A equipe de projeto da Casa Playfair defende que a arquitetura deve comunicar seus princípios visualmente, permitindo que o observador compreenda sua essência apenas pelo olhar. Além disso, acredita-se que a construção residencial deve ser totalmente adaptada às necessidades e à personalidade do morador.
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Contexto do Projeto Playfair
No caso do projeto Playfair, os clientes eram indivíduos com grande espírito aventureiro, entusiastas de atividades ao ar livre e inclusive campeões australianos de mountain bike. Após anos vivendo no subúrbio, eles decidiram vender sua residência de cinco quartos e adquirir um terreno desocupado próximo à praia. Este novo lar seria destinado exclusivamente ao casal, e desde o princípio, havia a intenção de que ele contrastasse radicalmente com as demais casas da rua, sendo tão acolhedor quanto uma barraca de acampamento.
Considerando a necessidade de viabilizar futuras expedições, o projeto precisou ser desenvolvido respeitando um orçamento estrito.
Design Estrutural e Adaptações
O desenho da Casa Playfair incorpora essa filosofia, apresentando-se como uma estrutura tipo «A» (A-frame), porém com o topo nivelado para otimizar o espaço interno. Essa concepção é reforçada estruturalmente por quatro pórticos de aço idênticos, visíveis no interior e pintados em azul claro, cor que se repete em outros componentes estruturais.
O terreno localizado no número 17 da Rua Playfair faz parte de um loteamento recente onde ambas as parcelas foram vendidas com projetos pré-aprovados. A casa vizinha (17B) foi erguida antes, invadindo o lote do projeto e comprometendo a entrada de luz solar, o que representava exatamente o cenário que os clientes desejavam evitar.
Restrições Urbanísticas e Orientação Solar
Devido ao prazo apertado, a casa necessitou ser aprovada por meio de um processo simplificado (CDC), o que impôs a obrigação de aderir integralmente a todas as normas técnicas locais, sem possibilidade de desvio de qualquer diretriz urbanística.
As limitações impostas pela área de inundação exigiram que a edificação fosse elevada. Adicionalmente, as alterações de nível interno foram restringidas a pontos específicos. O volume principal foi posicionado ao longo do limite sul para maximizar a captação de sol, enquanto se afastou do limite norte, criando áreas de convívio voltadas para esta face mais iluminada. O setor de pé-direito duplo está voltado para a rua, diminuindo para apenas um pavimento na parte de trás, o que assegura a máxima penetração de luz natural no jardim posterior.
Sustentabilidade e Tecnologia de Baixo Nível
A estratégia de sustentabilidade adotada é classificada como de baixa tecnologia (low tech). O vão central da escada, com seu pé-direito duplo, atua como uma chaminé durante o verão, promovendo a extração de aproximadamente 2.000 litros de ar por minuto através de um exaustor eólico de porte industrial. Este mecanismo puxa ar fresco pelas janelas basculantes localizadas na parte inferior da fachada sul, que permanece sempre sombreada, e o distribui pelas áreas sociais.
Em contrapartida, no inverno, este mesmo espaço central direciona o ar aquecido gerado por um aquecedor a lenha na sala de estar em direção aos dormitórios. Grandes superfícies envidraçadas estão voltadas para leste e oeste, mas são recuadas sob a projeção do telhado. As janelas voltadas para o norte são propositalmente menores e protegidas por beirais, barreiras de vegetação ou volumes arquitetônicos projetados. A parede inclinada no lado sul possui apenas aberturas destinadas à ventilação.
Materiais e Eficiência Energética
As fachadas externas empregam um sistema de vedação otimizado, utilizando ripas internas dispostas perpendicularmente à estrutura, o que ajuda a reduzir as pontes térmicas. Há também planos para instalar painéis solares na cobertura mais baixa, voltada para o norte, além de um sistema de armazenamento de energia baseado em baterias.
Para os equipamentos internos, o fogão opera por indução e o aquecimento de água é realizado por bomba de calor. A escolha de materiais simples e facilmente acessíveis foi feita para manter os custos operacionais e de manutenção sob controle, incluindo telhas metálicas, caixilhos de alumínio, madeira termotratada sem selante para adquirir um aspecto acinzentado com o tempo, e madeiras locais utilizadas nos pisos e decks.
A equipe de projeto apresentou a descrição do projeto Casa Ouriques / Ultra Arquitetura, que consiste na transformação de uma moradia já existente em um complexo moderno.
Conceito do projeto
O trabalho visa expandir as áreas da casa, integrando elementos de arquitetura, design de interiores e paisagismo, ao mesmo tempo em que confere uma nova identidade ao imóvel, preservando sua essência original.
Objetivo da reforma
A base da proposta surgiu da solicitação do cliente para executar uma reforma integral da residência atual. Este projeto prevê um aumento considerável nas superfícies construídas e a modernização dos cômodos, com o intuito de revitalizar completamente a casa.