O Fundo Nacional de Cinema e Vídeo (NFVF) enfrentou um aumento da atenção pública após a decisão de suspender temporariamente as atividades da Diretora Executiva Onke Dumeko. Este passo expôs problemas mais amplos relacionados à governança, transparência e instabilidade da liderança nesta principal organização de financiamento de cinema na África do Sul.
Questões em torno da suspensão das atividades
Mais de uma semana depois que o veículo IOL noticiou a remoção temporária de Dumeko enquanto aguardava uma revisão administrativa independente, várias questões cruciais permanecem sem resposta. O Fundo ainda não forneceu explicações sobre as circunstâncias da suspensão, não nomeou um diretor executivo interino nem divulgou publicamente quem exerce o poder executivo na organização.
Este silêncio gerou críticas por parte de cineastas, partes interessadas do setor e observadores de governança. Eles afirmam que a organização, que detém centenas de milhões de rand de financiamento público, não pode se dar ao luxo de incerteza prolongada no mais alto nível.
Problemas de transparência e gestão operacional
O jornalista independente de televisão e entretenimento, Tuns Ferreira, observou que a maneira como a suspensão foi conduzida levanta sérias preocupações sobre transparência. Segundo ele, «é ruim que não só não sabemos o porquê, mas a indústria e os meios de comunicação também não foram informados. Eles tentaram esconder isso de propósito». Ferreira também apontou que, mesmo após a entrada em vigor da suspensão de Dumeko em 25 de junho, ela continuou a ser listada como Diretora Executiva no site do NFVF.
A incerteza afeta não apenas o escritório do diretor executivo. Como Dumeko ocupava simultaneamente os cargos de Diretora Executiva e Chefe de Operações, sua remoção deixou duas funções executivas vitais sem liderança permanente. Embora o Conselho do NFVF tenha notificado o pessoal de que os chefes de departamento supervisionariam as atividades diárias até que um novo diretor executivo fosse nomeado, nenhum anúncio público sobre tal nomeação foi feito.
Na opinião de Ferreira, a organização está funcionando efetivamente sem um líder sênior capaz de fornecer direção estratégica ou aprovação final de decisões. Ele enfatizou: «Eles realmente não têm ninguém como Chefe de Operações, e eles também não têm um novo Diretor Executivo. A organização é essencialmente gerenciada pelos chefes de departamento, que esperam fazer as coisas certas, enquanto ninguém realmente garante supervisão ou aprovação final».
Instabilidade histórica e responsabilidade
Quando o IOL noticiou pela primeira vez a suspensão de Dumeko, o Conselho classificou-a como uma medida preventiva relacionada a uma revisão administrativa independente. O Conselho enfatizou que a suspensão não deve ser interpretada como uma decisão disciplinar e pediu aos funcionários para «respeitarem a confidencialidade do processo». No entanto, além dessa declaração, o Fundo recusou-se a fornecer comentários mais detalhados.
Ao ser contatado por Ferreira, o NFVF supostamente respondeu apenas que a questão é um «assunto administrativo interno» que permanece sob o processo de auditoria atual. Para muitos no setor de cinema e televisão sul-africano, este último desenvolvimento não é visto como um caso isolado, mas como parte de uma tendência mais ampla de instabilidade executiva. Ferreira relatou que cerca de seis pessoas mudaram de cargo na organização desde 2023, ocupando posições de diretor executivo, seja permanente ou temporário. Ele concluiu que «o cargo de diretor executivo está efetivamente girando desde 2023. Eles tiveram cerca de seis pessoas neste cargo em três anos. Isso não é bom para nenhuma organização em termos de estabilidade, liderança ou operações».
Essa alta rotatividade ocorre enquanto o NFVF continua a administrar programas chave de financiamento público destinados a apoiar a produção local de cinema, televisão e conteúdo digital. Como uma estrutura pública financiada pelo Departamento de Esportes, Artes e Cultura, o Fundo desempenha um papel central no desenvolvimento da indústria cinematográfica sul-africana, distribuindo subsídios, apoiando cineastas e controlando iniciativas setoriais estratégicas.
Questões ao Departamento e disputas passadas
A incerteza na liderança também reacendeu as questões sobre a supervisão do Departamento de Esportes, Artes e Cultura. Anteriormente, o Ministro dos Esportes, Artes e Cultura, Gethon Mackenzie, facilitou a dissolução do Conselho Nacional de Artes, o que foi visto como um passo para restaurar a esperança para artistas e organizações culturais em todo o país.
Ferreira apontou escândalos anteriores relacionados a viagens internacionais de funcionários do NFVF. Em 2024, o Ministro Gethon Mackenzie interveio publicamente após surgirem preocupações sobre a escala e o custo das delegações do NFVF em festivais de cinema internacionais. Na época, o ministro declarou que a principal obrigação do Fundo era garantir que pelo menos 75% do orçamento fosse destinado à produção de filmes, e não a despesas administrativas e viagens internacionais.
No entanto, Ferreira observou que representantes do NFVF visitaram novamente o Festival de Cannes este ano. Ele relatou que, ao contatar o escritório do ministro, o Departamento e o NFVF para saber por que as pessoas voltaram subitamente a Cannes depois que o ministro havia proibido, ele não recebeu respostas. Segundo ele, a falta de explicações reflete uma ausência mais ampla de responsabilidade, pois trata-se de dinheiro de contribuintes em um órgão industrial que deve ajudar a indústria cinematográfica e televisiva sul-africana.
Pressão da indústria
Os problemas de gestão surgem em meio a um crescente descontentamento na indústria cinematográfica. Cineastas reclamaram de atrasos no financiamento, obstáculos administrativos e incerteza sobre os programas do Fundo. Esses descontentamentos aumentaram recentemente quando cineastas realizaram uma greve sentada ilimitada devido a atrasos relacionados ao Programa de Estímulo ao Emprego Presidencial (PESP 6), acusando o Fundo de falhas administrativas que colocavam em risco projetos e meios de subsistência.
O vácuo na liderança provavelmente complicará também o planejamento de futuras iniciativas do setor, incluindo os SAFTAs (South African Film and Television Awards), que nos últimos anos foram criticados por atrasos no planejamento e problemas organizacionais. Ferreira argumentou que o planejamento tardio frequentemente deixa as equipes de produção com tempo insuficiente para preparação adequada para transmissões ao vivo. Ele acrescentou: «As empresas de produção não têm tempo para ensaiar. É por isso que os espectadores veem erros durante a transmissão ao vivo. Esses prêmios deveriam mostrar o melhor da televisão sul-africana, mas as deficiências organizacionais frequentemente minam isso».
Especialistas em gestão frequentemente afirmam que a instabilidade prolongada no nível executivo enfraquece a responsabilidade institucional, retarda a tomada de decisões e cria incerteza tanto para funcionários quanto para partes interessadas. Para uma organização responsável por apoiar um dos setores criativos mais vulneráveis economicamente da África do Sul, a mudança constante de liderança ameaça afetar as decisões de financiamento, a implementação de projetos e a confiança entre os cineastas dependentes do apoio do Fundo.
Questões pendentes para o Fundo
O Conselho do NFVF insiste que a suspensão de Dumeko é preventiva e faz parte de uma revisão administrativa independente. No entanto, quase duas semanas após a entrada em vigor da decisão, questões críticas permanecem sem resposta: qual foi a razão para a revisão administrativa independente; por que a suspensão não foi divulgada; quem detém atualmente o poder executivo no Fundo; quando um diretor executivo será nomeado; e quando um diretor executivo permanente será contratado?
Enquanto essas questões não forem esclarecidas, a organização encarregada de promover o cinema sul-africano enfrenta uma crise de gestão que ameaça cada vez mais a confiança em uma das instituições culturais mais importantes do país.

