A Associação de Caçadores de Angola (ACA) emitiu um alerta sobre a severidade do problema da caça furtiva após um incidente registrado em junho. O evento envolveu uma tentativa de abate de três rinocerontes-brancos fêmeas dentro de uma fazenda localizada no município da Cahama, na província do Cunene.
Detalhes do ataque aos rinocerontes
Um grupo de indivíduos armados com rifles AK-47 tentou atacar os animais. Segundo Mário Ribeiro, o calibre utilizado não era adequado para caçar rinocerontes, resultando em ferimentos graves, mas não na morte imediata dos animais. Apenas uma das fêmeas precisou ser abatida após receber cerca de cinco tiros, sendo realizada a eutanásia por um veterinário vindo da Namíbia. As outras duas fêmeas foram submetidas a cirurgia e sobreviveram.
Situação na fazenda e investigação policial
Na fazenda em questão, havia um total de 11 rinocerontes, todos importados com o propósito de repovoamento da região. O líder da ACA informou que a polícia iniciou uma investigação e conseguiu deter um suspeito. Os demais envolvidos fugiram ao perceber a aproximação de um veículo oficial. Mário Ribeiro detalhou que o suspeito detido estava conversando com os trabalhadores da fazenda para obter informações.
Combate à caça furtiva pela ACA
Mário Ribeiro ressaltou que a associação, que opera há aproximadamente 20 anos, trabalha ativamente contra os caçadores furtivos, diferenciando claramente esta prática da caça de subsistência. Ele enfatizou que quem mata animais para vendê-los nas estradas é considerado caçador furtivo, e não praticante de caça de subsistência. Além da conscientização pública, a ACA colabora com a Polícia Nacional na coleta de armadilhas e armas, tendo notado uma redução de animais abatidos na Estrada Nacional 100.
Novos focos e preocupações ambientais
Apesar do cerco das autoridades, os caçadores furtivos estão encontrando novas áreas de atuação, como a província do Cuanza Sul. Mário Ribeiro relatou ter visto recentemente animais endêmicos pendurados, alertando para o grave prejuízo à fauna local. A EcoAngola, organização de defesa ambiental, expressou preocupação com a proteção da vida selvagem, defendendo que Angola deve intensificar suas medidas de monitoramento e responsabilização por crimes ambientais. Para a EcoAngola, o caso dos rinocerontes no Cunene sublinha a urgência de investigações transparentes e do combate ao tráfico ilegal de espécies, cujo principal motivo de abate é a venda dos chifres.
