Para o Festival Nacional de Esportes de Shimane de 2030, foi desenvolvida uma proposta arquitetônica inovadora na cidade de Misato: a construção de um hangar de canoagem. Este projeto integra características da arquitetura balinesa e funcionará simultaneamente como área de competição no Rio Gonokawa e como centro de treinamento para clubes locais, visando se tornar um ponto de referência cultural e turístico para o município.
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Contexto de Misato e Relações Culturais
Misato é uma cidade com cerca de 4.000 moradores. O Rio Gonokawa, que forma um vale de relevo notável, cumpre os requisitos para eventos esportivos internacionais, e a região possui uma tradição forte em canoagem. Há aproximadamente trinta anos, Misato estabeleceu um laço de amizade com a vila de Mas, na ilha de Bali, Indonésia, encomendando a escultura de uma canoa de madeira tradicional chamada jukung. Atualmente, Misato é o único município japonês com um acordo formal de amizade com uma contraparte balinesa.
Inspiração Arquitetônica e Design
A equipe de arquitetura decidiu que simplesmente replicar fachadas balinesas seria superficial. Em vez disso, a inspiração veio da filosofia de vida da cultura de Bali e da estrutura das embarcações tradicionais. No arquipélago indonésio, o jukung serve tanto como meio de pesca quanto como um veículo espiritual, acreditando-se que ele acompanha as almas dos ancestrais, e sua forma é frequentemente vista nos telhados das residências tradicionais. Seguindo essa herança, os arquitetos estenderam os quatro cantos da longa cobertura horizontal do hangar para remeter a um jukung apontado para cima, criando uma simetria perfeita entre o edifício e a paisagem ao pôr do sol, quando o rio fica calmo.
Estrutura Interna e Elementos Culturais
A entrada do galpão é marcada por dois candi bentar, portais divididos esculpidos por artesãos balineses, que flanqueiam a escadaria de acesso. Ao atravessar o vão de pé-direito duplo, os visitantes encontram um palco aberto com vista para as montanhas, projetado para receber apresentações de Iwami Kagura e danças tradicionais balinesas. Internamente, um grande espaço se desenvolve sob uma estrutura que lembra as cavernas do casco de um navio, enquanto janelas em faixa no segundo andar oferecem vistas para as sessões de treino realizadas no rio abaixo.
Filosofia e Materiais de Construção
O conceito central da cultura balinesa é o Tri Hita Karana, que prega a harmonia entre seres humanos, natureza e o divino como base para uma vida plena. Para concretizar este ideal, a equipe realizou estudos de campo em Bali e projetou um edifício com autenticidade material singular. A cobertura utiliza Accoya, uma madeira acetilada serrada e disposta em tábuas, e as esquadrias externas são feitas de nyatoh, uma madeira tropical resistente aos intempéries. O termo japonês para isso é furubiru, que significa envelhecer com beleza, pois edifícios construídos com materiais naturais não se desgastam, mas adquirem profundidade, consolidando a harmonia entre natureza, pessoas e arquitetura com o passar do tempo.
Expansão do Uso do Espaço
Em menos de seis meses após sua finalização, o espaço transcendeu sua função original de centro de canoagem, passando a sediar festivais culturais e ganhando grande apreço da comunidade, simbolizando a amizade iniciada por aquela canoa esculpida.