Uma recente investigação publicada em 3 de julho na revista científica Science Advances propõe uma nova teoria sobre o modo de vida dos Homo floresiensis: esses pequenos hominídeos obtinham sua alimentação dos resíduos deixados pelos dragões-de-komodo.
Popular
Características dos Homo floresiensis
Os Homo floresiensis são hominídeos que viveram na Terra há milhares de anos, embora o período exato de sua existência seja debatido, com algumas datas fósseis apontando para cerca de 700 mil anos e outras para aproximadamente 50 mil anos. Seu porte físico reduzido, medindo cerca de um metro de altura, lhes rendeu o apelido de “hobbit”, em alusão às criaturas da saga O Senhor dos Anéis.
Anteriormente, evidências como ossos de elefantes, restos carbonizados de animais e ferramentas levaram os arqueólogos a crer que o H. floresiensis era capaz de caçar grandes presas e utilizar o fogo. Contudo, essa ideia parecia questionável devido ao seu pequeno volume cerebral, comparável ao de uma laranja.
Nova Hipótese Alimentar
A nova pesquisa sugere que os ossos de elefantes encontrados em locais de habitação dos H. floresiensis não foram abatidos pelos próprios hominídeos, mas sim pelos dragões-de-komodo. Estes répteis venenosos, capazes de alcançar até três metros de comprimento, também habitavam a ilha de Flores, onde foram descobertos vestígios dos “hobbits”.
Os dragões-de-komodo caçavam animais de grande porte, incluindo o Stegodon florensis insularis, uma variedade de elefante-anão com cerca de 1,5 metro de altura, deixando para trás restos como peles, ossos e órgãos. Essa carcaça servia de fonte de alimento para os “hobbits”.
Análise Fóssil e Experimento
Para validar essa hipótese, os pesquisadores examinaram mais de 3 mil fragmentos de ossos coletados em Liang Bua, datados entre 190 mil e 50 mil anos atrás. Eles observaram que as marcas nos ossos dos elefantes pré-históricos não correspondiam a cortes feitos por instrumentos humanos, nem apresentavam perfurações típicas de lanças de pedra.
Em um teste realizado no Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos, os cientistas alimentaram o dragão-de-komodo Rinca e, posteriormente, analisaram as marcas em suas carcaças usando imagens tridimensionais. O resultado demonstrou uma forte semelhança entre as mordidas do réptil e as encontradas nos fósseis dos antigos elefantes.
Distribuição das Marcas e Uso do Fogo
Embora alguns cortes nos fósseis pareçam ter sido realizados por ferramentas humanas, estes representavam uma minoria. A maioria das marcas era consistente com mordidas de dragões-de-komodo e estava localizada nas áreas mais gordurosas do corpo, como quadris e ombros, que são primeiramente consumidas por predadores. Os cortes atribuídos a ferramentas estavam concentrados em partes com menor quantidade de carne, como as costelas.
Quanto aos ossos queimados, análises químicas revelaram que, dos 3.155 fragmentos analisados, apenas um apresentava sinais de carbonização, sendo uma costela do Stegodon. Este osso estava adjacente à camada geológica associada aos Homo sapiens e próximo a vestígios mais recentes. Por essa razão, os pesquisadores concluíram que o fragmento pode ter ficado exposto na superfície da caverna durante a ocupação humana, sendo subsequentemente queimado, o que indica que os “hobbits” provavelmente não dominavam o fogo.
Conclui-se que os hominídeos possuíam capacidades menos complexas do que se pensava, mas desenvolveram um método eficaz para sobreviver em uma ilha com predadores gigantes competindo por recursos. Além disso, estudos anteriores sugeriam que os Homo floresiensis derivavam dos Homo erectus, que já controlavam o fogo; todavia, a nova tese aponta para uma linhagem ancestral distinta, que ainda não havia adquirido essa habilidade.