Diretores de escolas na África do Sul expressam séria preocupação com a carga administrativa onerosa causada por práticas de gestão obsoletas. De acordo com o relatório, o sistema educacional sufoca as qualidades de liderança devido ao excesso de trabalho burocrático, e um diálogo genuíno é necessário para mudar o sistema de responsabilização em uma ferramenta de capacitação.
Resultados do Relatório Nacional
O relatório nacional do Fundo de Órgãos de Gestão (GBF) sobre a carga dos diretores de escolas públicas deve ser visto não apenas como mais uma pesquisa educacional, mas como um sinal de socorro daqueles que deveriam apoiar as escolas. Segundo este relatório, 84% dos diretores trabalham regularmente após o horário de expediente para lidar com os requisitos administrativos. Além disso, 92% afirmaram que a carga administrativa aumentou ou aumentou significativamente em comparação com cinco anos antes.
Adicionalmente, 71% observam o impacto negativo dessa carga na capacidade de desempenhar suas funções principais como líderes escolares, e 59% acreditam que o fardo os leva a considerar seriamente deixar o cargo. O diretor é a espinha dorsal da escola, pois o clima de cuidado, disciplina e segurança criado pela liderança afeta diretamente o desempenho da instituição e a decisão de jovens professores de permanecer ou deixar a profissão.
Natureza do Fardo Administrativo
Quando quase seis em cada dez líderes escolares pensam em pedir demissão, o governo deve revisar seus próprios sistemas, em vez de exigir novos relatórios. O aspecto mais alarmante não é o envolvimento dos diretores, pois a gestão escolar sempre exigiu longas horas e grande dedicação. O problema é que uma parte significativa desse tempo agora é gasta preenchendo papéis, refazendo relatórios, mantendo arquivos, atendendo a solicitações urgentes, duplicando informações e cumprindo requisitos.
Muitos diretores gastam tempo extra não desenvolvendo melhores estratégias pedagógicas, orientando jovens professores ou interagindo com pais, mas sim servindo à burocracia que muitas vezes não distingue responsabilidade significativa de ruído administrativo. Tempo não é um recurso elástico; cada hora gasta pelo diretor preenchendo um formulário é uma hora que não foi usada para observar aulas, apoiar funcionários, ajudar alunos, resolver problemas de segurança, fortalecer a cultura escolar ou planejar melhorias.
Perigos do Gerencialismo
Portanto, o governo deve responder à pergunta não se as escolas entregaram os documentos necessários, mas se esses documentos levaram a melhorias no ensino, na liderança ou na prestação de serviços. Se não houver melhoria, o sistema não fortalece a educação, mas a esgota. Este é um exemplo do gerencialismo mais destrutivo: a crença de que as instituições podem ser melhoradas aumentando metas, planos, relatórios, monitoramento e 'provas' mensuráveis.
Essa abordagem é frequentemente mascarada como eficiência e responsabilidade, mas em formas extremas gera o oposto: desconfiança, duplicação, medo, evasão de riscos e conformidade formal sem aquisição de conhecimento. No setor educacional, o gerencialismo está gradualmente transformando diretores em funcionários de escritório, professores em operadores de dados e departamentos em máquinas que exigem provas de atividade, e não evidências de impacto real.
Relatório versus Resultados
Existe o conceito de 'farsa burocrática': o sistema parece ocupado, gera arquivos, painéis de controle, modelos, assinaturas e relatórios, criando uma aparência de controle. No entanto, a questão chave permanece sem resposta: a que tudo esse esforço administrativo leva? É lido atentamente? É usado para fornecer melhor apoio às escolas? Ajuda os departamentos a alocar recursos e resolver problemas de forma justa ao elaborar orçamentos? Identifica riscos mais cedo? Melhora o ensino e a aprendizagem? Ou simplesmente se move de uma mesa para outra, criando a ilusão de trabalho importante realizado?
Um extenso arquivo de conformidade não significa que a escola está melhorando; um plano assinado não garante que o aluno saberá ler; um relatório enviado não significa que o professor recebeu apoio; uma lista de verificação preenchida não significa que a taxa de abandono de alunos diminuiu. O governo deve parar de confundir trabalho de papel com resultados. A existência aparente da administração não é prova de valor; pelo contrário, uma administração excessiva pode indicar a perda de confiança do sistema em seus próprios profissionais.
Princípios de Liderança Eficaz
É necessário permitir que os diretores se concentrem em sua tarefa principal: liderar. A palavra 'diretor' deriva do latim 'prīncipālis', que significa 'primeiro em importância, chefe, líder'. É isso que eles devem ser. A responsabilização deve focar a atenção, não dispersá-la. Ela deve apoiar os líderes, não exauri-los. O diretor define o tom, molda a cultura, constrói a confiança e estimula a produtividade — este é o coração da escola.
A primeira lição de liderança do relatório GBF é que a responsabilização deve ser direcionada. Bons líderes não solicitam informações por acaso; eles as solicitam porque isso ajudará a tomar uma decisão, iniciar um apoio, reduzir um risco, melhorar o aprendizado ou proteger recursos. Se um requisito de relatório não passar neste teste, ele deve ser revogado. As instituições governamentais devem seguir um princípio simples: nenhum formato sem propósito, nenhum modelo sem usuário, nenhum relatório sem decisão e nenhuma exigência de conformidade sem valor visível.
A segunda lição é que a confiança não é inimiga da responsabilização, mas seu fundamento para alta produtividade. As escolas precisam de objetivos claros, gestão ética, disciplina financeira e transparência. Mas também precisam de espaço profissional. Os líderes devem ser confiados em sua capacidade de liderar, e não apenas controlados quanto à conformidade. Os departamentos devem gastar menos energia extraindo provas das escolas e mais energia descobrindo as necessidades das escolas para aumentar a eficácia. Um sistema construído apenas na suspeita levará a uma conformidade defensiva; um sistema baseado na confiança razoável garantirá responsabilidade, iniciativa e melhoria.
Aplicação dos Princípios em Outras Áreas
Esta lição aplica-se não apenas às escolas. Municípios, hospitais, universidades e estruturas governamentais enfrentam um modelo semelhante: mais planos, mais relatórios, mais auditorias, mais registros, mais indicadores de desempenho e mais pedidos de informação em prazos curtos. Parte da responsabilização é necessária, pois o dinheiro público exige responsabilidade pública. No entanto, quando o cumprimento das regras se torna excessivo, duplicado e desconectado da prestação de serviços, transforma-se em um imposto à produtividade, consumindo o tempo daqueles que devem gerar resultados.
Organizações bem-sucedidas estão cada vez mais percebendo isso. Instituições de alto desempenho não eliminam a responsabilização, mas a simplificam. Exemplos internacionais, como Toyota, Haier e Buurtzorg, demonstram que as organizações podem aumentar a produtividade reduzindo a hierarquia desnecessária, confiando nos trabalhadores locais e aproximando a tomada de decisões do local de trabalho real. Este modelo vai além da sobrecarga administrativa.
Em toda a estrutura governamental, os sinais de alerta são frequentemente registrados em relatórios, pesquisas e estruturas consultivas muito antes do surgimento de uma crise, mas ações decisivas são frequentemente tomadas somente depois que a crise ocorre. A mobilização xenófoba, concluída com uma marcha em 30 de junho, não surgiu do nada; a África do Sul vivenciou surtos recorrentes de violência xenófoba desde 2008, mas muitas causas subjacentes permaneceram insuficientemente exploradas. Da mesma forma, as frustrações que finalmente resultaram nos protestos #FeesMustFall eram evidentes anos antes de atingir um ponto crítico nacional. Coletar informações não é o mesmo que agir com base nelas.
Chamado à Ação
O relatório GBF deve provocar uma conversa nacional sobre o fardo que recai sobre as escolas e as instituições governamentais. O governo deve auditar cada relatório repetitivo e fazer três perguntas simples: Quem lê isso? Que decisão isso informa? Que diferença isso fez? A África do Sul não precisa de menos responsabilização; ela precisa de uma responsabilização de maior qualidade.


