A Associação de Autoridades Locais da África do Sul (SALGA) emitiu um aviso de que a decisão do Ministério Nacional das Finanças de suspender temporariamente os pagamentos da Participação Municipal para julho de 2026 a 69 municípios não deve afetar negativamente os serviços vitais ou a estabilidade financeira dos municípios.
Razões para a Suspensão dos Pagamentos
O Ministério Nacional das Finanças informou na terça-feira que esta medida foi tomada com o objetivo de garantir a disciplina financeira, combater a má gestão de fundos e aumentar a responsabilidade entre funcionários e autoridades municipais. A razão foi o incumprimento contínuo da Lei Municipal de Gestão Financeira (MFMA) e os seus dispositivos.
Os municípios afetados por esta decisão abrangem todas as nove províncias, e foram enviados avisos por escrito com a possibilidade de fornecer uma justificação de por que os seus subsídios não devem ser congelados. O Ministério das Finanças salientou que esta medida é corretiva, e não punitiva, e não se espera que a suspensão temporária afete a prestação de serviços.
Posição da SALGA sobre os Problemas
O representante da SALGA, Motalatale Modiba, reconheceu os esforços para fortalecer a governação, a disciplina financeira e a responsabilidade em todos os níveis de governo. No entanto, alertou que os municípios continuam a enfrentar dificuldades financeiras sistémicas e estruturais que exigem apoio e reformas urgentes. Ele afirmou que qualquer suspensão da participação deve equilibrar os objetivos de conformidade com o impacto na prestação de serviços e na estabilidade financeira dos municípios, e é importante distinguir falhas de gestão reais de problemas estruturais mais profundos.
A SALGA observou que inicialmente o Ministério das Finanças planeava suspender as transferências da participação para 99 municípios não conformes, mas este número foi posteriormente reduzido para 69 após consultas com os municípios afetados. Modiba notou que tal redução demonstra o valor da interação proativa e a disposição dos municípios para agir quando há requisitos claros e apoio.
Dificuldades Financeiras dos Municípios
Modiba sublinhou que a SALGA não aprova o incumprimento das regras, mas enfatizou que muitos municípios operam sob séria pressão económica e financeira, o que afeta a sua capacidade de manter a estabilidade financeira e prestar serviços. A Associação expressou preocupação com o facto de algumas das razões citadas pelo Ministério das Finanças incluírem o não pagamento de contribuições pelos municípios para fundos de pensão, subsídios de desemprego (UIF) e retenções PAYE, que já foram deduzidos dos salários dos funcionários.
A SALGA declarou que estes fundos não pertencem aos municípios e nunca devem ser usados para outros fins, pois tal comportamento mina os direitos dos funcionários, a confiança pública e expõe os municípios a riscos financeiros e legais. Modiba confirmou que a SALGA adota uma política de tolerância zero a infrações financeiras, incumprimento contínuo e consequências de falhas de gestão. Ele lembrou que os conselhos, contabilistas e órgãos de fiscalização são responsáveis por investigar despesas irregulares, responsabilizar os culpados e compensar os danos de acordo com a lei.
Além disso, as dificuldades financeiras dos municípios são causadas por problemas mais amplos, como a diminuição das receitas, a fraqueza da economia local, as crescentes exigências de prestação de serviços, o aumento dos custos de eletricidade e água, o envelhecimento da infraestrutura, as perdas na distribuição e o aumento da pobreza. Até 31 de março de 2026, a dívida do consumidor dos municípios excedeu 480 mil milhões de randes, sendo as principais contribuintes instituições estatais e cidadãos.
Apelos à População e Soluções
Modiba observou que o crescente fardo da dívida enfraquece a capacidade dos municípios de cumprir obrigações junto da Eskom, empresas de abastecimento de água, fundos de pensão, SARS e outros credores. Ele salientou que a sustentabilidade dos municípios depende do pagamento pelos serviços, e serviços fiáveis são impossíveis quando residentes, empresas, departamentos governamentais e outros consumidores não pagam as contas dos municípios. A SALGA apelou a todos os consumidores, incluindo órgãos estatais, para liquidarem as dívidas municipais pendentes, ao mesmo tempo que recomendou vivamente que os municípios melhorem a cobrança de receitas, o controlo de crédito e a precisão da faturação.
Modiba concluiu que as medidas coercivas por si só não resolverão os problemas financeiros dos municípios, e são necessárias soluções de longo prazo para eliminar a dívida, os mandatos não financiados, o desequilíbrio fiscal, o atraso na infraestrutura e as restrições de receita. A SALGA acolheu a declaração do Ministério das Finanças de que o processo de congelamento é corretivo e não punitivo, e que os subsídios podem ser emitidos após os municípios cumprirem as condições necessárias. A Associação declarou a sua disponibilidade para continuar a apoiar os municípios afetados na melhoria dos planos de recuperação, gestão, conformidade, controlo de despesas e estabilidade financeira. A SALGA mantém o compromisso de colaborar com o Ministério Nacional das Finanças, o Auditor-Geral, o COGTA, os governos provinciais e os municípios para implementar medidas corretivas imediatas e reformas estruturais de longo prazo.
