Foi apresentada na Uzbequistão uma proposta para abandonar o cashback fiscal em larga escala, concedido pela compra de cupons, e mudar para métodos de apoio mais direcionados. Esta iniciativa foi apresentada em um material analítico preparado pelo Instituto de Redução da Economia Sombria e Análise Fiscal junto ao Ministério da Economia e Finanças.
Inicialmente, o cashback fiscal foi introduzido como uma ferramenta temporária para formar a cultura tributária. Seu objetivo principal era incentivar os consumidores a exigirem recibos fiscais, aumentando assim a transparência do comércio varejista. O Estado efetivamente envolveu a população no processo de fiscalização tributária pública, devolvendo aos cidadãos 1% do valor das compras.
Os autores do documento acreditam que a tarefa proposta foi amplamente alcançada: o hábito de apresentar o recibo está estabelecido, e as autoridades fiscais obtiveram, ao longo dos anos, meios modernos de controle digital, incluindo PDVs online, faturas eletrônicas, marcação digital, identificação de bens e serviços, bem como capacidades de análise de big data e troca de informações entre sistemas.
Aumento dos custos orçamentários
Apesar de atingir os objetivos, os gastos do orçamento estatal com o pagamento do cashback estão em constante aumento. De acordo com os dados apresentados, foram alocados 820 bilhões de soms para essa finalidade em 2022, 1,24 trilhões de soms em 2023 e 1,05 trilhões de soms em 2024. A previsão para 2025 é de 1,51 trilhão de soms, e para 2026, calculada com base nos pagamentos de janeiro a maio, pode atingir 1,81 trilhão de soms.
Para comparação, apenas 900 bilhões de soms estão planejados para a construção de instituições de pré-escola em 2026, o que é aproximadamente metade dos gastos previstos com o cashback fiscal.
Argumentos econômicos contra o cashback
O relatório analítico indica que o aumento dos gastos orçamentários deixou de ser acompanhado por um crescimento proporcional nas receitas fiscais. Por exemplo, as receitas do imposto sobre o faturamento aumentaram de 1,65 trilhões de soms em 2021 para 3,07 trilhões de soms em 2025, mas o ritmo de crescimento desacelerou após o período inicial de implementação dos sistemas digitais.
Outro argumento contra o cashback em massa é que uma parte significativa dos pagamentos corresponde a compras em grandes redes de varejo, que já operam no setor legal. Assim, o orçamento subsidia efetivamente operações que ocorreriam independentemente da existência do cashback.
Em maio de 2026, o valor total do cashback fiscal foi de 146,6 bilhões de soms. Desse montante, 15,7 bilhões de soms, ou 10,7%, foram atribuídos às dez maiores marcas comerciais. Os cupons da Korzinka receberam o maior volume de cashback em maio, com 9,4 bilhões de soms em 6,87 milhões de cupons. Seguiram Havas com 1,24 bilhão de soms, Olma com 1,2 bilhão de soms, UNG Petro (Carvon) com 824 milhões de soms, Safia com 820 milhões de soms, Afsonalar vodiysi com 761 milhões de soms, KFC com 453,3 milhões de soms, Cheese Day com 349,4 milhões de soms, Makro com 336,5 milhões de soms e EVOS com 292,9 milhões de soms.
Propostas alternativas
Os autores insistem que a sustentabilidade de longo prazo do sistema tributário deve basear-se não em recompensas materiais constantes pelo cumprimento das leis, mas em garantir a transparência dos processos econômicos, alto nível de digitalização e a inevitabilidade de detecção de infrações.
Além disso, o reembolso em massa começou a contribuir para o uso indevido do mecanismo, pois são registrados casos de emissão de cupons fiscais sem venda real de produtos, unicamente para obter a recompensa orçamentária.
Como alternativa, propõe-se mudar o foco do princípio de 'todo cupom é incentivado' para o princípio de 'o controle é incentivado nos setores mais arriscados da economia'. Uma dessas opções é loterias estatais para compradores que registraram cupons em setores com riscos fiscais elevados, como alimentação e pequenas lojas de varejo.
Estima-se que até 100 bilhões de soms possam ser alocados anualmente para tais loterias com grandes prêmios, como carros, pacotes turísticos e outros bens avaliados em mais de 5 milhões de soms. Isso, segundo o documento, permitiria reduzir os gastos orçamentários em quase vinte vezes.
Diferenciação dos mecanismos de apoio
É importante notar que os autores distinguem entre o cashback em massa e o reembolso direcionado do IVA para cidadãos incluídos no registro social. Este último mecanismo tem um foco social — redução do fardo tributário para grupos vulneráveis da população, e não estímulo à atividade de consumo.
Em conclusão, destaca-se que o cashback fiscal desempenhou um papel importante na formação do sistema moderno de administração tributária, contribuindo para o desenvolvimento da cultura de obtenção de cupons e para o aumento da transparência comercial. No entanto, o desenvolvimento de caixas online, marketplaces, marcação digital, inteligência artificial e big data permite a transição gradual para um 'modelo inteligente' de controle fiscal, minimizando a necessidade de estímulo orçamentário massivo e contínuo.