A gigante chinesa Alibaba determinou que seus colaboradores não devem utilizar o Claude Code, que é um assistente de programação baseado em inteligência artificial fornecido pela Anthropic. Essa diretriz foi estabelecida depois que desenvolvedores identificaram que a ferramenta continha funcionalidades de monitoramento destinadas a localizar usuários conectados dentro da China.
Detalhamento do Rastreamento Oculto
O acesso ao Claude Code já possuía restrições no território chinês. De acordo com a Reuters, os programadores observaram que o software auxiliar na redação e revisão de códigos inspecionava os computadores em busca de informações específicas, tais como o fuso horário e as configurações de proxy da internet. Adicionalmente, o sistema registrava as mensagens enviadas aos servidores da Anthropic localizados nos Estados Unidos, visando identificar quem estava empregando redes virtuais para contornar o bloqueio regional.
Em uma terça-feira (30/06), um funcionário da Anthropic havia divulgado publicamente que tal rastreamento existia na IA. Ele explicou que isso fazia parte de um experimento iniciado em março, cujo objetivo era prevenir o uso não autorizado e proteger a propriedade intelectual da companhia contra métodos de clonagem.
Conflito entre Anthropic e Alibaba
O impedimento do assistente de programação representa o episódio mais recente de uma disputa mais ampla. No mês anterior, a Anthropic acusou a Alibaba de realizar o roubo de dados do Claude. A metodologia alegada era a destilação, que envolve o treinamento de um modelo secundário, mais econômico, utilizando as respostas, o raciocínio e a base de dados de um sistema concorrente mais avançado.
A detentora do Claude protocolou formalmente um documento junto ao governo dos Estados Unidos. Conforme a denúncia apresentada, a extração desses dados possibilitaria que a Alibaba alcançasse rapidamente as capacidades dos sistemas experimentais de ponta da Anthropic. Esta acusação, somada à descoberta do rastreamento disfarçado, obrigou a Alibaba a tomar medidas, instruindo seus funcionários a usarem exclusivamente sua própria plataforma de codificação, denominada Qoder.
Impulso ao Ecossistema Chinês
No cenário americano, os criadores de modelos de IA continuam buscando maneiras de proteger seus sistemas contra acessos indevidos, revenda de contas e extração de bancos de dados. No entanto, impedir usuários individuais que utilizam servidores americanos mascarados permanece sendo um desafio significativo.
A reação da indústria chinesa a essas restrições tem sido acelerar a busca por autonomia tecnológica. À medida que as empresas americanas elevam os padrões de controle sobre o uso externo, as corporações asiáticas estão investindo pesadamente na construção de um ecossistema tecnológico autônomo. Nesse contexto, a China está testemunhando um aumento na aceitação de soluções nacionais e modelos de código aberto (open-source), como os projetos DeepSeek e o próprio Qwen, desenvolvido pela Alibaba, que também estão ganhando relevância no mercado.