À medida que a África do Sul investe bilhões na atualização de suas capacidades portuárias, especialistas em segurança cibernética enfatizam que a proteção da infraestrutura digital é um desafio tão importante quanto a modernização dos ativos físicos.
Digitalização e vulnerabilidades dos portos
Os portos sul-africanos estão se tornando cada vez mais digitais graças aos investimentos dos operadores em tecnologias modernas, visando aumentar a eficiência, reduzir atrasos e fortalecer a rede logística nacional. No entanto, especialistas em segurança cibernética alertam: quanto mais inteligentes se tornam os portos, mais suscetíveis eles são a ataques cibernéticos capazes de perturbar o comércio e causar danos econômicos bilionários.
Martin Fernandes, gerente de desenvolvimento de negócios em tecnologia operacional na África na Fortinet, observou que os portos modernos deixaram de ser apenas instalações físicas, transformando-se em ecossistemas digitais complexos, onde o funcionamento de cada sistema conectado é crítico para o transporte ininterrupto de cargas. Ele afirmou que o porto moderno faz parte de um vasto ecossistema comercial digital, exigindo o funcionamento coordenado de todos os sistemas, e uma falha em uma parte pode se espalhar rapidamente por toda a cadeia de suprimentos.
Investimentos e parcerias
Estes alertas ocorrem em meio aos contínuos e maciços investimentos da África do Sul na modernização dos portos. A Transnet anunciou planos para alocar R127 bilhões ao longo de cinco anos para melhorar a infraestrutura ferroviária e portuária, incluindo o terminal de contêineres Pier 2 em Durban e o terminal de granéis secos em Richards Bay. Além disso, em dezembro de 2025, a Transnet celebrou um contrato de concessão de 25 anos com a ICTSI para modernizar o terminal de contêineres Pier 2 em Durban, que processa mais de 40% do tráfego de contêineres da África do Sul.
Fernandes acredita que tais avanços tecnológicos podem aumentar significativamente a competitividade da África do Sul no mercado global. Ele explicou que algoritmos de estocagem nos pátios e APIs permitem conectar de forma mais eficiente companhias de navegação, expedidores, alfândega, operadores de terminais e parceiros logísticos, sendo que a segurança desses sistemas é primordial.
Novos riscos e estratégia de defesa
Apesar das promessas de que a automação e a conectividade digital acelerarão o processamento de cargas, elas também geram novos riscos. De acordo com as Ferramentas de Reforma Portuária do Banco Mundial para 2025, os portos estão se transformando rapidamente em uma infraestrutura interconectada, onde tecnologias operacionais, plataformas em nuvem, sistemas logísticos e parceiros externos estão ligados por redes digitais. Fernandes enfatizou que a proteção de uma única rede não é mais suficiente.
Ele destacou que a questão chave é identificar, monitorar e proteger cada sistema conectado, incluindo sistemas de pátio, automação de portões, acesso remoto, equipamentos operacionais, conexões de contratados e plataformas que ligam o porto às operações rodoviárias, ferroviárias e de armazém. Para a implementação segura de novas tecnologias marítimas, é necessário revisar a estratégia de segurança cibernética e migrar para uma estratégia abrangente de zero confiança.
Cibersegurança como continuidade de negócios
A cibersegurança está sendo vista cada vez mais não apenas como um problema de TI, mas como uma questão de garantia de continuidade de negócios. Fernandes explicou que falhas nos sistemas digitais podem se espalhar rapidamente por toda a cadeia logística. Quando as organizações têm uma visão completa de seus ativos conectados, podem controlar adequadamente o acesso e responder prontamente a atividades incomuns, tornando a segurança um fator que garante a produtividade do porto, pois sustenta o movimento das operações e reduz a probabilidade de falhas.
Os portos sul-africanos continuam sendo vitais para o transporte de minerais, produtos agrícolas, bens industriais, combustíveis, componentes automotivos e bens de consumo. Qualquer interrupção prolongada pode afetar exportadores, varejistas, fabricantes e consumidores. Fernandes insistiu que as melhorias na logística do país devem ser acompanhadas por uma resiliência cibernética igualmente robusta. Ele acrescentou que essa integração é simultaneamente um catalisador de benefícios sem precedentes e uma fonte de novas ameaças, portanto, a segurança cibernética deve evoluir paralelamente à proteção digital deste elemento vital da economia.
Fernandes também observou que a governança deve estar no centro da transformação digital. Os operadores são obrigados a desenvolver estratégias precisas de gerenciamento de ativos e riscos para manter uma visão clara de dispositivos, sistemas, usuários e fluxos de dados conectados tanto em ambientes de TI quanto de OT. Depois que a governança, os fluxos de trabalho e a responsabilidade forem claramente definidos, a tecnologia poderá ser aplicada de forma eficaz para garantir as medidas de segurança necessárias, como segurança de rede, gerenciamento de identidade e acesso, gerenciamento de acesso privilegiado, Acesso de Rede Zero Trust, acesso remoto seguro e detecção e resposta automatizada a incidentes.



