sendo apresentado pela primeira vez por Elon Musk durante o Congresso Astronáutico Internacional no México, em 2016. As previsões sobre sua prontidão operacional sofreram constantes alterações. Em 2021, a SpaceX visava realizar a primeira missão lunar antes de 2024, mas atrasos no desenvolvimento postergaram essa data. Em 2024, estava previsto pela NASA o primeiro pouso lunar tripulado do programa Artemis, mas este planejamento mudou. A NASA contratou o Starship como módulo de pouso lunar para esse evento, que agora está programado para a Artemis 4, no final de 2028, sendo as autoridades da agência responsáveis por citar o Starship como fator nos atrasos do cronograma Artemis.
Outros usuários do Starship
NASA e ispace não são os únicos clientes a reservar assentos no Starship com destino à Lua. Yusaku Maezawa, um empresário japonês, anunciou o projeto #dearMoon em 2018, reservando o Starship para levar consigo e um grupo de artistas em uma potencial primeira missão tripulada do veículo ao redor da Lua. Contudo, devido aos sucessivos atrasos do Starship, Maezawa cancelou o voo em 2024.
Crescimento do interesse lunar
No entanto, o ímpeto para as missões lunares com o Starship está aumentando. A NASA já conta com dois sucessos em seu histórico Artemis: a Artemis 1, não tripulada, que alcançou a órbita lunar no final de 2022, e o voo Artemis 2, com quatro tripulantes, realizado ao redor da Lua no mês passado. A agência está se preparando para a Artemis 3, que deve testar operações de encontro e acoplamento com a cápsula Orion da NASA e dois módulos de pouso lunar tripulados — Starship e Blue Moon da Blue Origin — em órbita terrestre em meados de 2027, se o planejamento for cumprido.
Dessa forma, a ispace se posiciona como um elemento crucial em uma provável corrida lunar. A ispace afirmou que o advento de foguetes capazes de transportar grandes volumes de carga à Lua deve acelerar a implementação de infraestrutura lunar, abrangendo energia, comunicação, construção, dados e mobilidade. A empresa complementou que o estabelecimento dessa infraestrutura na superfície lunar diminuirá obstáculos para futuros projetos, promovendo uma rápida expansão no transporte de cargas menores para fins de exploração, validação tecnológica e desenvolvimento de negócios. À medida que a demanda por missões aumenta, a capacidade de carga das unidades do Mobile Cargo System também crescerá. Além do novo design do MCS, a ispace planeja ainda três missões de pouso lunar com seu veículo ULTRA Lander, agendadas para 2028, 2029 e 2030.
