De acordo com uma pesquisa realizada em 11 estados com o apoio do Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR), a mortalidade por mordidas de cobra pode ser muito menor do que se supunha anteriormente.
Resultados da pesquisa e estatísticas
A pesquisa também revelou que 43% dos casos de morte por mordidas ocorreram fora dos hospitais ou durante o transporte. Além disso, foi estabelecido que a infecção por veneno de cobra (SBE) é uma doença associada à pobreza, visto que 53% dos afetados estavam abaixo da linha da pobreza.
Segundo o estudo, a taxa de mortalidade por mordidas é de aproximadamente 0,3 por 100.000 pessoas, o que é significativamente inferior à estimativa anterior de 6 por 100.000, baseada no estudo 'One-Million-Death' (Um Milhão de Mortes), conduzido pelo Registrador Geral da Índia entre 1998 e 2014.
Metodologia e dados regionais
O relatório intermediário da pesquisa, publicado na revista científica Nature Communications, baseia-se em um estudo transversal. Os dados foram coletados ao longo de um ano em cada um dos 11 estados, sendo todas as vítimas de mordidas de cobra identificadas por assistentes ASHAs e membros das famílias das vítimas que deram consentimento para participar do estudo. O estudo ainda não foi concluído em Meghalaya e Bengala Ocidental.
O relatório observa que a estimativa de mortalidade dentro do estudo '1-MDS' parece estar muito superestimada em comparação com os dados coletados na comunidade. Por exemplo, em Kerala (população de 35 milhões), foram registrados 31 óbitos por SBE em 2024-25, enquanto a estimativa '1-MDS' seria de 2100.
Tendências gerais e fatores de risco
A extrapolação dos resultados dos locais selecionados para a estatística nacional sugere uma incidência geral de mordidas de cobra no país de 120.852 casos anuais. No entanto, esse número baixo pode ser devido ao fato de o estudo abranger apenas 13 dos 28 estados, e não incluir grandes estados como Uttar Pradesh, Bihar e Madhya Pradesh, onde geralmente são registrados o maior número de mortes.
A Índia suporta o maior fardo de infecções por veneno de cobra, respondendo por quase metade das mortes globais causadas por tais mordidas. Isso está principalmente relacionado à grande população agrícola da Índia, que está sujeita ao risco de conflito entre cobras e humanos.
As quatro espécies venenosas mais perigosas, responsáveis pela maioria dos casos de infecção na Índia, incluem a cobra indiana, a krait comum, a víbora de Russell e a cobra de escamas de gafanhoto.
Detalhes dos casos
No total, 7.094 casos de mordidas foram registrados em 25 distritos de projeto durante o período do estudo. Dos quais, 2,7% morreram, sendo que 57% deles faleceram em ambiente hospitalar. A maioria dos afetados eram homens (64,1%), e entre os grupos etários, o grupo de 30 a 39 anos representou a maior parte (20,9%). A profissão mais comum entre os participantes era trabalho não qualificado (25,4%), seguido por agricultura/fazenda (24,5%). A maioria das mordidas (62%) ocorreu durante a estação das monções.

