A cidade de Joanesburgo foi incluída entre os 67 municípios cujo financiamento foi temporariamente suspenso pelo Tesouro Nacional. A razão para esta medida são falhas na gestão financeira e governança corporativa relacionadas à distribuição da quota justa de julho de 2026.
Objetivos da Intervenção do Tesouro
Esta intervenção foi anunciada pelo Tesouro na terça-feira e visa fortalecer a disciplina financeira, aumentar a responsabilidade e forçar os municípios a eliminar despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras (UIFWE). Além disso, visa responsabilizar os funcionários culpados por infrações financeiras.
Lista de Regiões Afetadas
Entre outros municípios da província de Gauteng afetados por esta decisão, estão Emfuleni, Lesedi, Município do Distrito de Sedibeng, Marathong City e Rand West City.
Razões para a Decisão
O Tesouro declarou que a decisão foi tomada após um 'incumprimento persistente e grave' da Lei Municipal de Gestão Financeira (MFMA), apesar de anos de apoio, incluindo liderança, formação e interação direta com os municípios. O departamento salientou que esta decisão é corretiva, e não punitiva, e como o congelamento dos fundos será temporário, o Tesouro não prevê impacto negativo na prestação de serviços.
Problemas Financeiros dos Municípios
O Tesouro observou que muitos municípios continuam a usar orçamentos não pagos, não conduzem investigações sobre despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras, nem aplicam medidas disciplinares aos funcionários responsáveis por má conduta financeira. Foi também alertado que a má gestão financeira está criando uma pressão crescente sobre as empresas Eskom, conselhos de água e outras instituições estatais.
Escopo dos Problemas Segundo o Auditor
Os resultados mais recentes da auditoria do governo local pelo Auditor-Geral da África do Sul demonstram a dimensão do problema. Desde o ano fiscal de 2021/22, os municípios acumularam 145,21 mil milhões de unidades de despesa irregular, 118,13 mil milhões de despesas não autorizadas e 24,12 mil milhões de despesas infrutíferas e desperdiçadoras.
Posições das Associações e Sindicatos
A Associação Sul-Africana de Governos Locais (SALGA) apelou ao Tesouro para encontrar um equilíbrio entre a supervisão financeira e as realidades enfrentadas pelos municípios. Embora a SALGA apoie os esforços para aumentar a responsabilidade, ela apontou para problemas financeiros estruturais e sistémicos profundamente enraizados no setor de autogoverno. A associação alertou que o congelamento da quota justa não deve ocorrer em detrimento da sustentabilidade dos municípios ou da qualidade dos serviços prestados.
A SALGA também expressou preocupação com os municípios que não pagavam contribuições para fundos de pensão, UIF e retenções PAYE dos salários dos funcionários, observando que tais práticas minam os direitos dos trabalhadores, a confiança pública e expõem os municípios a riscos financeiros e legais.
Entretanto, o Sindicato Sul-Africano de Trabalhadores Municipais (SAMWU) criticou a decisão do Tesouro, alertando que ela pode agravar a crise financeira. O sindicato rejeitou as garantias do Tesouro de que a prestação de serviços permaneceria inalterada, afirmando que sem os recursos financeiros necessários, os municípios não podem garantir água, saneamento, eletricidade, recolha de lixo ou reparação de estradas.
O SAMWU acrescentou que, mantendo o congelamento da quota justa, os municípios podem enfrentar dificuldades no pagamento de salários aos trabalhadores, contribuições para fundos de pensão e seguro de saúde, bem como pagamentos a terceiros e fornecedores de serviços. O sindicato classificou isto não como uma intervenção corretiva, mas sim como uma receita para aprofundar a crise financeira municipal.



