A Agência Espacial Europeia (ESA) completou uma fase crucial da missão Hera ao atualizar o software da espaçonave destinada ao estudo dos asteroides Dimorphos e Didymos. Este procedimento foi conduzido remotamente, visto que a nave já se encontrava em trajetória no espaço profundo.
Operação Remota e Desafios Técnicos
A equipe de controle da missão, sediada no Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC) em Darmstadt, Alemanha, executou a atualização enviando comandos via comunicação espacial. Este feito foi realizado apesar do desafio de gerenciar um veículo localizado a aproximadamente 140 milhões de quilômetros da Terra.
Com o novo sistema, a espaçonave Hera poderá utilizar suas capacidades de navegação autônoma, testar seus instrumentos remanescentes e estabelecer contato com dois pequenos satélites que serão liberados durante a missão. Esta atualização prepara a nave para a fase de aproximação e análise dos alvos.
Preparação e Testes da Missão
A implementação do novo software demandou uma série de testes e procedimentos meticulosamente planejados. Como a Hera já estava viajando a mais de 12 quilômetros por segundo, os responsáveis não tinham acesso físico ao equipamento, necessitando instruí-lo remotamente através de antenas de comunicação de 35 metros.
Após o envio dos comandos, a equipe realizou duas reinicializações do computador de bordo. O sistema utiliza processadores paralelos projetados para assegurar redundância, permitindo a avaliação isolada de cada componente antes da retomada total das operações.
Anna Schiavo, engenheira de operações da Hera, esclareceu que esta atualização marca a preparação final da nave para a fase de asteroides, pois o software possibilitará a ativação de instrumentos pendentes e de sistemas autônomos essenciais para a exploração dos corpos celestes.
Antes de ser lançada, o programa passou por uma vasta campanha de validação no ESOC, que durou cerca de um ano e meio. Essa campanha incluiu 50 dias de atividades em terra e simulações de navegação ao redor dos asteroides, bem como a interação com os CubeSats que acompanharão a missão.
Sylvain Lodiot, responsável pelas operações de defesa planetária e do Sistema Solar Exterior da ESA, informou que os ensaios foram conduzidos utilizando uma réplica funcional da Hera na empresa OHB, localizada em Bremen, Alemanha. Este equipamento simulou cenários de voo, modelos dos asteroides e a comunicação entre a nave principal e os pequenos satélites.
Caglayan Guerbuez, gerente de operações da espaçonave, ressaltou que o lançamento da Hera ocorreu em outubro de 2024 sem a versão final do software, devido à dependência de uma janela específica para aproveitar uma passagem próxima a Marte. Um adiamento do lançamento poderia estender a chegada ao destino em vários anos.
Objetivo Científico da Missão Hera
A Hera constitui a primeira missão de defesa planetária da ESA e tem como foco o asteroide Dimorphos, que orbita o corpo maior conhecido como Didymos. O interesse científico neste sistema surgiu após uma intervenção humana sem precedentes no espaço.
Em setembro de 2022, a espaçonave DART, pertencente à NASA, colidiu com Dimorphos, resultando em uma alteração em sua órbita. Embora este evento tenha sido monitorado por telescópios terrestres, os impactos detalhados da colisão na superfície e na estrutura do asteroide ainda são desconhecidos.
A missão Hera realizará uma inspeção detalhada da área atingida para investigar as consequências do choque, transformando assim o experimento de impacto cinético em um modelo de defesa planetária mais claro. O propósito final é aumentar o conhecimento sobre possíveis métodos de resposta caso um objeto espacial represente uma ameaça futura à Terra.

