Apesar da aceleração dos investimentos em minerais críticos e infraestrutura em toda a África, a principal dificuldade não reside na execução do trabalho, mas sim em garantir sua gestão confiável. É nesta área que frequentemente se define o sucesso ou o fracasso dos projetos.
Situação na África do Sul
A África do Sul, com a indústria de mineração mais grande e profunda do continente, é um exemplo claro deste problema. Este setor emprega quase 470.000 pessoas, contribui com 5,8% do PIB (439 bilhões de rand) e representa 52% do valor total das exportações de commodities do país, gerando mais de 100 bilhões de rand anualmente para o tesouro nacional.
O país alcançou sucessos significativos, atingindo mínimos recordes de mortalidade nas minas — 42 casos em 2024 e 41 em 2025. No entanto, o progresso geral pode mascarar uma mudança nos riscos. Por exemplo, em 2025, os óbitos relacionados a desmoronamentos aumentaram em 25%, atingindo 15 pessoas contra 12, mesmo com a redução no número total de vítimas. Além disso, em 2023/24, mais de 4.400 violações levaram a ordens de suspensão sob a Seção 54, indicando condições de risco de vida nos locais.
Papel das Contratadas na Indústria
Melhorias notáveis foram alcançadas, mas os riscos remanescentes estão concentrados em como o trabalho de alto risco é executado no local, sendo que a parcela crescente dessas tarefas recai sobre as contratadas. De acordo com o International Council on Mining and Metals (ICMM), as contratadas na indústria global de mineração agora realizam cerca de 58% do tempo de trabalho em grandes operações de mineração e estão envolvidas em algumas das operações mais perigosas.
Muitas empresas estabelecem fortes disciplinas comerciais e de compras, mas ficam significativamente defasadas na gestão de parceiros operacionais. Os problemas incluem um processo fragmentado de integração de novas contratadas, padrões inconsistentes entre diferentes locais, verificação de campo fraca e conhecimento limitado sobre a execução real do trabalho.
Mudança de Paradigma na Gestão
À medida que as operações de mineração se tornam maiores, mais distribuídas e dependentes de contratadas, essa lacuna torna-se cada vez mais significativa. Embora o recorde de mortalidade na África do Sul seja mérito do setor, os riscos residuais existem e estão no nível da execução do trabalho, onde as contratadas trabalham e são supervisionadas. Empresas que criaram boas estruturas comerciais para a gestão de contratadas nem sempre conseguiram criar a capacidade operacional para supervisioná-las.
Historicamente, a gestão de contratadas foi vista predominantemente sob uma ótica comercial — contratos, precificação e administração de fornecedores. Hoje, essa abordagem é insuficiente. Parceiros de negócios influenciam a estabilidade da produção, a continuidade das operações, a confiabilidade dos ativos, a realização de projetos e os indicadores de segurança.
Os operadores mais bem-sucedidos começam a ver as contratadas chave não apenas como fornecedores para administração, mas como uma extensão de seu próprio modelo operacional. Isso exige padrões alinhados, responsabilidade compartilhada, verificação de competências antes do início do trabalho e gestão estruturada que atinge a linha de frente.
Questões para Executivos
Como a produtividade da contratada agora é inseparável da produtividade operacional, o foco mudou. A questão não é mais se o fornecedor certo foi escolhido em termos comerciais, mas se a organização consegue verificar se o trabalho está sendo realizado de forma segura e de acordo com os padrões entre milhares de pessoas e tarefas.
Para líderes da indústria de mineração, surgem questões práticas: o local pode verificar a competência da contratada antes do início dos trabalhos? Os KPIs das contratadas estão ligados à segurança, produtividade e qualidade, e não apenas aos custos? Os padrões são aplicados uniformemente em todos os locais? Os gestores na linha de frente têm autoridade para parar trabalhos inseguros ou não padronizados? E a produtividade da contratada é vista como uma questão operacional, e não apenas como comercial ou de conformidade?
Uma situação semelhante é observada em toda a região. As empresas investiram em sistemas de aquisição, estruturas de conformidade e painéis de relatórios. No entanto, muitas vezes lhes falta propriedade operacional e capacidades no local para confirmar que a gestão realmente se traduz no processo de trabalho. Quando uma contratada é colocada nesse ambiente, a fraqueza é amplificada, e não escondida.
Implementação Operacional como Chave
Uma das principais lições da transformação na indústria de mineração é que a implementação raramente é um problema puramente sistêmico. A base técnica geralmente não constitui a parte mais difícil. O verdadeiro desafio reside na aceitação operacional. Muitas organizações desenvolvem modelos de gestão de forma centralizada, subestimando a variabilidade dos locais, superestimando a prontidão para trabalhar e não alinhando a implementação com as condições operacionais reais. O resultado é fadiga de implementação, contornos locais e sistemas que se tornam cada vez mais administrativos, enquanto o suporte real no local permanece fraco.
A gestão sustentável de contratadas é, em última análise, um desafio de cultura e competências, e não apenas um exercício de conformidade. Organizações que promovem melhorias integram a gestão de contratadas nos processos de trabalho diários, empoderam a liderança na linha de frente e criam sistemas que funcionam primariamente como ferramentas operacionais, e não como ferramentas de conformidade.
Nos setores de recursos e infraestrutura da África, o fator limitante raramente são as ambições ou o capital; é sempre a execução. O trabalho mal gerenciado de contratadas é um dos maiores impulsionadores ocultos de custos e riscos na indústria de mineração. As organizações que eliminarem essa lacuna obterão uma vantagem em confiabilidade, produtividade e sustentabilidade, o que é um diferencial competitivo que a maioria dos operadores ainda não considera dessa forma.


