O Tesouro Nacional anunciou a suspensão de transferências de quotas iguais no valor de 13,5 bilhões de randes para 69 municípios que não conseguiram cumprir as normas financeiras e outros requisitos de gestão financeira. Esta decisão foi tomada no âmbito dos esforços para implementar disciplina financeira.
Condições para reativação dos pagamentos
Segundo Ogalaletsenga Gaarekwe, vice-diretora geral do Tesouro Nacional, os fundos retidos podem ser transferidos aos municípios afetados dentro de uma semana ou um mês, se os conselhos correspondentes demonstrarem conformidade com os requisitos. O volume total da quota igual para os municípios no novo ano fiscal é de 110 bilhões de randes, dos quais apenas 13,5 bilhões foram congelados.
Motivos e medidas de controlo
Gaarekwe fez esta declaração depois de o departamento ter informado na segunda-feira sobre a suspensão das transferências com o objetivo de garantir a correta gestão dos fundos públicos, eliminar despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadoras (UIFWE), bem como responsabilizar os funcionários e agentes municipais, se previsto em lei. Os fundos serão libertados após os municípios apresentarem provas do cumprimento das condições estabelecidas.
Ela esclareceu que, após receberem os documentos, parte dos fundos será alocada, provavelmente um terço, para que os municípios possam liquidar dívidas com credores de acordo com os acordos. O tempo necessário para desbloquear os fundos depende da rapidez de resposta dos próprios municípios, podendo levar de uma semana a um mês.
Processo de notificação e prazos
O primeiro lote de cartas foi enviado a 99 conselhos em 22 e 23 de junho. Como resultado, 30 conselhos responderam adequadamente e os seus fundos não foram congelados. Yang Hatting, diretor principal de análise orçamental local, é quem informou que os conselhos tiveram sete dias para responder, e apenas 69 não forneceram os documentos necessários. A legislação prevê um prazo máximo de 120 dias para o desbloqueio dos fundos, mas, segundo Hatting, não excedeu 30 dias durante todo esse período.
O Tesouro Nacional envia notificações aos municípios desde 2015. Gaarekwe observou que nos últimos anos o número de municípios com transferências congeladas diminuía, mas em agosto de 2025 aumentou drasticamente para 75. Ela expressou esperança de que o número de municípios afetados diminua no futuro próximo.
Consequências e apoio
Gaarekwe sublinhou que a disposição constitucional utilizada para suspender as transferências foi aplicada em último caso, pois eles não desejam fazê-lo constantemente, esperando uma mudança de comportamento. Os municípios deveriam assumir compromissos sobre orçamentos não pagos, assinar planos de pagamento com credores e desenvolver estratégias para reduzir despesas não autorizadas.
Entretanto, os departamentos que não pagam aos municípios enfrentarão em breve medidas semelhantes. O Ministro das Finanças, Enoch Godongwana, notificou o Parlamento da intenção de suspender as quotas iguais aos departamentos que devem aos municípios 15 bilhões de randes por tarifas e serviços de água e eletricidade não pagos. Gaarekwe informou que cartas foram enviadas aos departamentos nacionais em fevereiro com aviso de suspensão de transferências, e aos departamentos provinciais em abril, com prazo final de resposta até 29 de maio.
Ela também mencionou o grande número de valores contestados declarados pelos municípios, insistindo que um plano de pagamento fosse fornecido para contas não contestadas, e que os fundos deveriam ser pagos no ano corrente, e não estendidos por vários anos. O ministro deixou claro que os valores em disputa devem ser resolvidos num prazo de três meses, pois 'não se pode discutir para sempre'.
Objetivo e ajuda aos municípios
Gaarekwe declarou a intenção de corrigir o comportamento em todas as áreas do governo, sublinhando a necessidade de formar o hábito de pagar aos credores. Ela confirmou a seriedade do Tesouro Nacional em matéria de cumprimento da lei, destacando a importância de conformidade com a legislação vigente em todos os três níveis de governo.
Gaarekwe garantiu que a suspensão dos fundos não afetará a prestação de serviços à população. O orçamento dos municípios é de cerca de 750 bilhões de randes, sendo que o Tesouro Nacional transfere anualmente menos de 200 bilhões de randes para eles. Ela observou que os municípios têm maior capacidade de aumentar receitas da Constituição do que as províncias, que arrecadam menos de 30 bilhões de randes por ano, enquanto os municípios arrecadam quase 500 bilhões de randes com as suas próprias receitas.
Hatting relatou que ações semelhantes contra conselhos que não cumprem obrigações de dívida com empresas de abastecimento de água tiveram resultados positivos. Ele observou que, graças às ações conjuntas com o Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento, duas empresas de abastecimento de água que estavam à beira do encerramento foram salvas e continuam a funcionar. Ele acrescentou que a intervenção foi resultado das conclusões do Controlador Geral de Contas sobre alguns conselhos terem assumido orçamentos não pagos. Parte do trabalho consiste em ajudar os municípios a elaborar orçamentos financiados e resolver problemas de planeamento antecipado, uma vez que o mau planeamento e o excesso de gastos são considerados despesas não autorizadas.
Os funcionários do Tesouro Nacional detalharam o apoio prestado aos municípios no plano financeiro. Hatting afirmou que colaboram com os tesouros provinciais e colegas, incluindo a SALGA, para ajudar os municípios a melhorar os sistemas de planeamento e orçamentação, garantindo o uso correto dos fundos e o benefício dos cidadãos dos recursos alocados pelo Parlamento.


