O Centro de Atividades Extracurriculares Tidsmaskinen, conhecido como A Máquina do Tempo, exemplifica a arquitetura complementar. Este complexo é formado por três estruturas distintas — uma vila, uma estufa e uma torre — que, apesar de possuírem uma diferença de cem anos em sua construção, se integram em um conjunto harmonioso.
A vila original foi erguida em 1918 para o diretor da escola. Posteriormente, foi adicionada uma nova torre que busca inspiração no patrimônio arquitetônico local, ao mesmo tempo em que introduz uma tipologia inédita na área. A restauração da vila, contudo, não foi executada pelo escritório responsável; este focou apenas na adaptação do espaço, mantendo salas integradas clássicas, como seriam em 1918.
O propósito desta adaptação é estritamente pedagógico: proporcionar às crianças a vivência em uma antiga vila com múltiplas salas menores, todas mobiliadas para as atividades mais calmas do clube de contraturno. Para garantir a atmosfera desejada, a ventilação foi disfarçada dentro da espessa parede divisória central, permitindo que as salas de estar tivessem pé-direito elevado, gesso acústico, estuques e cores variadas que ajudam na orientação infantil.
A estufa funciona como um ponto de passagem entre a vila e a torre, sendo um ambiente rico em vegetação, aromas, umidade, calor, frescor, luz e sons externos, caracterizando-se como um moderno «não-espaço» de transição.
A Máquina do Tempo incorpora uma torre heptagonal que contém salas poligonais com características quase góticas, facilitando tanto a circulação quanto os encontros. No nível térreo, sob a estrutura da torre, encontra-se o salão de assembleias, equipado com arquibancada e palco, nivelado ao subsolo da vila. Embora os andares superiores da torre apresentem um desenho diferente da vila e da estufa, todos são acessíveis através do elevador da torre.
Em termos de estética, o esquema de cores e materiais da torre contrasta com as superfícies pintadas da vila, utilizando concreto aparente, madeira, aço e tijolo. A forma heptagonal da cobertura conferiu à torre seu número ímpar de lados. Observando a base do telhado, percebe-se que as linhas retas que partem do ápice do frontão até a borda oposta convergem no centro. Os cumes do telhado, externamente, são horizontais, e a variação de altura central é unificada pelo «pendural», que, semelhante ao cubo de uma roda de bicicleta, agrupa inúmeros triângulos em uma estrutura estável.
O playground do centro foi concebido como um jardim sem equipamentos de recreio convencionais, diferenciando-se da área adjacente da escola, que possui asfalto e borracha. Devido ao fato de o solo original estar contaminado e coberto de asfalto — cuja remoção seria financeiramente onerosa —, foram adicionadas novas terras, modeladas em colinas e montes sobre a superfície existente. Este jardim foi planejado como um espaço natural selvagem, incorporando árvores e arbustos nativos, além de um gramado selvagem, promovendo assim a biodiversidade e atraindo a fauna local.